sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Memórias do século XX: Elicio Freitas, de Campos a Bom Jesus


O Grilo

Pobre grilo que vive a cricrilar
Sob os raios luminosos da amplidão.
Nunca houve poeta a te exaltar,
Só tens por companheira a solidão.

A tua madrugada é o luar...
A estrela do céu teu lampião,
A luz do vagalume a perpassar...
É o rico abajur do teu florão.

Tu és um trapezista, um vagabundo;
Que vive a saltitar por este mundo.
Artista figurante do meu verso.

Flautim dos meus vergéis e matagais;
Cantos noturno dos meus madrigais...
Palhaço seresteiro do universo!

Quem foi Elicio Freitas Salles, aquele a quem jornais da região de Campos dos Goytacazes e Bom Jesus do Itabapoana, nas décadas de 1970 e 1980, se referiam como “aedo”, “vate campista”, “poeta popular”, “poeta maior do Vale do Itabapoana”, “homem simples do povo”, “poeta nato”, “modesto e talentoso poeta”?

Em seu discurso de posse como membro do Conselho Municipal de Cultura, na cidade de Bom Jesus do Itabapoana, em 1985, é o próprio Elicio quem nos conta um pouco de sua história:

[...] não sou acadêmico e não tenho nenhum curso superior, apenas tenho a quarta série primária, mas herdei dos meus antepassados uma cultura nata, pois eles foram jornalistas, escritores, pintores paisagistas, versificadores, destacando-se o Comendador Joaquim Prudêncio Bessa, meu bisavô materno, fundador da Imprensa Campista, que recebera diversas condecorações do Império Português pelos serviços prestados à terra Goitacá.

Joaquim Prudêncio Bessa, viera para o Brasil com 12 anos de idade, entrando para o comércio, trabalhando de dia e estudando à noite, formou-se em Advocacia, sendo Promotor da Comarca de Campos e de São João da Barra.

Quero também exaltar o solicitador Gustavo Aurelio Bessa, meu avô materno, com o curso de Bacharel em Direito, que fora também jornalista e prosador.

É por isso [...] que nasci poeta, ator e pesquisador dos grandes vultos da antiguidade.

Nascido em Campos, em 10 de novembro de 1915, Elicio Freitas passou a viver em Bom Jesus do Itabapoana na década de 1960, tendo recebido o título de cidadão bonjesuense durante a festa da cidade, em 15 de agosto de 1986. Sua relação afetiva com a terra natal e a terra que depois o acolheu influenciou fortemente seus escritos, recordações e poemas, cantando em versos suas paisagens, seus rios, suas histórias e lendas.

CAMPOS DOS GOYTACAZES

Seus pais, Basilio de Freitas Salles e Adalgisa Bessa Salles, foram criados e vividos no interior do município de Campos. Elicio Freitas, nessa cidade, estudou o primário no Grupo Escolar Visconde do Rio Branco, tendo depois trabalhado como tipógrafo no jornal "O Dia". Já morando em Bom Jesus, costumava visitar a cidade natal, fonte constante de inspiração. Nessas ocasiões, muitas vezes declamava poemas aos conhecidos em locais públicos.


Rio Paraíba

Igual um Rei já invencível em guerra
Nos campos de batalha um paladino.
Tu és também aqui da minha terra
Sansão do sul; um Rei, um palatino.

Tu se despenhas da frondosa serra
Tomando nos vergéis novo destino.
A procurar o mar tu se descerra...
Sob um sol dadivoso peregrino.

Tranquilo e manso em garrido estio
Tu passas murmurando horas a fio;
Entre os raios divinais da lua cheia.

