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segunda-feira, 8 de novembro de 2021

PRESERVAÇÃO DE ACERVO: CONSERVAÇÃO DE PERIÓDICOS


O ECLB ainda não está aberto ao público, mas mantém as atividades internas de preservação do acervo. Nesse mês de novembro, após a capacitação técnica presencial realizada por Valeria Sellanes, mentora do Projeto HUB + (saiba mais), ampliamos as atividades internas que compõem nossa política de preservação do acervo, iniciando ações de limpeza e restauro dos periódicos que compõem nossa Hemeroteca.



O projeto de limpeza e restauro, sob coordenação de Claudia Bastos do Carmo, conta com a participação voluntária de Amanda de Fátima da Silva Delfino, estudante do 6º período de História, da Universidade Federal Fluminense, Polo de Campos dos Goytacazes. Segundo ela, o ECLB é "de extrema importância, pois além de resgatar todo o aparato jornalístico de Bom Jesus do Itabapoana e região, ajuda-nos a conservar parte de nossa historia através de periódicos, audiovisuais, biblioteca" o que para ela são acervos "super interessantes e até mesmo divertidos. Sem contar a própria estrutura do Espaço Cultural que é por si só um patrimônio regional". 

Amanda: conservação preventiva no acervo do ECLB

Sobre sua participação no projeto de preservação do ECLB, Amanda acrescenta: "acredito que para  além deste  período acadêmico, este projeto ajudará em minha formação pessoal, curricular, na experiência profissional e principalmente em minha formação como boa Bonjesuense, onde tenho a oportunidade de aperfeiçoar meus parâmetros acerca da educação patrimonial e fazer boas amizades com prosa, café e troca de conhecimentos".


Amanda Delfino, Claudia e Paula Bastos, diretoras do ECLB, e Cecília Costa Dias









quinta-feira, 7 de setembro de 2017

JORNAIS ANTIGOS NO ACERVO DO ECLB
















Em geral tendemos a considerar jornais impressos como material descartável. As notícias diárias ou semanais, passado alguns dias, são consideradas "antigas" e sem importância, e esses jornais passam a embrulhar objetos, virar papel machê ou vão para o lixo (reciclável ou não)...


Para os pesquisadores e aqueles que se interessam em conhecer um pouco mais o percurso histórico de nossas sociedades, porém, os periódicos possuem uma importância a mais, já que "a imprensa é um tipo de fonte privilegiada, pois ela permite entender o cotidiano sociocultural de uma determinada época, assim como possibilita ao pesquisador aproximar-se das práticas políticas, econômicas, sociais e até das correntes ideológicas de diferentes setores de uma dada sociedade, acompanhando sua dinâmica em sequência".(1)

O ECLB possui importante acervo de jornais antigos que abrange principalmente o século XX. A constituição desse arquivo histórico só foi possível porque pessoas como Antonio de Souza Dutra, Pedro Gonçalves Dutra, Luciano Augusto Bastos, Alípio Garcia de Campos e Elcio Xavier se preocuparam em manter preservadas, para as futuras gerações, ricas fontes de pesquisa para a história e memória de nossa região.(2)

Muitos dos títulos que compõem o Arquivo de Periódicos do ECLB são raros, como é o caso do "Itabapoana", primeiro jornal publicado em Bom Jesus do Itabapoana, nos anos de 1906 e 1907.(3)


Confira a lista de periódicos existentes no Arquivo do ECLB:


Descrição
Data

O Monitor Campista
24/06/1883


Itabapoana
1ª fase - 1906-1907
2ª fase - 1911-1916
3ª fase - 1918-1918



Correio Popular
1916-1917


Nossa Terra
1924-1925


A Cidade
1925


A Parochia
1925


O Liberal
1926-1927


Bom Jesus – Jornal
1928



O Norte
1928


O Momento
1932-1938


O Boletim
1939


Meu Campinho
1940


Jornal do Comércio


A Voz do Povo
1930 a 1931 – cópia; 1933 a 1935; 04 jan 1936 a 25 dez 1937; 1938 e 1939 – cópia; 1940; 1942; 1949 - cópia; 1951 a 1960; 10/08/1996; 1999; 2001; 2003; 2011; 2012; 2013; 2014; 2015; 2016


