segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Luciano Bastos, atleta.


Luciano Augusto Bastos


                                                                        Claudia M. Borges Bastos do Carmo


Conhecido como advogado, jornalista, político e educador, meu pai foi também jogador de futebol e desportista. Faleceu em 2011 e se ainda estivesse conosco, Luciano Augusto Bastos completaria 91 anos hoje.

Nasceu em 21 de janeiro de 1928, em Carangola, MG, filho caçula dos campistas Olívio Bastos e Vivaldina Martins Bastos. Chegou a Bom Jesus com a família em 1933, com apenas cinco anos. 



Sua história com o esporte começou cedo, uma paixão que levaria para toda a vida. Jogou futebol no Ordem e Progresso F.C., no Americano F.C. (Campos de Goitacazes) e no Olímpico F.C., e também praticou outras modalidades esportivas como voleibol, basquetebol e tênis de mesa.



Tendo iniciado com o irmão Esio no mundo do trabalho, na Gráfica Gutemberg, suas atividades na advocacia, política e educação não o fizeram se afastar jamais dos esportes. Foi um dos fundadores da Liga Bonjesuense de Desportos, que presidiu, e também do Tênis Clube. Foi dirigente do Aero Clube, onde deixou a marca de seu dinamismo. Presidiu o Olympico F.C. por duas vezes, em 1961 e 1986, dando novas dimensões ao clube, construindo a grande arquibancada e ampliando o estádio. Como Diretor do Colégio Rio Branco, e Secretário de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, em 1988, sempre incentivou as atividades esportistas. Criou os Jogos Estudantis de Bom Jesus e o Campeonato de Futebol Rural.



O Espaço Cultural Luciano Bastos tem orgulho de guardar e proteger seu importante acervo, que ajuda a contar não apenas a sua história mas a preservar a memória do futebol de nossa cidade.























Começou a treinar no Juvenil do Ordem e Progresso F.C., em Bom Jesus do Norte, ES.








4º da dir. para a esq., em jogo de 1942

Ordem e Progresso F.C.

Perelca, Cid Borges, Mertudinho, Bronzeado, Isaac Rosa, Colombino, Abelino, Luciano Bastos, Niltinho, José Jabor, Nilo Ventura.








Em pé, ao centro, 6º da esq. para a dir. em jogo de 1942.

Ordem e Progresso F.C.

Em pé: Diretor da Escola Horácio Plínio; Demerval Bastos Tavares (Diretor), Nilo Ventura, José Jabor, Lengruber, Luciano Bastos, Jacy Marques, Gilberto, Leonides Catharina, José Cabeça Freire, Renato Wanderley (Diretores). Agachados: Manguinha, Wilson Carlos, Pedro Bronzeado, Aneril e Aquino.






Por pouco Luciano fez carreira em Campos dos Goitacazes: jogou no Americano F.C, onde foi campeão juvenil em 1943, com apenas 14 anos, mas a família, saudosa, pediu que voltasse.










































O quadro do time do Americano F. C., campeão de 1943: Heitor, Fernando, Maneco, Orlando e Filhote "Boudeistein"; Luciano Bastos, Tolinho e Votinho.






Jogador do Americano F.C. em 1943



Retornando a Bom Jesus, passa a jogar pelo Olympico F.C. 



Quadro do Olímpico F.C. em 12.12.1943: Luciano Bastos, Nico, Hilton, Thales, Binho Mathias e Eurico. Zuzu, Zezito Mathias, Paulo Carvalho, Aquino e Isaac Rosa. Venceu o Progresso F.C. por 6 x 1.







Olímpico de 1945: Luciano Bastos, Miro, Binho, Urbano, Herbert, Tito Nunes e Alípio. Agachados: Gato, Zezito, Matos, Donaldson e Isaac.







2º da esq. para a dir. Luciano foi atleta de voleibol do Aero Clube de Bom Jesus. Ao seu lado esquerdo, Ildefonso Bastos Borges. Maio de 1947.








Laje de Muriaé, 15.06.1947



























"Wilson Roseira, Luciano, Chiquinho, Zezito e Aquino, no dia em que derrotamos o Progresso por 5 x 0, em 23.11.1947." 



Em 1948 a equipe do Olímpico F.C. realizou excursão a Castelo, ES.


































