sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A FOLIA DE REIS EM NOSSA CULTURA




Arautos do eterno recomeço

Paula Borges Bastos

  As ruas adormecidas da pequena cidade parecem esquecidas pelas pessoas. O mês é dezembro ou janeiro. O calor faz as casas abrirem suas janelas para que o ar circule livremente trazendo a fresca da madrugada. A lua ilumina timidamente o céu estrelado. Quebrando a monotonia da noite, um grupo de homens caminha silenciosamente, em passos leves, como se a paisagem os acolhesse em seu anonimato. Ao chegar frente a uma casa de dois andares, o que parece ser o chefe do grupo, um senhor de aspecto maduro e olhar vivaz, faz um sinal. Todos param, perfilados e a postos. O chefe toma de um apito, que traz pendurado ao peito, e emite um silvo longo e estridente. A noite desperta, encantada. Vozes ancestrais, em cantilena, devolvem ao mundo uma história de reis, um casal em fuga, uma criança salvadora e a eterna batalha entre o bem e o mal. Sanfona e tambores se distinguem entre os sons que separam as estrofes, em um ritmo ágil e forte.
Dentro da casa todos os olhos já estão abertos. O pai levanta e se prepara para ir ao encontro da calçada, agora iluminada pelas luzes acesas na varanda. A mãe se dirige à cozinha, sem nenhum espanto, com passos lentos, mas decididos de ação. O cachorro acompanha a dona, sem hesitação. No alto uma menina viaja pela fresta da janela, inebriada pela linguagem inacessível que traz, através da melodia, a intuição de um mundo inimaginável e ao mesmo tempo tão familiar. Os irmãos, todos de pé, acompanham em expectativa e risos o desenrolar da noite. A casa, honrada, recebe uma jornada da Folia de Reis.
O grupo, masculino, não é grande. A vestimenta lembraria soldados em desfile, não fossem as cores fortes e brilhantes, tecido lembrando cetim, e chapéus cuidadosamente enfeitados em prateado e dourado. Um deles carrega um estandarte com imagens religiosas, muitas fitas coloridas e algumas mensagens. A música continua, alternando vozes e instrumentos, em ritmo uniforme, eterno, secular e sacro. Todos que estão ali são pessoas simples, alguns da mesma família, outros vizinhos ou conhecidos. Trabalhadores no dia-a-dia da vida cotidiana, que se transformam no fim de ano em arautos do eterno recomeço. Há uma dignidade encarnada, que não se personifica nem se individualiza. É o sentido da comunhão, do anonimato construtivo, do comunismo primitivo, que une esses homens na manifestação que considero mais característica de nossa cultura local.
O pai acompanha, muito ereto e compenetrado, todo o desenrolar da história trazida à nossa casa. Por fim o apito soa novamente, indicando uma pausa. Meu pai diz algumas palavras de agradecimento pela honraria, e segura, como reza a tradição, o estandarte símbolo de devoção. Todos são convidados a entrar na sala. Sobre a mesinha do centro já se encontram biscoitos e refrigerante, que minha mãe depositou tranquila e placidamente enquanto as vozes dissonantes do lado de fora inundavam nossas almas. Conversas que eu não conseguia ouvir continuavam na sala até que todos comessem e bebessem. Por fim, meu pai agradecia novamente, fazia uma doação em dinheiro juntamente com uma garrafa de vinho, e todos se dirigiam, em fila, para o lado de fora da casa.
A música retornava, e dessa vez ganhava destaque o palhaço, que cantava e se distinguia do grupo em vestimenta e cor, além de uma máscara muito grande, com cara de animal, que encobria todo seu rosto. Trazia à mão um cajado que rodava e saltitava junto com seu corpo enquanto os tambores ressoavam fortes entre os espaços de sua história. Este palhaço tem um quê de herança dos malignos indígenas, um tanto mais travessos que malvados, trazendo para as coisas e pessoas o risível de nossa humanidade.
É natural que os reis magos não poderiam manter-se intactos em nossa cultura mestiça. É na folia que se traduz nossa miscigenação, nossa leitura de mundo, nossas cores e nossa bandeira. Encarnação de nosso modernismo arcaico absorvido pela antropofagia, as raízes europeias sofrem uma visão tupiniquim embalada a sons africanos. Construimos, em nosso cotidiano, um mundo árido e de sol forte, em cujo interior de nossas almas habita, vasto e inominável, um grande sertão pelas veredas da vida que nos compõe.