Mas quando a tempestade se levanta!
E o grande dilúvio te suplanta;
Tu jogas tudo nos montões de areia.
                                                       
                                       (Campos, junho de 1976)

Também deixou interessantes registros de suas memórias de uma Campos das primeiras décadas do século XX:

LEMBRANÇAS DE MINHA TERRA

          O Guindaste

        Nas margens do Paraíba, próximo à rua do Braga existiu um guindaste pertencente à "INDUSTRIAL CAMPISTA" digamos nós, Fábrica de Tecidos.
       Vinham de lugares longínquos grandes canoas acossadas pelas marolas deste rio, trazendo lenha para abastecer a fábrica.
        Este guindaste com o seu corpo da forma de um tonel com poderosas alavancas, girava ora para a esquerda, ora para a direita, com um longo pescoço com um bico da ponta semelhante a um gancho, desciam quatro correntes com um gancho nas pontas, atracado com uma pequena grade arreando nas canoas.
        Os canoeiros o enchiam de lenha suspendendo-o e girando colocava em um trol que o levava para dentro da Fábrica de Tecidos.
        Eu ficava horas a fio a contemplar aquele movimento que enchiam de novidades de minhas ilusões infantis, cheia de fantasia.

     As Barriquinhas

    Era muito comum em Campos, os vendedores de sorvete batido a mão.
    Saborosos sorvetes de Abacaxi carregado com barriquinhas vendidos em casquinhas, essas barriquinhas os vendedores traziam na cabeça forrada com uma rodilha de pano.
    A cantarolar sob um sol (ilegível) esta cantiga:

"Quando eu passo nesta rua
Os cabelos me arrepia
As morenas vão dizendo
Sorveteiro de arrilia"

Sorve Iaiá... É de Abacaxi ... !"

    Eu trago nos meus ouvidos aquele timbre das vozes dos antigos vendedores de sorvete.
    Muitos que aqui existem saborearam aquela delícia que chamava Sorvete de Abacaxi batido a mão.


BOM JESUS DO ITABAPOANA

Durante muitos anos, Elicio Freitas trabalhou na Estação Rodoviária de Bom Jesus com comércio de livros, revistas e jornais, em um ambiente de letras perfeito para seu envolvimento com os versos, as leituras e as declamações. 

Veneração

Píndaro, Píndaro, inspira-me agora!
A louvar este hino a esta terra,
Quero cantar pelos rincões afora,
As belezas perenes que ela encerra.

Quero cantar os alcantis da serra,
Nos esplendores deste sol que doura.
As águas deste rio que descerra,
Entre os vergeis da perfumada aurora.

Píndaro, Píndaro, magistral poeta!
Ilumina-me agora nesta oferta,
Jorrando nos meus veros a tua luz.

Eu te venero, Píndaro e te respeito!
Guardando a tua lira no meu peito,
Para cantar um hino a Bom Jesus.


Verão Verde

    Chovera! As flores da primavera entardeceram por causa da longa estiagem que se fizera.
    Chegou o verão. As chuvas eram permanentes, enchendo os valões, avolumando os rios.
    As enegrecidas pedreiras se faziam chorosas como se fossem estátuas emudecidas, derramando lágrimas sobre as suas imaginárias vestes.
    Um desfile de flores amarelas enfeitava o tapete verdejante dos campos.
    Ao alto aglomeravam-se as nuvens, encobrindo o azul celeste do céu.
    O fugitivo sol rompendo as cortinas dos carroceis chuvosos, ia com seus raios dourar as bonecas dos tabuais.Os estandartes canavieiros faziam um virente festival pelas regiões açucareiras.
    As vegetações alegravam-se com os sedosos pendões dos capinzais.
    Chovia... As águas do Itabapoana deslizavam pelos floridos vergéis. O verde figurava por toda a ribeira; de distância viam-se velhos chalés marcando um passado já distante, quando corria o trenzinho partindo da Vila até a nossa cidade.
    Eu devaneando debruçado na janela do ônibus que me levava, fiquei com meus olhares embevecidos de poeta comovido com aquela vastidão verdejante...
    E foi assim que eu vi um "verão verde" - por todo o Vale do Itabapoana em que o sol aparecia por entre as cortinas dos carroceis chuvosos para dourar as bonecas dos tabuais.
(publicado no jornal "O Norte Fluminense")


"Serei Homero?" - Elicio fazia a entrega diária de jornais em diversas localidades, percorrendo vários quilômetros no trajeto de Bom Jesus a Campos. Nessa caminhada o pensamento voava em constante reflexão e inspiração, tendo publicado em jornais suas sensações e memórias desses momentos, como em sua bela crônica "Serei Homero?", publicada em 1981, no jornal O Norte Fluminense e já comentada nesse blog http://espacoculturallucianobastos.blogspot.com/2014/09/elicio-freitas-um-poeta-popular-serei.html ).


