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domingo, 5 de março de 2017

ECLB recebe exemplares antigos do jornal A Voz do Povo



Exemplares do Jornal A Voz do Povo doados ao ECLB





O ECLB recebeu essa semana a doação de exemplares do jornal A Voz do Povo, em suas primeiras edições, abrangendo o período de 06 de setembro a 27 de dezembro de 1930 e 03 de janeiro a 22 de agosto de 1931.

A doação foi feita pelo escritor bonjesuense Elcio Xavier, que atualmente reside no Rio de Janeiro. Dono de um invejável acervo particular, Elcio já doou anteriormente ao ECLB uma parcela considerável de livros de sua coleção*, além de fotos históricas**, que enriquecem ainda mais o acervo de nossa instituição.

Além dos jornais, foram também doados os livros: "Álbum de Belo Horizonte" (1911), "Estudo para aplicação de Sistema de Transportes Planaéreos" no Rio de Janeiro (1937), "Visita do General Charles de Gaulle, Presidente da República Francesa, aos Estados Unidos do Brasil" (1964).





Agradecemos a confiança do poeta em depositar esse precioso acervo em mãos do Espaço Cultural, o qual entende a importância de preservar em seus arquivos tão importante material relativo à memória e à história de nossa região. 


Elcio Xavier, um apaixonado por Bom Jesus 


Um apaixonado por Bom Jesus e sua história, o poeta e escritor Elcio Xavier nasceu no dia 03 de maio de 1920, filho de Waldemar Sigismundo Xavier e Elvira Cerqueira Xavier. Casado com Gedália Loureiro Xavier (fal.), teve os filhos Regina, Rogério, Raquel (fal.), Rosete e Rita de Cássia, além de netos e bisnetos.



*Em 2013, Elcio doou um acervo de livros de quase mil volumes ao ECLB:
Confira aqui a doação de livros


Débora Loureiro Laborne Borges ao lado dos filhos de Elcio Xavier, Rosete Loureiro Xavier, Regina Loureiro Xavier e Rogério Loureiro Xavier, acompanhado da esposa Elaine Bastos Xavier, na biblioteca do Espaço Cultural Luciano Bastos. Ao fundo, a coleção de livros doados pelo poeta.




**Elcio Xavier fez a doação de fotos históricas ao ECLB em 2016:





segunda-feira, 2 de junho de 2014

Fernando Lopes da Costa, em nome do Olympico F.C., saúda a Seleção Brasileira em seu embarque rumo à Copa do Mundo de 1938 na França


                                          

Em 1938, há 76 anos, a Seleção Brasileira embarcava, de navio, para a França, onde disputaria a Copa do Mundo.

O Tte. Cel. Fernando Lopes da Costa ali presente, ofereceu o “pavilhão nacional” aos jogadores, em nome do Olympico F.C., proferindo um discurso vibrante, reproduzido por A Voz do Povo, em sua edição de 04 de junho de 1938.
                                  
Trecho do Jornal A Voz do Povo, edição de 4 de Junho de 1938. Acervo: ECLB


Reproduzimos, abaixo, alguns trechos da matéria de A Voz do Povo:

Foi o seguinte o discurso pronunciado pelo Ten. Coronel Fernando Lopes da Costa, offerecendo à representação brasileira de football, em seu embarque para a Europa, em nome do “Olympico F.C.”, o pavilhão nacional.

“Lusida embaixada do desporto terrestre, aclamados valores da pelota...
[...]
É dessa Pátria, rica e formosa, e de doçuras feita, Terra da Promissão, o sagrado lábaro de esperanças, pano tecido por todos os amores, símbolo augusto da nacionalidade, que ora vos entrego desportistas do meu Brasil, para que o mantenham, puro e invicto, sob a guarda dos vossos corações de patriotas.

Oferenda simbólica que vos solicita a acolherdes no tépido agasalho de vosso ardoroso patriotismo, o “Olympico Futebol Club”, de Bom Jesus de Itabapoana, confiantes, todos os olympicos, que sabereis honrar, nos esmeraldinos gramados da França heróica, o auriverde pendão, mais e mais o dignificando, à altura de suas gloriosas tradições...
[...]
Ide, chegai e vencei. Ao penetrardes garbosos, na atitude marcial dos brasileiros, sob palmas e flores e hinos, o magestoso Estádio Francez, em tarde plena de luzes, não vos esqueçais de o fazer, sob o palio do auri-verde símbolo da Pátria..."

No livro “Diamante Negro”, de André Ribeiro, encontramos referência sobre o dia do embarque da Seleção brasileira para a França, ocasião em que foi proferido o discurso por Fernando Lopes da Costa.

"O embarque estava marcado para o dia 30 de abril de 1938 e nem mesmo a chuva impediu que milhares de pessoas fossem ao cais para dar adeus aos craques brasileiros. A seleção saiu do Rio de Janeiro a bordo do navio Arlanza, e antes de tomar a rota para a Europa, fez algumas escalas em portos do litoral brasileiro, aumentando a expectativa da torcida, que acreditava na conquista inédita de um título mundial.