                                                                 
                                                                               
 




ORIGEM E FORMAÇÃO DAS FOLIAS

Texto extraído do jornal O Norte Fluminense, de 25 de dezembro de 1985

    As  Folias de Reis são de origem portuguesa, possivelmente ligadas aos grupos de violeiros e repentistas que percorriam igrejas e aldeias de Portugal para festejar o Natal. Não tem semelhança com os pastoris comuns no Nordeste, sendo manifestação folclórica mais ocorrente na região Sudeste brasileira.
     Sua organização parece sugerir reminiscências de formação militar, quer pelo uniforme usado pelos foliões em alguns municípios, lembrando bastante fardamentos, quer pelo nome de alferes dado ao Porta-Bandeira. Além deste, são figuras fixas em uma folia o mestre que tira os versos e comanda a cantoria, e os palhaços. O número de foliões é variável. Quanto aos instrumentos, modificam-se de região para região, sendo básicos os bumbos, caixas, sanfona, triângulo, chocalho e pandeiro. No Norte Fluminense podemos testemunhar a presença de instrumento de corda, cavaquinho e violões no instrumental de folias e até de flautas, estas feitas de bambu, de som muito límpido.

APRESENTAÇÃO DA JORNADA

    Chama-se jornada  a apresentação de folias de Reis em casas de famílias. Como pertencer a uma folia é devoção ligada à intenção religiosa de louvar o Deus-Menino, basta que se solicite a presença da folia para que ela compareça. Espera-se que os donos da casa ofereçam aos foliões comida e bebidas, dádivas, em dinheiro ou animais domésticos, que posteriormente são vendidos, revertendo o preço para a bandeira. Mas mesmo no caso de não poderem  contar com sua presença, muitas vezes a jornada é uma visita de improviso.
         Uma jornada completa, segundo a tradição fluminense, comporta a marcha – chegada da folia e pedido para entrar e cantar na casa visitada. Busca. Encontro e Adoração cantadas em versos tradicionais pelo mestre em coro de todos os foliões; Ceia, cantos junto à mesa de refeição oferecida pelos devotos, cantada geralmente em versos improvisados para a circunstância.
       Agradecimento e despedida, composta de versos também improvisados, em atenção a todos os presentes, principalmente os donos da casa, seus familiares e demais pessoas que fazem ofertas à Bandeira.
      As dádivas em dinheiro costumam ser presas à própria Bandeira, oferecendo-se, ainda, comumente, imagens, medalhas e flores para orná-las. As Bandeiras de Folia são criadas pelos próprios foliões ou pessoas de sua família, sendo feita de fitas coloridas, flores de papel, espelhos e outros ornatos brilhantes. Também manualmente produzidos são muitas vezes os instrumentos da folia, caixas, pandeiros e chocalhos, são ainda confeccionados pelos foliões, especialmente em Cantagalo, Duas Barras, Pádua e Miracema.

         PALHAÇO E TRIPE

  Algumas Folias trazem mulheres entre seus componentes. Entoando os versos com os demais membros do grupo, elas são encarregadas de produzir a nota final, aguda, no encerramento de cada verso , um descante emitido uma oitava acima da última frase cantada: a isso chama-se “tripe”. Essa função cabe, em outras folias, só aos meninos.
  Os palhaços representam os soldados de Herodes que, cumprindo ordens desse rei, procuravam o Menino Jesus para matá-lo. Inteiramente coberto de fitas e tiras de pano, com uma cruz aplicada às costas, os palhaços de folia tem o rosto coberto com máscaras de couro. No interior do Estado são preferidas as máscaras de couro de animais silvesstres (preguiça ou quati) ou de cabrito.
         Considerados indignos de comparecerem perante o Menino Jesus, os palhaços prostam-se de rosto no chão diante do presépio, para manifestar seus arrependimentos. Ser palhaço é promessa que na maioria dos Municípios fluminenses compromete o penitente por sete anos. A apresentação dos palhaços é feita no final da jornada, com música especial chamada “Chula”.
    Os palhaços improvisam os versos que cantam e dançam, executando piruetas dentro de um círculo formado pelos músicos. Costumam receber moedas, que são atiradas ao chão pelos presentes.