APRESENTAÇÕES, DECLAMAÇÕES E DESFILES

Elicio Freitas era exímio declamador e encarnava seus personagens com afinco, sendo constantemente convidado a participar de diversas festividades na região, como as festas de fim de ano da extinta Tipografia Almeida e os eventos realizados pelo Colégio Rio Branco, a quem dedicou um soneto pela passagem de seu 53° aniversário, em 1973:

Sempre Rio Branco

Templo de sábios, abrigo sobranceiro,
Salão de Arte, Partenon de glória.
Com teu plantel docente alvissareiro,
Marcas um passado nos anais da História.

Sempre Rio Branco, sempre altaneiro,
Cantam em teu nome hosanas de vitória.
Do ensino desta terra és pioneiro,
Colhendo louros em toda trajetória.

Eu desejo que a tua Primavera,
Seja florida igual a outra era
Enfeitando de arrebois teu pavilhão.

Herdaste de Aristóteles a grande luz,
Derramando o saber em Bom Jesus,
Tu és o Partenon deste torrão!





O UNIVERSO DO CORDEL

Elicio também fez incursões pela literatura de cordel, utilizando geralmente temas da região:

- "A história do rola-pau contada por Mãe Dolores", publicada pela Divisão de Folclore da Secretaria de Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, em 1977, narra uma história envolvendo personagens conhecidos de Bom Jesus (veja mais em:  http://espacoculturallucianobastos.blogspot.com/2014/09/a-historia-do-rola-pau-contada-por-mae.html )

- "Curunkango, o rei dos escravos (uma história de Macaé)"

- "Mota Coqueiro (o martírio de um fazendeiro)"; 

- "Mundo Cão"


Lendo, hoje, os versos e crônicas de Elicio Freitas somos transportados... Transportados para um tempo de verdes paisagens, com matas e rios inspiradores que, traduzidos aos olhos do poeta nos fazem viajar no tempo e sonhar, quem sabe, com o futuro que podemos ainda construir ...


Visite outras publicações sobre Elicio Freitas nesse blog:

Elicio Freitas, um poeta popular: "Serei Homero"?http://espacoculturallucianobastos.blogspot.com/2014/09/elicio-freitas-um-poeta-popular-serei.html 

"A história do rola-pau contada por Mãe Dolores", de Elicio Freitas:
http://espacoculturallucianobastos.blogspot.com/2014/09/a-historia-do-rola-pau-contada-por-mae.html

Veja também em outras mídias:

Resgate de Elicio Freitas: http://onortefluminense.blogspot.com/2017/05/resgate-do-poeta-elicio-de-freitas.html


Fonte de pesquisa: Álbum de Elicio Freitas, contendo fotografias, recortes de jornais, poemas, literatura de cordel e textos de Elicio Freitas Salles. Acervo: Espaço Cultural Luciano Bastos.

Pesquisa e texto: Paula Borges Bastos


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Atualizado em: 28/08/2020




quarta-feira, 5 de agosto de 2020

1970: COLÉGIO RIO BRANCO COMEMORA SEU CINQUENTENÁRIO (parte 1)


O Colégio Rio Branco foi fundado em 1920 na Rua Aristides Figueiredo, transferindo-se em 1930 para os "altos de Santa Rita", atual Praça Amaral Peixoto, encerrando suas atividades em 2010. 
Foram 80 anos passados nos muros desta construção que se destaca no centro da cidade e foi construída no século XIX, acompanhando praticamente toda a história da cidade. Hoje o Espaço Cultural Luciano Bastos guarda as memórias da escola e da região. 


Em 1970, o Colégio Rio Branco preparou-se para comemorar seu cinquentenário, sob a direção de Luciano Bastos. As festividades tiveram início no dia 02 de março e transcorreram até o mês de setembro.