Leônidas da Silva foi o artilheiro dessa Copa, tendo sido escolhido o melhor jogador do mundial, e o Brasil ficou com a terceira colocação.
Fonte: www.literaturanaarquibancada.com

Veja mais sobre a participação da Seleção brasileira na Copa do Mundo de 1938 em:

http://www.literaturanaarquibancada.com/2012/06/especial-copas-1-o-epico-brasil-6x5.html


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

OS PRIMÓRDIOS DA IMPRENSA EM BOM JESUS

          


      Documentos antigos são uma fonte inesgotável de luz sobre o nosso passado. Para conhecer um pouco mais sobre o início da imprensa em Bom Jesus do Itabapoana, o texto abaixo, do jornal A Voz do Povo, de 04.02.1939, nos dá ricas informações:


IMPRENSA BONJESUENSE

       Quem teria fundado o primeiro jornal nesta terra de Bom Jesus?
          Eis aqui a pergunta que me fizeram, numa roda em que se falava sobre a imprensa local e os periódicos que aqui se publicaram; uns, de curta duração e outros de existência um pouco longa; todos, afinal, luctando tenazmente por se manterem, a despeito do indefectível apoio moral que "tout le monde et son pére” sempre tiveram para dar, (naquelles tempos já se vê) para emprestar e jogar fora...
       Pois o primeiro jornal que veio à luz nesta hoje cidade de Bom Jesus, foi  o “Itabapoana”, dirigido por Sylvio Fontoura, o combativo jornalista d’ “A Notícia”, de Campos, e que, nos presentes dias, velho, alquebrado, ainda possue aquelle humorismo candente que jamais o abandonou nas suas chronicas ferinas que são a delícia dos leitores desalmados, gosadores do desespero alheio, alvo de phraseado irreverente do jornalista.
         Pois é. Sylvio Fontoura foi o que primeiro botou jornal a circular, aos domingos, nesta terra de Bom Jesus. Que prélo, mon Dieu!! Vi-o, mais tarde, quando ainda menino vim para aqui. Digno de museu. Não tinha nenhuma apparencia desse machinismo que então existia noutros logares mais adeantados – a hoje archaica Boston – que na época era coisa formidável à arte que immortalizou Guttemberg.
      Digna de museu a engenhoca do jornal de Sylvio Fontoura! Vejamos os seus característicos: uma táboa grossa, de 1 metro quadrado, qual gaveta rasa, sob outra taboa grossa, móvel por intermédio de dobradiças, dispondo de uma como que alavanca na parte central. Punha-se a página sobre a primeira taboa; colocava-se o papel molhado – molhado, heim?! – sobre a dita página e... zás!: puchava-se a alavanca e após enorme esforço, estava impressa a folha collocada. A impressão, bôa ou má, estava na razão directa da força empregada para mover-se a alavanca.
         Uma coisa louca. E depois a tiragem tinha que ser reduzida, do contrário era um fazer força dia inteiro mais incômmodo do que envergar-se barra de ferro à Roberto Ruhman.
         Isso foi, segundo me contaram, em 1906, mais ou menos.
         Nesse tempo, podia-se contar pelos dedos as casas do arraial. Poucas. Quasi todas – ou todas? – deixando à mostra os seus enormes esteios de braúna, madeira que dura uma eternidade. Pois à frente de algumas dessas casas – vivendas dos habitantes mais conspícuos – reuniam-se os que iam ouvir a leitura do “Itabapoana” do dia, cuja matéria consistia de versos humorísticos, contos ligeiros, anedoctas, piadas de almanack, porque naquelle tempo ainda não havia “motivo” para “chamar-se” a attenção dos poderes competentes”, cogitar-se de melhoramentos locaes, dado que cada morador se contentava com ter limpa a frente da sua casa e a vida corria mansa qual manso lago...
         - Mas, e depois?
         - Ah! depois, bem depois, quando a terra bonjesuense começava a vestir roupagens novas é que surgiu entre outro “Itabapoana”, segunda phase, dirigido pelo grande jornalista Menezes Wanderley, progenitor do meu collega Renato Wanderley.
         Menezes Wanderley fez um “Itabapoana” intelectual e materialmente bem feito e por uns cinco annos circulou nesta Bom Jesus, até que desappareceu com a ida de seu fundador para Friburgo, onde ainda se encontra emprestando o brilho de sua Penna aos jornaes daquella bonita cidade fluminense.
         - E depois?
       - Depois, “seu” Desdedit, appareceu o “Correio Popular", de Pompeu Tostes. Vida curta. Em seguida “O Álbum” redactoriado por Nelson Paixão e R. Wanderley. Quatro números apenas. Após, veio à lume, em terceira phase, o “Itabapoana”, sob a direcção de R. Wanderley. Um anno e tanto de existência.
         Pausa prolongada, até surgir “O Norte”, jornal bem feito, sob a direcção do Rvmo. Padre Mello, penna brilhantíssima. Foi pena: durou pouco.
        Grande pausa. Surgiu a seguir “Bom Jesus-Jornal”, sob a direcção de Osório Carneiro, tendo como redactores Octacilio Aquino, Renato Wanderley, Willis Cunha e gerência de José Tarouquella. Pouco mais de anno e sumiu-se.
         Depois tivemos “O Momento”, que num momento virou sorvete.
         - E depois?
         - Ah! depois veio “A Voz do Povo”, em formato esquimau; com novo alento cresceu mais e hoje está com este grande formato e uma tiragem de 2.500 exemplares. Dirigido com segurança por Osório Carneiro; sob a gerência do baluarte José Maria Garcia; neste jornal escrevem com assiduidade todos aquelles que já se habituaram às lides da imprensa: Rvdmo. Padre Mello, Octacilio Aquino, Renato Wanderley e Romeu Couto. Houve também época brilhante com José Côrtes Coutinho e Napoleão Teixeira, o primeiro actualmente advogando e exercendo o magistério em Friburgo e o segundo hoje tenente-médico do Exército.
         - E depois?
       - Não há mais depois. “A Voz do Povo”, aqui está e estará até a consummação dos séculos.
         - Amém.
                                                                           J. João



Jornal A Voz do Povo, Anno VI, n. 265, 04/02/1939. Acervo ECLB.