No Estado do Rio, o tempo de giro das folias se prolonga até o dia 20 de janeiro, na maioria dos Municípios. No Rio vai até 6 de janeiro apenas.

                                                             







Folia de Reis se apresentando no ECLB em novembro de 2011










sábado, 15 de dezembro de 2012

APIACÁ , A CIDADE SONHADA

        "A cidade sonhada". Eis o nome que escolhi para a série de livretes que traz os fatos ocorridos na hospitaleira Apiacá, observados e registrados sob a ótica de José de Castro Silveira (Belote) e Carlos Cunha.
Assim começa o prefácio do livro lançado em uma noite muito especial, na Câmara Municipal de Apiacá (ES), pela Dra. Nísia Campos Teixeira Kneipp.

Contendo dados compilados do Jornal O Norte Fluminense publicado em Bom Jesus do Itabapoana entre os anos de 1966 e 1969, o livro resgata a coluna "Noticiário de Apiacá", em um primoroso trabalho de pesquisa. 

 O resultado é uma viagem no tempo e uma agradável leitura sobre uma das cidades capixabas banhadas pelo rio Itabapoana.

Ainda no prefácio, Dra. Nísia, com sua sensibilidade escreve:

        Diferente todas as cidades são.  O que penso é que nós, os que nascemos com o dom da escrita, conseguimos enxergar algo além. E foi isso que Belote fez. Porque uma cidade não é feita de prédios e ruas, nem de rios ou morros, mas de seres humanos.
     O valor histórico da coluna "Noticiário de Apiacá" está acima daqueles que a escreveu. Ela entrou no tempo, se fez saudade e hoje é história de uma comunidade.

Com efeito, além da história de uma comunidade, podemos ainda detectar a história de toda uma região, como o que lemos no Noticiário de Apiacá publicado em O Norte Fluminense de 19/03/1967, sob o título "Estradas":

       "Apiacá recebeu com indisfarçável alegria a notícia de que o novo governo do Estado irá promover o asfaltamento da estrada que liga a cidade de São José do Calçado, passando por Bom Jesus do Norte, Apiacá, ligando com a estrada tronco, Campos-Vitória.
        Essa estrada, que vem de Guaçuí, trará sem dúvida, grande impulso a essa zona, tão sacrificada com a paralisação da Cia. Ferroviária Itabapoana, desde o ano de 1952."
  
Em uma concorrida noite de autógrafos, Dra. Nísia ressaltou diversos nomes que engrandeceram o município de Apiacá e recebeu as justas homenagens de todos os presentes pela inestimável obra realizada.


Dra. Nísia convida todos os apiacaenses presentes para uma foto histórica

Um dos momentos emocionantes da noite foi quando todos os presentes cantaram, em uníssono, o Hino de Apiacá:

"Hino de Apiacá"
Letra e música: Dr. Jamil Figueiral Ribeiro 

Existe um "cadinho" de terra
Que fica entre montes, bem longe do mar
No sul do Espírito Santo
Onde a vida é um encanto, e há paz no luga
Às margens do Itabapoana,
Onde a Virgem Sant'Ana veio apadrinhar
Seus filhos com muito orgulho
Vêm no s de julho sua terra abraçar

Eu falo daquele "cadinho" de terra
Entre montes, bem longe do mar
Eu falo daquela cidade
Onde o mito é verdade e o medo não há
Eu falo daquele recanto
Onde o ódio e a maldade não tomam lugar

É com orgulho que canto
Um lugar quase santo que é APIACÁ.   