O Norte Fluminense
1946 a 2012


O Rio Branco
1930; 1936; ago 1939 – mai/jul 1940; out 1977 a abr 1981


A Voz do Estudante
mai 1943 a mai 1956; mai 1958 a nov 1974


Correio de Notícias
15/10/1960


Dois Estados – Norte Fluminense (RJ) e Sul Capixaba (ES)
1986


Clarear
1987; 1988


O Vagalume
1991


O Condor
1996


Jornal do Managé
1997


Educação Municipal em Ação
2001


Jornal do Vale
2001; 2002


A Voz do Vale
1997; 2002


Informativo da Câmara
2003


Capital Cultural
2013


O Saquá
2015; 2016


Repórter
2010; 2011; 2012; 2014; 2015; 2016



Observações:


Grande parte desse acervo está disponível para consulta a pesquisadores, os quais devem preencher uma ficha e seguir as regras indicadas pela Instituição. 

Ressaltamos que alguns dos periódicos, por conta de sua frágil condição de preservação devido ao tempo, não estão disponíveis para consulta ao público.

Maiores informações:
Tel: (22) 3831-1056
E-mail: espacoculturallucianobastos@gmail.com


Referências:


(1) COSTA, Tanise. (1)Abolicionismo em Ação: o Jornal Vinte e Cinco de Março em Campos dos Goytacazes (1884-1888). Campos dos Goytacazes - RJ: Essentia, 2015.

(2) Grande parte dos periódicos referentes à primeira metade do século XX foram preservados pelo Sr. Antonio de Souza Dutra. Seu filho, Pedro Gonçalves Dutra, se encarregou de continuar o trabalho de preservação de seu pai e, posteriormente, fez doação desse acervo a Luciano Augusto Bastos.

Doação de Alípio Garcia: "ECLB recebe doação de jornais A Voz do Povo".
http://espacoculturallucianobastos.blogspot.com.br/2013/05/o-espaco-cultural-luciano-bastos-recebe.html

Doação de Elcio Xavier: "ECLB recebe exemplares antigos do jornal A Voz do Povo".

http://espacoculturallucianobastos.blogspot.com.br/2017/03/eclb-recebe-exemplares-antigos-do.html

(3) Os exemplares de 1906 e primeira metade de 1907 foram digitados e publicados pela Editora O Norte Fluminense, através da Coleção Histórias de Bom Jesus v.2 e 3 (organizador Luciano Augusto Bastos): "Bom Jesus nas folhas do Itabapoana em 1906" e "Bom Jesus nas folhas do Itabapoana em 1907".

"O Primeiro Jornal de Bom Jesus do Itabapoana".
http://espacoculturallucianobastos.blogspot.com.br/2012/01/o-primeiro-jornal-de-bom-jesus-do.html






quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

OS PRIMÓRDIOS DA IMPRENSA EM BOM JESUS

          


      Documentos antigos são uma fonte inesgotável de luz sobre o nosso passado. Para conhecer um pouco mais sobre o início da imprensa em Bom Jesus do Itabapoana, o texto abaixo, do jornal A Voz do Povo, de 04.02.1939, nos dá ricas informações:


IMPRENSA BONJESUENSE

       Quem teria fundado o primeiro jornal nesta terra de Bom Jesus?
          Eis aqui a pergunta que me fizeram, numa roda em que se falava sobre a imprensa local e os periódicos que aqui se publicaram; uns, de curta duração e outros de existência um pouco longa; todos, afinal, luctando tenazmente por se manterem, a despeito do indefectível apoio moral que "tout le monde et son pére” sempre tiveram para dar, (naquelles tempos já se vê) para emprestar e jogar fora...
       Pois o primeiro jornal que veio à luz nesta hoje cidade de Bom Jesus, foi  o “Itabapoana”, dirigido por Sylvio Fontoura, o combativo jornalista d’ “A Notícia”, de Campos, e que, nos presentes dias, velho, alquebrado, ainda possue aquelle humorismo candente que jamais o abandonou nas suas chronicas ferinas que são a delícia dos leitores desalmados, gosadores do desespero alheio, alvo de phraseado irreverente do jornalista.
         Pois é. Sylvio Fontoura foi o que primeiro botou jornal a circular, aos domingos, nesta terra de Bom Jesus. Que prélo, mon Dieu!! Vi-o, mais tarde, quando ainda menino vim para aqui. Digno de museu. Não tinha nenhuma apparencia desse machinismo que então existia noutros logares mais adeantados – a hoje archaica Boston – que na época era coisa formidável à arte que immortalizou Guttemberg.
      Digna de museu a engenhoca do jornal de Sylvio Fontoura! Vejamos os seus característicos: uma táboa grossa, de 1 metro quadrado, qual gaveta rasa, sob outra taboa grossa, móvel por intermédio de dobradiças, dispondo de uma como que alavanca na parte central. Punha-se a página sobre a primeira taboa; colocava-se o papel molhado – molhado, heim?! – sobre a dita página e... zás!: puchava-se a alavanca e após enorme esforço, estava impressa a folha collocada. A impressão, bôa ou má, estava na razão directa da força empregada para mover-se a alavanca.
         Uma coisa louca. E depois a tiragem tinha que ser reduzida, do contrário era um fazer força dia inteiro mais incômmodo do que envergar-se barra de ferro à Roberto Ruhman.
         Isso foi, segundo me contaram, em 1906, mais ou menos.
         Nesse tempo, podia-se contar pelos dedos as casas do arraial. Poucas. Quasi todas – ou todas? – deixando à mostra os seus enormes esteios de braúna, madeira que dura uma eternidade. Pois à frente de algumas dessas casas – vivendas dos habitantes mais conspícuos – reuniam-se os que iam ouvir a leitura do “Itabapoana” do dia, cuja matéria consistia de versos humorísticos, contos ligeiros, anedoctas, piadas de almanack, porque naquelle tempo ainda não havia “motivo” para “chamar-se” a attenção dos poderes competentes”, cogitar-se de melhoramentos locaes, dado que cada morador se contentava com ter limpa a frente da sua casa e a vida corria mansa qual manso lago...
         - Mas, e depois?
         - Ah! depois, bem depois, quando a terra bonjesuense começava a vestir roupagens novas é que surgiu entre outro “Itabapoana”, segunda phase, dirigido pelo grande jornalista Menezes Wanderley, progenitor do meu collega Renato Wanderley.
         Menezes Wanderley fez um “Itabapoana” intelectual e materialmente bem feito e por uns cinco annos circulou nesta Bom Jesus, até que desappareceu com a ida de seu fundador para Friburgo, onde ainda se encontra emprestando o brilho de sua Penna aos jornaes daquella bonita cidade fluminense.
         - E depois?
       - Depois, “seu” Desdedit, appareceu o “Correio Popular", de Pompeu Tostes. Vida curta. Em seguida “O Álbum” redactoriado por Nelson Paixão e R. Wanderley. Quatro números apenas. Após, veio à lume, em terceira phase, o “Itabapoana”, sob a direcção de R. Wanderley. Um anno e tanto de existência.
         Pausa prolongada, até surgir “O Norte”, jornal bem feito, sob a direcção do Rvmo. Padre Mello, penna brilhantíssima. Foi pena: durou pouco.
        Grande pausa. Surgiu a seguir “Bom Jesus-Jornal”, sob a direcção de Osório Carneiro, tendo como redactores Octacilio Aquino, Renato Wanderley, Willis Cunha e gerência de José Tarouquella. Pouco mais de anno e sumiu-se.
         Depois tivemos “O Momento”, que num momento virou sorvete.
         - E depois?
         - Ah! depois veio “A Voz do Povo”, em formato esquimau; com novo alento cresceu mais e hoje está com este grande formato e uma tiragem de 2.500 exemplares. Dirigido com segurança por Osório Carneiro; sob a gerência do baluarte José Maria Garcia; neste jornal escrevem com assiduidade todos aquelles que já se habituaram às lides da imprensa: Rvdmo. Padre Mello, Octacilio Aquino, Renato Wanderley e Romeu Couto. Houve também época brilhante com José Côrtes Coutinho e Napoleão Teixeira, o primeiro actualmente advogando e exercendo o magistério em Friburgo e o segundo hoje tenente-médico do Exército.
         - E depois?
       - Não há mais depois. “A Voz do Povo”, aqui está e estará até a consummação dos séculos.
         - Amém.
                                                                           J. João



