domingo, 28 de setembro de 2014

Elicio Freitas, um poeta popular: "serei Homero?"

Elício Freitas nasceu em Campos dos Goytacazes, porém viveu muitos anos em Bom Jesus do Itabapoana, onde tinha uma banca de jornais. Muito conhecido na região, escrevia poemas, em especial sonetos, muitos dos quais se encontram publicados em jornais da época.

Em 25 de dezembro de 1981, no jornal O Norte Fluminense, Elício Freitas publica um artigo intitulado "Serei Homero?"

Nesse artigo descreve sua caminhada diária levando jornais à região, saindo de Bom Jesus até chegar à Santa Maria de Campos e retornar passando por Ponte do Itabapoana.

[...]
Meu roteiro: deixo a cidade de Bom Jesus, todos os dias, pela manhã levando jornais para outras localidades; passo pela antiga Usina Santa Izabel e vejo as suas ruínas, com a sua imponente torre, marcando um passado histórico que ficará em nossas lembranças passando de gerações a gerações. [...]
Vou passando de fazenda em fazenda, vejo os campos e vejo o gado de veiga em veiga [...]
Depois de passar por imensos canaviais, chego à Usina Santa Maria, um vulcão açucareiro com suas chaminés fumegantes, implantadas no solo fluminense. [...]
Chego à Santa Maria de Campos! Esta é uma terra de palmares onde cantam os sanhaçus! [...]
Vou andando e olho o céu. Céu de safira! Céu goitacá!
Eu caminho [...]
Eu caminho [...]
Finalmente piso no chão arenoso da Vila do Itabapoana [...]
Vila do Itabapoana! Vila dos sonhos! Vila das sombras! Vila das Flores!
[...]
O sol declinava! Eu cansado, muito cansado, sento à beira da sarjeta e pergunto à minha roupa rota, ao meu chapéu de palha, aos meus chinelos, aos meus farelos de pão: "SEREI HOMERO?"


Em 26 de junho de 1982, Edson da Souva Netto, da Academia Bonjesuense de Letras e Pedralva de Campos, escreve um artigo em resposta a Elicio Freitas, intitulado "Ulisses":

[...]
Você pode não ser Homero, mas é muito provável que seja um dos seus personagens. (...) Assim, amigo Elício, a sua peregrinação evoca a figura de ULISSES (Odisseis. em grego) na sua volta ao lar, a Patria, a Itaca, [...]
Mas ainda, assim como no poema do lendário HOMERO, você chegará ao seu destino: - a sua ITACA, onde também encontrará a paz. Tenha paciência e espere; não deve faltar muito.
Estendo-lhe a minha mão solidária ao fraterno aperto.




Pesquisa e texto: Paula Borges Bastos
Atualizado em 17/08/2020

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