A conquista do Campeonato Bonjesuense de Futebol pelo Olímpico F.C., em 1948, foi narrada pelo jornal A Voz do Povo. De acordo com o jornal:

“Luciano em belíssimo estilo empata a partida aos 15 minutos de luta e Zezito conquista o goal da vitória aos 40 minutos.” 




"Realizou-se domingo último no Estadio Carlos Firmo, em Bom Jesus do Norte, o encontro final e decisivo em disputa do campeonato bonjesuense de futebol e da taça oferecida pelo sr. Luiz de Matos, inspetor da “Liderança Capitalização S.A”, sagrando-se campeões os quadros titular e de reservas do “Olympico F.C.” desta cidade. (...)



O primeiro meio tempo pertenceu quase todo à equipe auri-verde, terminando o mesmo com o escore de 1 x 0 com um goal de autoria de Grilo, conquistado aos 40 minutos de luta. Reiniciada a peleja, passa a predominar a equipe auri-rubra, que diga-se de passagem, teve uma atuação brilhante frente ao seu grande adversário. Luciano em belíssimo estilo empata a partida aos 15 minutos de luta e Zezito conquista o goal da vitória aos 40 minutos. 



Estão portanto de parabéns todos os olímpicos e o seu esforçado técnico sargento Raul José da Silva com mais essa demonstração de fibra e tenacidade, desenvolvidas pelos 22 jogadores que tomaram parte nesse encontro decisivo pela conquista do título máximo do futebol local em 1948. (...)



A banda de música local “Lira Operária Bonjesuense” compareceu ao Estadio afim de homenagear o “Campeão Bonjesuense de Futebol”, tendo deliciado a todos os presentes com vários números de seu selecionado repertório. Os torcedores auri-rubros após o brilhante feito de seus pupilos, percorreram varias ruas da cidade cantando e dançando, dando expansão ao entusiasmo reinante, pelo troféu conquistado. 



As duas equipes do “Campeão Bonjesuense de Futebol de 1948” jogaram assim constituídas: Titulares –Celso; Bigode e Alipio; Luciano, Wilson e Fernando; Binho, José do Olinto, Gato, João Roco e Zezito. Reservas – Celio; Friaça e Aloysio; Nagibe, Adehildo e Helio; Percevejo, dep. Branco, Valinho, Helinho, Ary e Isaac. 



Na equipe auri-verde destacaram-se Wilson, José Cabeça, Chico Borges, Rodolfo, Grilo, Nery e Onofrinho. No quadro vencedor realçou mais a parelha de zagueiros formada com Alipio e Bigode, sendo que todos os demais foram muito esforçados."  (A Voz do Povo, 24.09.1949)


























                  


                      


IV Campeonato Estadual de Voleibol. Macaé, abril de 1954




Stand do Olimpico F.C. na Festa de Agosto. Década de 60.

Maria Helena Mathias, Luciano Bastos, Altamirando Pessanha (irmão do Governador Celso Pessanha), Prefeito Cesar Portugal, Secretário de Agricultura.











































Início da construção da arquibancada do Olímpico F.C.
Início das Obras de construção da gigantesca Arquibancada coberta do Olympico F.C. À frente o Dr. Luciano Bastos, Presidente da Administração, vendo-se ao lado o sr. José Silva, Benemérito do Clube e um dos grandes baluartes, Diretor de Obras.















02.04.1962











"No dia 23 de setembro de 1962 o Olympico, em festas, inaugurou a sua arquibancada coberta, a primeira a ser construída em nossa região. Foi uma epopeia maravilhosa, em que os associados e torcedores do clube se uniram e contando ainda com a participação da comunidade, chegaram ao triunfo final.” (Jornal O Norte Fluminense)




















A Diretoria responsável pela construção vitoriosa: Dr. Luciano A. Bastos – Presidente; Wilson Alves de Mello, Vice-Presidente; Dr. Moacyr Valinho Xavier, Secretário e Clério Gomes Lamônica, Tesoureiro. Sede do Olympico Futebol Clube. 