A biblioteca do ECLB se enriquece com o acréscimo de "A cidade sonhada" a seu acervo bibliográfico e o Espaço Cultural Luciano Bastos parabeniza a poetisa Dra. Nísia Campos Teixeira Kneipp pelo excelente trabalho!
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Recital de Natal

O Espaço Cultural Luciano Bastos apresenta nesta quinta-feira, dia 13 de Dezembro, às 19:00 h, o
RECITAL DE NATAL
promovido pela Escola de Música JEMAJ Musical, sob a direção da Profª Anizia Maria Aguiar Pimentel dos Santos.

Você não pode perder!




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

TURMA DA UNATI VISITA O ECLB: PESQUISA SOBRE COMUNICAÇÃO

                           
O Espaço Cultural Luciano Bastos recebeu no mês de novembro  a visita de uma turma da UNATI (Universidade Aberta da Terceira Idade), do Instituto Federal Fluminense, campus  Bom Jesus.



Acompanhados de uma das Coordenadoras do Projeto, Nilta  Leal, os alunos Arlene Moraes Thieubaut, Cirilo Barros Alves, Daura Baptista da Silva, José Carlos de Melo Thiebaut, Julinda Maria de Azevedo Kelly, Maria da Penha Magalhães de Oliveira, Noermando Delbons de Souza, Solange Serpa Kelly Santiago, Yvone da Rocha Ramos e Zely dos Santos de Melo, percorreram  o Espaço, tendo como objetivo realizar um trabalho de pesquisa sobre Comunicação, sob orientação da Professora Maria de Lourdes Borges.
Dentre os objetos do acervo pesquisados no setor Imprensa, estão os jornais antigos, sobressaindo-se o primeiro jornal de nossa cidade – ITABAPOANA  - com 106 (cento e seis) anos, telefones de várias épocas, bem como máquinas de impressão antigas do jornal Norte Fluminense, com destaque para a Impressora Alauzet, francesa, do século XIX.

O trabalho realizado, que reproduzimos abaixo, foi apresentado no campus  Bom Jesus e nos ajuda a compreender um pouco da evolução da Comunicação ao longo em nosso Município.


Parabéns aos idealizadores do Projeto e aos alunos que fizeram tão importante trabalho de pesquisa!


Comunicação 

Desde os primórdios da humanidade a comunicação faz parte da vida das pessoas.
Nossa equipe se empenhou muito para que o trabalho sobre a comunicação em nosso município abrangesse o maior número de informações de forma clara e objetiva. Fizemos reuniões, pesquisas, entrevistas, visitas a locais importantes para nossa história, ouvimos depoimentos, etc.
  (...)
Bom Jesus do Itabapoana tem muitas histórias interessantes sobre meios de comunicação para nos contar. Vamos conhecer algumas delas. 

Correios

No início nossa região era coberta pela Mata Atlântica e era habitada pelos Índios Coroados da Aldeia Camapuan fundada pelo padre José de Anchieta. Em 1860 juntaram-se aos Coroados os índios Puris, fundando várias aldeolas. Para se comunicar, os índios usavam sinais de fumaça, toque de tambor, imitavam os cantos dos pássaros.

Com o passar dos anos começaram a chegar de Minas Gerais posseiros em busca de terras férteis. Usava-se os mensageiros, pessoas que viajavam a pé ou a cavalo, para levar recados e mensagens.

Em 25 de dezembro de 1890 foi instalado o município de Itabapoana com a denominação de Vila do Itabapoana. 
Bom Jesus teve uma vida autônoma de apenas um ano cinco meses e quinze dias, tendo sido anexado a Itaperuna em 8 de maio de 1892. Provavelmente tal notícia só chegaria a Bom Jesus pelo Correio, que devia ser pouco frequente, visto que 20 anos depois, ainda se recebia correspondência somente duas vezes por semana, mesmo assim transportada de Boa Vista (hoje Apiacá) por um estafeta¹ em lombo de burro para a agência local dos Correios.

Estafeta – “Entrega de correspondência a cavalo”; evoluiu depois para “portador de despacho e encomendas”.