"Segunda-feira, dia dois de março de 1970, primeiro dia de aula do ano do cinquentenário. No salão dos professores, reunidos estes juntamente com os Diretores Dr. Luciano Augusto Bastos e Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira, além de auxiliares de administração, usou da palavra o primeiro para dizer que o início do ano letivo de 1970 possuía significado especial eis que nele se festejará meio século de fundação do Colégio Rio Branco. E confraternizando com todos os professores e auxiliares desejava marcar o início do ano com o oferecimento de uma taça de champagne aos presentes. D. Carmita, sob palmas, espocou o champagne, em momento de emotividade. Estava assim, tão singelamente, iniciado o ano do cinquentenário!"





Acima se vê a página do Jornal A Voz do Estudante, publicado em abril de 1970, contendo, além do Quadro de Honra, uma redação da aluna Luzia Borges Coutinho sobre o cinquentenário do Colégio




Na mesma edição do Jornal A Voz do Estudante, o aluno Eber Teixeira de Figueiredo entrevista o professor Dr. José do Canto Mascarenhas


Anúncio no mesmo jornal traz a notícia de que ex-alunos se mobilizam para a realização de uma "artística gruta de Lourdes" no pátio, e que já está em curso a corrida para a escolha da Rainha do Centenário entre as alunas do Colégio.



No dia 28 de junho, às 20h, com a presença de todo o seu corpo docente e discente , ex-alunos, diretores e autoridades civis, religiosas e de ensino, deu-se início às festividades do seu Jubileu de Ouro, com a seguinte programação:

1- Saudação a Dom Antonio de Castro Mayer, Bispo da Diocese de Campos, pelos alunos. 2- Saudação proferida pelo Dr. Francisco Baptista de Oliveira em nome dos diretores e professores. 3- Canto pelos alunos do Curso Normal, regido pelo Professor Dr. Ilis Carlos Machado, de adaptação de um trecho de "Cavalaria Rustiana". 4- Conferência do Sr. Bispo, e após entrega de lembrança. 5- Palavras de agradecimento do Dr. Luciano Bastos. 6- Encerramento da solenidade com o Hino do Colégio.


Saudação do Dr. Francisco Baptista de Oliveira, vendo-se o diretor Luciano Bastos, padre Francisco Apoliano e Ediniz Pereira Campos.



Conferência do Bispo Dom Antonio de Castro Mayer


Agradecimento do Dr. Luciano Bastos. Na mesa, Dr. Helio Bastos Borges, Inspetor Federal de Ensino, João da Silva Baptista, Prefeito de Bom Jesus do Norte, Jorge Assis de Oliveira, Prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, Bispo Dom Antonio de Castro Mayer e Dr. Francisco Baptista de Oliveira.


No dia seguinte, 29 de junho, foi inaugurada a Gruta de N. Sra. de Lourdes, no pátio interno do Colégio, uma oferta dos ex-alunos do educandário, que, desse modo, desejavam participar das festas do cinquentenário. A inauguração e a entronização das imagens foi procedida por Monsenhor Ovídio Simon, Vigário da Paróquia de São Fidelis. Logo após, foi oficiada Missa campal no pátio interno do Colégio.

Gruta de N. Sra. de Lourdes, no pátio do Colégio, uma oferta dos ex-alunos, inaugurada durante a abertura das festividades do Centenário. Foto atual.


Lembrança da bênção da Gruta, enviada pelo ex-aluno David Poubel do Carmo



No dia 15 de agosto, dando sequência aos festejos, foi promovida uma sessão solene em homenagem ao sr. Ministro da Educação, Jarbas Passarinho, que impossibilitado de comparecer, credenciou para seu representante o seu assessor, professor Delton de Mattos, ex-aluno do Rio Branco. Estiveram presentes o representante do Governador do Estado, o Vice-Governador Heli Ribeiro, o deputado estadual José Saad, o prefeito municipal Jorge Assis de Oliveira, vereadores, Inspetores Federais de ensino, autoridades, diretores dos demais colégios, professores e alunos.