No dia 04.04.1963, o Olímpico F.C. festeja seu aniversário e, dentre a programação das comemorações, uma "peleja de volibol feminino" no Aero Clube, em homenagem "ao desportista Luciano Bastos". O jornal O Fluminense noticiou:

Olímpico (Bom Jesus) festeja aniversário hoje
O tradicional Olímpico de Bom Jesus do Itabapoana, comemorando, hoje, seu 29º aniversário, promoverá os seguintes festejos: Às 16 horas, na quadra do Grupo Pereira Passos, haverá um jogo de futebol de salão entre as equipes do Banco do Brasil (local) e a do BB de Itaperuna, em homenagem ao desportista Wilson Alves de Mello. Às 20 horas, em quadra iluminada do Aero Clube, teremos uma peleja de volibol feminino entre as moças do Itaperuna Tenis Clube e do Fluminense F.C. (São João da Barra), em homenagem ao desportista Luciano Bastos. Posteriormente, na sede do Olímpico, teremos um baile com o “Sexteto Rex”, onde será eleita a Rainha do Clube.


























Luciano Bastos ao lado de integrantes da equipe do seu querido Vasco da Gama, em 1965, que veio disputar partida amistosa com o Olímpico F.C. durante a Festa de Agosto.


Jornais do RJ noticiaram o evento:

Uma equipe mista do Vasco embarcará, hoje, para Bom Jesus do Itabapoana, a fim de realizar uma partida amistosa, amanhã, contra o Olimpico F.C. A delegação, que seguirá em ônibus especial, levará Eli do Amparo como técnico, e os jogadores são os seguintes: Miltão, Pedro Paulo, Hipólito, Sergio, Ze Carlos, Andrade, Laurindo, Bonin, Rangel, Amauri, Jorge, Araquém, Valdir e Ivã. (Última Hora, 14.08.1965)

Em partida que poderá ter entre o publico nada menos de três governadores (pelo menos os da Guanabara, ES e Est. Rio foram convidados) o Vasco da Gama jogará esta tarde contra o Olimpico F.C na cidade fluminense de Bom Jesus do Itabapoana, que comemora o seu aniversário. O Vasco aproveitará o amistoso para testar o ponta de lança Valdir Jacob, do Jabaquara, de Santos, devendo entrar em campo com o seguinte quadro, já escalado pelo técnico Eli do Amparo: Miltão; Hipolito, Sergio, Andrade e Zago; Ze Carlos e Bonin; Laurindo, Acelino, Aloisio e Rangel. (Jornal dos Sports, 15.08.1965)













Chegada de refletores novos para o Olympico F.C. 
Foram inaugurados em 13 de agosto de 1968, pelo Governador do Estado do Rio, Geremias Fontes.



Em pé: Acyr, Temildo Moraes, Douglas Dias, Dep. Tito Nunes da Silva, Dr. Luciano Bastos, Antonio Figueiredo, Elbio Tinoco Mathias (Binho), Tte. Décio Borges, Dr. Francisco Moraes Ferreira, Dep. Michel Salim Saad, Prefeito Jorge Assis de Oliveira, Dr. José Seródio, Quintino Carlos Vieira, Luiz Mello, Oscar Reis (Oscar Baiano). Agachados: Celso “Canário”, Clério Lamônica, José de Andrade, Geraldo Cyrillo, Dr. José Moraes Ribeiro, Elson Mathias, Isaac de Jesus Rosa.





Serão realizados, na próxima semana, os Jogos Estudantis de Bom Jesus do Itabapoana. Participarão todos os colégios e ginásios locais. O presidente da Comissão Central dos Jogos, prof. Luciano Augusto Bastos, informou que todas as providências foram tomadas para o êxito da promoção. (O Jornal, 1968)






Inauguração da Concentração Guilherme Mathias, em 1986.










Luciano Bastos ao lado dos amigos e craques olímpicos Dr. Francisco Pedro Barros Barroso, Dr. Braz Cyrillo Viceconte e Oscar Baiano.



Foto: Lançamento do livro "Do Sonho à Realidade", de Braz Cyrillo. Ex-atleta, treinador e Presidente do Olímpico F.C. por várias vezes, Braz fez uma administração progressista, construindo o Ginásio coberto, o alambrado, e a piscina do clube.



Em sua Galeria Histórica, no Jornal O Norte Fluminense, Luciano Bastos publicava fotos antigas do futebol bonjesuense, ajudando a preservar nossa memória.











Por todo seu trabalho e serviços prestados ao clube, Luciano Augusto Bastos recebeu o título de benemérito do Olímpico Futebol Clube.