Hoje os correios possuem o sistema de automação para triagem de objetos postais que veio poupar tempo para o cliente e para os correios simplificando rotinas e diminuindo erros operacionais, sendo as correspondências entregues por carteiros. Alguns serviços prestados pelos correios:
· Banco Postal (que presta serviços bancários básicos à população);
· Sedex (serviço de encomendas expressas que veio garantir a entrega com mais rapidez);
· Telegrama (mensagem transmitida por sinalização elétrica ou radioelétrico a ser convertida em comunicação escrita para entrega ao destinatário pelos carteiros);
Produtos e serviços de conveniência:
Achados e perdidos; Caixas para embalagem; Declaração anual de isento; Declaração de imposto de renda; Envelopes; Emissão de CPF; Recebimento de contas; Serviços bancários, etc.
A primeira correspondência oficial do país foi a carta de Pero Vaz de Caminha, enviada a D. Manoel, Rei de Portugal, relatando a descoberta.
O início oficial da história do correio brasileiro remonta a 25 de Janeiro de 1663. Até 1931 Correios e Telégrafos eram duas repartições públicas distintas, quando se fundiram em apenas uma, surgindo assim o DCT, Departamento de Correios e Telégrafos.
Em 1969 iniciou-se o processo de desenvolvimento do Serviço Postal Brasileiro com a criação, em 20 de março, da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).


Comunicação Escrita

Em 1906 fundou-se em Bom Jesus o primeiro jornal, o “Itabapoana”, tendo como diretor Sylvio Fontora, que circulou de 1º de agosto de 1906 a 29 de dezembro de 1907. Dele publicaram-se nesse período 51 números, com notável pontualidade, embora sua impressão muitas vezes não assegurasse absoluta nitidez, pois era feito manualmente em equipamento improvisado. Tipógrafo e impressor Joaquim Ouropretano Mineiro do Brasil.
O “Itabapoana” ressurgiu em sua segunda fase em 15 de julho de 1911, já bastante melhorado intelectual e materialmente, sob a direção do poeta e prosador Menezes Wanderley, cessou a publicação desse período em 1916, tendo produzido a apreciável quantidade de cerca de 300 números. Meses depois em 5 de novembro de 1916 apareceu o “Correio Popular”, tendo como redator Jerônimo Tavares, que circulou apenas até 1917. Em 1918 voltou a circular o “Itabapoana” em sua 3ª fase sob a orientação do jornalista Renato Wanderley que teve curta duração.
Não há notícia de nenhum outro jornal editado em Bom Jesus até 21 de dezembro de 1924, quando surgiu o periódico “Nossa Terra”, sob a direção de Antonio da Costa Freitas, mas foi inferior aos seus antecessores.
Em 1º de janeiro de 1925 iniciou sua publicação “A Cidade”, periódico dirigido por José Ferreira Rabelo.
Ainda em 1925 começou a circular em 23 de maio o jornal “A Paróchia”, dirigido pelo próprio Padre Mello e no ano seguinte “O Liberal”, por iniciativa de Antonio da Costa Freitas, tendo como redatores Octacílio Ramalho e César Ferolla. Mas a capacidade dos bonjesuenses de fazerem jornais não pararam por aí, pois logo em 19 de março de 1928 apareceu na praça “O Norte”, cujo diretor proprietário era também o Padre Mello. Enquanto isso, como se encerrando com chave de ouro esse extraordinário ciclo jornalístico, ainda em 1928 surgiu o “Bom Jesus – Jornal”, por iniciativa do dinâmico e talentoso Osório Carneiro, que acabou se tornando a maior figura da imprensa bonjesuense, muito embora seu primeiro jornal tenha sobrevivido apenas até 15 de agosto do mesmo ano.
Mas finalmente, em 6 de setembro de 1930 iria iniciar-se a primeira fase da sua “A Voz do Povo”, que durou apenas 1 ano, quando veio à luz “O Momento”, também dirigido por Osório Carneiro, tendo já como redator Otacílio de Aquino.
É justo lembrar que existiram em Bom Jesus alguns pequenos jornais, em geral humorísticos e de vida mais ou menos efêmera, como “O Vagalume”, “O Cisne”, “O Clarim”, “O Álbum”, “O Sport” e “Rio Branco”, dos alunos do respectivo colégio e talvez ainda outros que circularam e deixaram de circular em diversas épocas.