Flagrante da chegada do Dr. Delton de Mattos, quando a Lira Musical do educandário, sob o comando do maestro Áureo Fiori, saúda o visitante.


Diretor Luciano Bastos, integrante da turma de 1942, de que fez parte o homenageado dr. Delton de Mattos, disse da honra em receber a visita do representante do Ministro da Educação, e da
alegria e ufanismo da Casa em ve-lo representado por um ex-aluno do Rio Branco.



Dr. Luciano Bastos cumprimentando o Prof. Delton de Mattos


Dr. Delton de Mattos não escondeu a sua imensa satisfação de estar sendo homenageado no local por cujos bancos passou como aluno, ali fazendo seu curso ginasial:

"Revejo com especial carinho os velhos mestres, os antigos colegas de turma, o velho casario do alto de Santa Rita, e fico com o desejo de voltar sempre! Que as comemorações do Cinquentenário possam alentar novas jornadas, dentro das agruras do mundo moderno."



Flagrante da recepção ao Professor Delton de Mattos, vendo-se: José Sebastião Vasconcelos Guerra, vereador Agostinho Boechat, vice-governador Heli R. Gomes, Prof. Delton de Mattos, D. Carmita, Dr. Luciano Bastos, prefeito Jorge Assis de Oliveira, Dr. Deusdedit Rezende








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1970: COLÉGIO RIO BRANCO COMEMORA SEU CINQUENTENÁRIO (parte 2)

Hasteamento da Bandeira do Brasil pelo Diretor Luciano Bastos


D. Carmita, Dr. Luciano Bastos, Sebastião Alves da Silva, Prof. Ilis Carlos Machado e Prof. Willian do Couto Gonçalves.



O Colégio Rio Branco deu continuidade, no dia 19 de setembro, às festividades comemorativas do seu cinquentenário de fundação, iniciadas em março de 1970.

Às oito horas da manhã tiveram início as festividades da semana do cinquentenário. Presentes diretores, professores e alunos, em frente ao estabelecimento, fez uso da palavra a Diretora Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira, dizendo do significado desse acontecimento. A seguir, ao som do Hino Nacional, cantado pelos presentes, foi hasteada a Bandeira da Pátria pelo Dr. Luciano Augusto Bastos. Após, a Bandeira do Estado do Rio de Janeiro, pelo Prof. Ilis Carlos Machado, Inspetor de Educação do Estado e Presidente dos festejos do cinquentenário, seguindo-se o hasteamento da Bandeira do Colégio Rio Branco pela Diretora D. Carmita, sendo cantado o Hino do Colégio.

Às 12h do dia 20 de setembro, o Colégio Rio Branco recepcionou ex-alunos e autoridade, promovendo almoço de confraternização num ambiente de festa, alegria e muita saudade

Luciano Bastos, prefeito Jorge Assis de Oliveira, Antonio Carlos Cunha e Dr. José Vieira Serodio.


Antonio Carlos Cunha, Luciano Bastos, Dr. Edu da Silva Batista e Jorge Assis de Oliveira.


Nanadir Ferreira Tatagiba, D. Carmita, Dr. Elio Nunes da Silva e Dr. João Assad.


Dr. Darcy Fraga de Campos, Ediniz Pereira Campos, Luciano Bastos, Jorge Assis de Oliveira e Dr. José Vieira Serodio (orador).



Às 20h , a Escola de Ballet Juliana Yanaklewa, de Niterói, se apresentou e encantou o público que superlotou as dependências do Aero Clube.



No dia 21 de setembro, às 9h, aconteceu a inauguração da galeria de fotos dos ex-diretores do Colégio Rio Branco.