Confira aqui o artigo "Luciano Bastos, uma vida em prol de Bom Jesus", com a sua biografia completa.




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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Jovens Talentos apresentam trabalho realizado no ECLB


Os bolsistas Jovens Talentos Larissa, Fillipy e João Paulo, alunos da E.E. Euclides Feliciano Tardin, estiveram presentes na XIX Jornada Jovens Talentos Norte / Noroeste Fluminense, que ocorreu no IFF-campus Bom Jesus, no dia 27 de novembro, com a participação de estudantes de diversos municípios da região.

Os três atuam em projetos de preservação do acervo do ECLB, sob orientação de Paula Bastos (IFF).


Larissa Aparecida Cabral das Neves

Larissa apresentou o trabalho "Acervo digital de narrativas orais para preservação da memória", projeto que desenvolve desde 2017: são entrevistas, palestras e homenagens relacionadas ao Colégio Rio Branco (CRB), originalmente gravadas em fitas cassetes e que agora estão disponíveis em formato digital MP3, possibilitando melhor preservação do material sonoro e disponibilização para consulta desse precioso acervo. 

Fillipy Ambrósio da Silva e João Paulo Soares de Souza

O trabalho de Fillipy e João Paulo, "Acervo digital de fotografias para preservação da memória", envolve a digitalização de fotografias relacionadas com o antigo Colégio Rio Branco. Até o momento foram digitalizadas mais de 350 fotografias abarcando os anos de 1998 a 2000: são alunos, funcionários e professores retratados em diversos eventos e atividades escolares. 

Parabéns aos alunos pelo importante trabalho que desenvolvem na preservação da memória do antigo Colégio Rio Branco!

Encontro da Saudade do antigo Colégio Rio Branco


sexta-feira, 27 de julho de 2018

DIA DA IMPRENSA BONJESUENSE SERÁ COMEMORADO NO DIA 1º DE AGOSTO




Jornal A Voz do Povo, Jornal O Norte Fluminense, Instituto de Letras e Artes de Carabuçu e o Instituto Bonjesuense de Letras e Arte - Patrono Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo, convidam para, na próxima quarta-feira, 1º de agosto, às 19h30min, no Auditório D. Carmita do Espaço Cultural Luciano Bastos, a solenidade em comemoração ao Dia da Imprensa Bonjesuense.



A data de 1º de agosto de 1906 ficou gravada na história de nossa cidade como o dia em que circulou o primeiro jornal bonjesuense, Itabapoana.



Sobre o Itabapoana:

"Há 112 anos, no dia 1º de agosto de 1906, entrava em circulação o primeiro jornal de nossa cidade, Itabapoana, nascido do ideário do Coronel Pedroca, tendo na sua redação Sylvio Fontoura.

112 anos do jornal ITABAPOANA
No dia 1º de agosto de 1906 nasceu o nosso primeiro jornal

O primeiro jornal de Bom Jesus do Itabapoana/RJ - ITABAPOANA - foi criado pelo jornalista Sylvio Fontoura, campista que, atendendo convite do seu conterrâneo Pedro Gonçalves da Silva Jr. (Coronel Pedroca), aqui fixou residencia com a esposa e filhos. Dirigiu o semanário na sua primeira fase de circulação - 1º de agosto de 1906 a 29 de dezembro de 1907. Ao jornalista se uniu o Coronel Pedroca secretariando e colaborando com a folha Francisco Teixeira de Oliveira ocupou o cargo de gerente. O "Itabapoana" contou com Joaquim Ouropretano Mineiro do Brasil como tipógrafo e impressor. Este teve o menino Oto Paranhos como seu auxiliar. Este teve o menino Oto Paranhos como seu auxiliar."


Sylvio Fontoura (1948).
Foto: acervo Dr. Welligton Paes/ Herbson Freitas - Academia Campista Letras.




quarta-feira, 20 de junho de 2018

Argentinos visitam o ECLB



O blog do jornal O Norte Fluminense registrou, no dia 19/06, uma visita ao Espaço Cultural Luciano Bastos, que a seguir reproduzimos:

http://onortefluminense.blogspot.com/2018/06/argentinos-visitam-o-eclb.html


Os argentinos Aspitio Natalio Paola e Sua Pablo Monzón, de Córdoba, Argentina, visitaram hoje o ECLB (Espaço Cultural Luciano Bastos).