1930 – Iniciou a primeira fase do jornal “A Voz do Povo”, que durou apenas um ano, quando veio à luz outro jornal “O Momento”, dirigido pelo mesmo Osório, tendo como redator o Sr. Otacílio de Aquino.   28

1933 – Reapareceu o “A Voz do Povo”, com toda força para não mais desaparecer, que por sinal está comemorando seus 80 anos com grande júbilo. Tendo à sua frente, como diretora e redatora-chefe, a jornalista Drª Nísia Campos, há mais de 30 anos.    



Equipe de “A Voz do Povo”, agosto de 1939.
Em primeiro plano da direita para a esquerda, José Maria Garcia, José Tarouquella, Renato Wanderley, Osório Carneiro, Padre Mello, Octacílio de Aquino e Romeu Couto.
Em segundo plano, Dalton Tarouquella, “Dico”, Neiva, Ernani Tarouquella, Onofre, “Totinho”, Helio Garcia e Elvio Tarouquella. 




1946 – “O Norte Fluminense”, jornal fundado pelo Sr. Esio Bastos, perpetuado por seus familiares. Dr. Luciano Bastos conduziu esse jornal por 7 anos, até seu falecimento em 2011.
Curiosidade: hoje a redação e direção de “O Norte Fluminense” é comandada pelo filhos do Dr. Luciano, tendo como grande colaborador o Sr. João Batista Assad, o popular “Andorinha”.




Em 5 de agosto de 1933 reapareceu o jornal “A Voz do Povo” em sua fase atual, seguido pelo “Norte Fluminense” cuja publicação se iniciou em 25 de dezembro de 1946, fundado por Esio Bastos, que exerceu sua direção e redação por cerca de 57 anos ininterruptamente até 2003. Seu irmão Luciano Bastos, que sempre o acompanhou desde o início em sua luta substituiu-o por mais 7 anos até seu falecimento em 2011. Sua publicação constituiu até hoje, uma das melhores do interior do Brasil, justo motivo de orgulho bonjesuense.

Comunicação Sonora

Por volta de 1945 surgiu em Bom Jesus do Itabapoana um serviço de autofalante na Praça Governador Portela. Seu fundador era Geraldo Garcia de Campos tendo como locutores Joelson Poubel e Freire Júnior, este último conhecido como “Garoto”.
Com a extinção do Serviço de Autofalante, surgiu a 1ª rádio em Bom Jesus, inaugurada em 1956 de propriedade do senhor Carlos Rodrigues da Silva, que por ser albino, era conhecido pela população como “Negativo”.



A inauguração da Rádio Cultura ZYP 31 contou com a presença de pessoas ilustres, tais como o vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, mais tarde governador, o bonjesuense Roberto Silveira. Do Monte Calvário ele acionou a chave que ligava os transmissores. A rádio permaneceu em funcionamento até 1960.

Auditório da Rádio Bom Jesus
Foto do acervo pessoal de Paulo Rodrigues Silveira

Ainda na década de 50 quando do evento "Concurso de Calouros Infantis", comandado por Freire Júnior, o "Garoto", locutor da rádio (camisa manga longa branca e gravata).
Neumar Silveira, eleita Rainha da Rádio Bom Jesus, coloca a faixa na princesa.


Em 1983 ressurge a nossa rádio, com nome “Rádio B. Jesus AM”, tendo como proprietários José Antônio de Almeida Rangel, Carlos Borges Garcia, José Cabral de Melo, Fabiano Roberto Xavier e Edelyr Pereira Campos. Este grupo permaneceu até 2007.
Agora com novos proprietários, os senhores Enaldo Vieira Barreto e Mauro José da Silva, mudaram o local da emissora em 17 de julho de 2007 para a Rua Tenente José Teixeira, onde permanece até hoje.
Também temos um outro meio de comunicação em Bom Jesus, a TV Câmara, que transmite as reuniões dos vereadores para que a comunidade tome conhecimento dos seus trabalhos.