Jornal A Voz do Povo, Anno VI, n. 265, 04/02/1939. Acervo ECLB.




sábado, 15 de dezembro de 2012

APIACÁ , A CIDADE SONHADA

        "A cidade sonhada". Eis o nome que escolhi para a série de livretes que traz os fatos ocorridos na hospitaleira Apiacá, observados e registrados sob a ótica de José de Castro Silveira (Belote) e Carlos Cunha.
Assim começa o prefácio do livro lançado em uma noite muito especial, na Câmara Municipal de Apiacá (ES), pela Dra. Nísia Campos Teixeira Kneipp.

Contendo dados compilados do Jornal O Norte Fluminense publicado em Bom Jesus do Itabapoana entre os anos de 1966 e 1969, o livro resgata a coluna "Noticiário de Apiacá", em um primoroso trabalho de pesquisa. 

 O resultado é uma viagem no tempo e uma agradável leitura sobre uma das cidades capixabas banhadas pelo rio Itabapoana.

Ainda no prefácio, Dra. Nísia, com sua sensibilidade escreve:

        Diferente todas as cidades são.  O que penso é que nós, os que nascemos com o dom da escrita, conseguimos enxergar algo além. E foi isso que Belote fez. Porque uma cidade não é feita de prédios e ruas, nem de rios ou morros, mas de seres humanos.
     O valor histórico da coluna "Noticiário de Apiacá" está acima daqueles que a escreveu. Ela entrou no tempo, se fez saudade e hoje é história de uma comunidade.

Com efeito, além da história de uma comunidade, podemos ainda detectar a história de toda uma região, como o que lemos no Noticiário de Apiacá publicado em O Norte Fluminense de 19/03/1967, sob o título "Estradas":

       "Apiacá recebeu com indisfarçável alegria a notícia de que o novo governo do Estado irá promover o asfaltamento da estrada que liga a cidade de São José do Calçado, passando por Bom Jesus do Norte, Apiacá, ligando com a estrada tronco, Campos-Vitória.
        Essa estrada, que vem de Guaçuí, trará sem dúvida, grande impulso a essa zona, tão sacrificada com a paralisação da Cia. Ferroviária Itabapoana, desde o ano de 1952."
  
Em uma concorrida noite de autógrafos, Dra. Nísia ressaltou diversos nomes que engrandeceram o município de Apiacá e recebeu as justas homenagens de todos os presentes pela inestimável obra realizada.


Dra. Nísia convida todos os apiacaenses presentes para uma foto histórica

Um dos momentos emocionantes da noite foi quando todos os presentes cantaram, em uníssono, o Hino de Apiacá:

"Hino de Apiacá"
Letra e música: Dr. Jamil Figueiral Ribeiro 

Existe um "cadinho" de terra
Que fica entre montes, bem longe do mar
No sul do Espírito Santo
Onde a vida é um encanto, e há paz no luga
Às margens do Itabapoana,
Onde a Virgem Sant'Ana veio apadrinhar
Seus filhos com muito orgulho
Vêm no s de julho sua terra abraçar

Eu falo daquele "cadinho" de terra
Entre montes, bem longe do mar
Eu falo daquela cidade
Onde o mito é verdade e o medo não há
Eu falo daquele recanto
Onde o ódio e a maldade não tomam lugar

É com orgulho que canto
Um lugar quase santo que é APIACÁ.   


A biblioteca do ECLB se enriquece com o acréscimo de "A cidade sonhada" a seu acervo bibliográfico e o Espaço Cultural Luciano Bastos parabeniza a poetisa Dra. Nísia Campos Teixeira Kneipp pelo excelente trabalho!