A Solenidade
Foi iniciada pelo Dr. Luciano Bastos que disse do significado do ato, quando o Colégio Rio Branco prestava justas homenagens a ex-diretores, que no passado tudo fizeram e deram de si, com idealismo e amor pela causa do ensino e pelo educandário. Após, foram descerrados os retratos dos ex-diretores: sr. Mário Bittencourt pela sua neta Katia Tavares Bittencourt; sr. Carlos Marques Brambila, pela sua sobrinha Emília da Conceição Brambila Kely; sr. José de Oliveira Borges por sua neta Maria Lúcia Borges; saudoso sr. José Mansur pela sua filha Maria da Penha Mansur, e finalmente o retrato do saudoso sr. Olívio Bastos pelo seu neto Gino Martins Borges Bastos.
A seguir usou da palavra o sr. Mário Bittencourt, que emocionado relembrou saudoso os primeiros anos de fundação do Rio Branco, dizendo do pioneirismo do educandário, o primeiro a dar cadernetas de reservista na região, o primeiro a dar Escola de Datilografia; o primeiro em trazer bancas examinadoras do Colégio Pedro II, etc. Foi um pronunciamento eloquente e muito aplaudido por todos.



Inauguração retrato de Mário Bittencourt por sua neta Katia Tavares Bittencourt.


Inauguração retrato de Carlos Brambila, por sua sobrinha Emília Conceição Brambila Kely


Inauguração retrato de José de Oliveira Borges, por sua neta Maria Lucia Borges


Inauguração retrato de José Mansur por sua filha Maria da Penha Mansur


Inauguração retrato de Olívio Bastos por seu neto Gino Martins Borges Bastos.


Confraternização Mário Bittencourt e José de Oliveira Borges 


Mário Bittencourt, bastante comovido, fez um discurso de improviso, gravado e e depois publicado no jornal A Voz do Estudante:

“Em primeiro lugar eu tenho uma mensagem de carinho e de amor ao Colégio Rio Branco. Um abraço de saudade pelo cinquentenário, completando hoje. Um abraço daquela que trabalhou convosco, Colégio Rio Branco, que orientou os vossos passos durante a infância. Essa é a mensagem de minha senhora, a Doca, para vós, Colégio Rio Branco. 

As maiores provas de amor são aquelas que as pessoas não a esquecem. E é por isso Colégio Rio Branco, nós que vivemos juntos há quarenta anos passados e em quarenta anos passados já é tempo bastante para dois companheiros de serviço esquecer perfeitamente um do outro. Mas só o amor, a amizade sincera, é que lembram e eu fui lembrado por vós.

Colégio Rio Branco, fostes o pioneiro da instrução neste torrão; fostes o pioneiro porque fostes o primeiro a dar à mocidade de Bom Jesus, diplomas de Datilografia; fostes o pioneiro porque fostes o primeiro em todo o território do município de Itaperuna a dar à mocidade de Bom Jesus, cadernetas de reservistas; e fostes o primeiro a conseguir Bancas examinadoras do Departamento Nacional de Ensino a vir aqui em nosso torrão, em nossa cidade, e fazer exames da mocidade bonjesuense e fostes o primeiro em todo o território do município de Itaperuna, na época, que enviastes alunos a exames no Colégio Pedro II e até Ginásios oficiais de Belo Horizonte. E fostes o primeiro porque nascestes, Colégio Rio Branco, com uma estrela e esta estrela iluminou e tem iluminado o vosso caminho; o vosso espírito alcantilado pode enxergar longe o caminho do dever, até que completastes hoje mais uma etapa de 50 anos de trabalho. E o maior amor que tenho por vós é que não deixastes a bandeira que recebestes nos dias de 1920, esta bandeira que ainda empunhais até hoje: a bandeira do trabalho, a bandeira da honestidade, a bandeira do civismo, a bandeira de um Brasil melhor, de um Brasil pra frente, que é a bandeira da nossa paz.”

Maria das Graças do Couto, Luciano Bastos, Dr. Francisco Baptista de Oliveira, D. Carmita, Mário Bittencourt, Dr. João José Assad e Vera Lúcia Barbosa Gomes.


As Professoras e irmãs Maria Júlia, Vera e Ana Maria Barbosa Gomes


No Salão de Festas, teve lugar festiva reunião às 10h, quando teve lugar a palestra da Dra. Creuza Boechat de Oliveira Magalhães, ex-aluna e ex-secrretária do Colégio Rio Branco.

Creuza Boechat de Oliveira, em foto no jornal O Norte Fluminense, 10/04/1940.