Telefone

O surgimento desta nova técnica de comunicação se deu no século XIX e contribuiu para encurtar distâncias, suplantando o papel que anteriormente era exercido pelo telégrafo. Este objeto que fascinou o mundo, no final do século XIX e hoje parece tão familiar, é o resultado de muitos esforços e invenções para conseguir que a voz humana fosse transmitida através de longas distâncias.
Em 1876, Alexander Graham Bell conegue finalizar sua invenção, realizando a primeira ligação interurbana do mundo, uma ligação de 25 quilômetros.


Fazenda das Areias, em Pirapetinga, único local que recebia a ligação do primeiro telefone de Bom Jesus, instalado no Bar Central, de Manoel Belido, na Praça Gov. Portela.
Na cidade de Bom Jesus do Itabapoana, o primeiro telefone foi instalado no Bar Central do Manoel Belido, que só “falava” para Pirapetinga, na Fazenda de Chichico das Areias no início do século XX. Este telefone precisava dar corda para que funcionasse.
Com o passar do tempo instalou-se, na residência de Dona Alice Borges de Castro, uma cabine telefônica na sala da casa. Dona Alice nesta época assinou apólices relacionadas à instalação do telefone, o que lhe deu direito a participar de um sorteio no qual ela foi premiada. Segundo sua sobrinha Terezinha, hoje este prêmio em dinheiro, seria equivalente a quinhentos mil reais. Depois deste acontecimento, Dona Alice passou o telefone para sua irmã Inah Borges.
Depois a cabine foi instalada em uma sala pertencente ao senhor Tebeth Curi, na rua XV de Novembro, ainda sob os cuidados de Dona Inah Borges. Logo depois instalou-se no mesmo local uma mesa telefônica para maior comunicação.
Quando alguém de fora ligava, um mensageiro ia avisar à pessoa chamada o horário que deveria estar no posto telefônico para atendê-la.
Segundo artigo do jornal “O Norte Fluminense” de 8 de Janeiro de 1950 (Acervo: Espaço Cultural Luciano Bastos), concluiu-se que os telefones urbanos só chegaram a Bom Jesus após esta data.
Após algum tempo, houve a ampliação dos telefones com a instalação de duzentos aparelhos em Bom Jesus, sendo que o posto continuou sendo utilizado por algum tempo.
O posto telefônico, depois de Dona Inah, ficou sob responsabilidade do Senhor Nilson Tinoco de Rezende e de sua esposa, Dona Glorinha, no Hotel Central. A seguir passou para o Senhor Adelipton, que por sua vez deixou com seu filho, Tinoco, até 2001, na rua Buarque de Nazareth.
A facilidade de acesso da população aos telefones fixos e públicos (o velho “orelhão”), o posto telefônico tornou-se desnecessário.
Hoje com o avanço da tecnologia e com a necessidade de rapidez para comunicação, o telefone celular atualmente é mais popular que o próprio telefone fixo. No Brasil, por exemplo, existem mais linhas ativas de celular do que a própria população.
Resgatar a história do telefone é trazer à luz um experimento que ultrapassou um século, conseguindo se renovar de acordo com as necessidades dos indivíduos.

Equipe

Nosso agradecimento aos colegas pela atenção, ao nosso colaborador Rodrigo, à UNATI pela oportunidade de crescimento cultural através desta pesquisa e ao maior entrosamento entre os colegas de equipe.

·     Arlene Moraes Thiebaut
·     Cirilo Barros Alves
·     Daura Baptista da Silva
·     José Carlos de Melo Thiebaut
·     Julinda Maria de Azevedo Kelly
·     Maria da Penha Magalhães de Oliveira
·     Noermando Delbons de Souza
·     Solange Serpa Kelly Santiago
·     Yvone da Rocha Ramos
·     Zely dos Santos de Melo


Referências Bibliográficas

· “Bom Jesus nas folhas do Itabapoana em 1906” – Luciano Augusto Bastos.
·  “70” Crônicas Escolhidas” – Romeu Couto.
· “Páginas Memoráveis de Bom Jesus do Itabapoana “ – Antonio Dutra.
· “No despertar de nossas origens” – Maria Cassia de Moraes Soares.
·    Pesquisas em vários sites da internet.
·    Espaço Cultural Luciano Augusto Bastos.
·    O Norte Fluminense – Jornal
·    A Voz do Povo – Jornal
·    Rádio Bom Jesus