Trecho do discurso de Creuza Boechat de Oliveira


"Ao terminar o meu curso Ginasial neste educandário, ao receber o diploma de concludente da 4ª série, senti-me como aquela criança que ao receber um brinquedo tão sonhado, perdeu todo o seu encanto tão logo o sentiu em suas mãos. Sim, meus amigos, ao verificar que aquele fato representava para mim o não mais voltar às carteiras de minha sala e ao convívio de meus colegas, de meus professores, a sentir que não mais poderia correr brincando neste pátio que por tantos anos me recebeu de braços abertos, deixando, sem uma reclamação, que nele escrevesse com um simples pedaço de pau aquilo que ia em minha alma, e quantas vezes assim o fiz, senti-me completamente confusa e na condição do homem citado no Evangelho de Cristo, que acumulou grande tesouro na vida e que, ao morrer dele não se pode separar, como as parábolas do Mestre de que "onde estivesse o seu tesouro, aí estará o teu coração". E eu, naquele momento, senti que meu tesouro estava ali, no pátio, nas salas, nos corredores, no salão nobre, enfim, no meu Rio Branco.
Tenho a certeza que aqui ficou meu coração, pois aqui foi que encontrei em minha vida um dos maiores tesouros, que se concretizou nos ensinamentos que me foram transmitidos de amor à lealdade, à honestidade, à disciplina e à fraternidade."


Salão de festas, vendo-se entre outros Hildebrando Magalhães, Emília Brambila Kely, Sebastião Alfeu da Silva, Dr. Oliveiro Teixeira, Dr. João José Assad, Dr. Francisco Baptista de Oliveira, Osório Carneiro, Elias Chalhoub, Homero Serodio, Luciano Augusto Bastos, Maria da Penha Mansur, Mário Bittencourt, José de Oliveira Borges, Dra. Creuza Boechat de Oliveira e D. Carmita.



No dia 24 de setembro,  às 9h, foi oferecido um coquetel às autoridades e ex-alunos no Colégio. 

9h Coquetel às autoridades e ex-alunos


10h Palestra pelo ex-aluno Dr. José Vieira Serodio e pela Prof. Oraide Menezes de Carvalho, DD. Inspetora Seccional de Ensino



Na frente, Messias Baptista da Silva, Dr. Vero Batista, Dr. Esio Teixeira Lima, Dr. Deusdedit Tinoco de Rezende.



Encerrando as atividades da manhã, o momento histórico do apagar das velas do bolo do Cinquentenário.






Anúncio do resultado do Concurso da Rainha do Cinquentenário


Às 20h, no Aero Clube, Coroação da Rainha do Cinquentenário, aluna Rosane de Aguiar Mascarenhas, e das Princesas Yara Loureiro Laborne e Teresa Cristina Borges Alvarenga, seguindo-se após exibição do Canto Coral de ex-alunos, uma comovente homenagem à Diretora Técnica, a renomada Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira, D. Carmita, que recebeu um medalhão de ouro, oferta dos ex-alunos, com expressiva e consagradora homenagem.

Rainha do Cinquentenário Rosane de Aguiar Mascarenhas ao lado do pai Dr. José do Canto Mascarenhas. 





Prof. Maria Áurea Megre Hobaica


Entrega de um medalhão de ouro a D. Carmita pela Sra. Leny Borges Bastos


Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira, homenageada pelos ex-alunos.


No dia 26 de setembro, às 19h30 encerram-se as festividades com o emocionante desfile dos ex-alunos.

Dr. Francisco Baptista de Oliveira, Luciano Bastos, Ernesto Tavares Borges, Ruy de Moraes Borges 


Dr. José Fraga, Dr. Francisco Baptista de Oliveira, Luciano Bastos, Francisco Gomes de Figueiredo, Ernesto Tavares Borges, Ruy de Moraes Borges

Alunos do Curso Ginasial


Alunas do Curso Normal

Alunos do Curso Primário



Carro alegórico com a Rainha do Cinquentenário, Rosane Mascarenhas de Aguiar.








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