Em passeio por nossa cidade, eles estiveram acompanhados da bonjesuense Maria Aparecida Tavares Provette.

O prédio e acervo do antigo Colégio Rio Branco, fundado em 1920, estão preservados no ECLB. 

Em 1997, o acadêmico da Academia Brasileira de Letras, Herberto Sales, esteve no educandário e deixou assinalado que " o Colégio Rio Branco é como a alma de Bom Jesus do Itabapoana".

O ECLB mantém várias relíquias, além de seu acervo: o Museu da Imprensa, que conta com o maquinário do jornal O Norte Fluminense, incluindo a máquina francesa Alauzet, do século XIX; os primeiros jornais de Bom Jesus do Itabapoana, incluindo o nosso primeiro jornal, "Itabapoana", publicado em 1906; um Auditório, com piano, para apresentação de espetáculos; biblioteca, com obras raras, e sala de exibição de filmes.

O ECLB é local de frequentes visitas e constitui referência para a nossa história, promovendo a  cultura em suas diversas áreas.


  
Herberto Salles, da Academia Brasileira de Letras: " O Colégio Rio Branco é como a alma de Bom Jesus do Itabapoana" (1997)


























segunda-feira, 14 de maio de 2018

Feliz aniversário, Professora Vera Lucia Barbosa Gomes Araújo!


















Professora Vera Lúcia Barbosa Gomes entre alunos concludentes do curso Ginasial, 1972. Veja mais sobre a turma aqui.



Registramos hoje o aniversário da querida Professora Vera Lucia Barbosa Gomes Araújo, desejando Felicidades!





Em 1962, a então aluna da Escola de Professores do Ginásio Rio Branco recebeu prêmio de Honra ao Mérito, pelo seu excelente desempenho escolar. Durante a solenidade estavam presentes os orgulhosos e emocionados pais Manoel Lici Gomes e Antonia Barbosa Gomes; e a diretora Maria do Carmo Baptista de Oliveria, d. Carmita.




Em 1966, aos 18 anos,  Vera iniciou sua vida profissional como secretária e professora de Português no curso ginasial do Colégio Rio Branco. onde lecionou até o ano de 1973. Ocupou também o cargo de Diretora técnica, ao lado do Diretor Dr. Luciano Augusto Bastos.



No ano de 1967 o jornal A Voz do Estudante, editado com reportagens e artigos feitos pelos alunos do Rio Branco, noticiava o aniversário da Professora Vera, bem como o do Professor Heliton Dias Pimentel, no dia 29 de maio.


A jovem professora de Português logo se tornaria uma das pessoas mais queridas e lembradas na história do Colégio Rio Branco.


Nós do Espaço Cultural Luciano Bastos desejamos à querida Professora Vera um Feliz aniversário ao lado da família e amigos!





Vera, feliz ao lado do marido José Ronaldo Araújo, também ex-aluno do Rio Branco, e dos filhos Aline e Luiz Ronaldo, reside atualmente em Niterói, RJ.



















segunda-feira, 7 de maio de 2018

Carro de boi na Praça de Bom Jesus: Entra setenta!


Fotografia de Marc Ferrez

A crônica "Entra setenta" foi publicada no jornal Itabapoana, em 10 de março de 1907. Narra, após "fadigas e perigos de toda a sorte", num "memorável lusco-fusco vespertino de fevereiro", a chegada a Bom Jesus de um carro de boi transportando uma máquina para preparar milho e arroz. Num "arrojo sem nome" do empreendedor Chico Teixeira, a máquina foi instalada na "única e simplória casinha tosca" da recém inaugurada Avenida Padre Mello. 

Primeiro jornal de Bom Jesus, o "Itabapoana" foi publicado nos anos de 1906 e 1907 e constitui rica fonte de pesquisa para a história e memória de nossa região. O jornal faz parte do acervo do Espaço Cultural Luciano Bastos e está disponibilizado para leitura em livro (dois volumes) pelo Dr. Luciano Augusto Bastos. 


ENTRA SETENTA!


Foi a expressão do Arthur ao ver entrar entrar na praça do Governador, naquele memorável lusco-fusco de fevereiro, puxada por vigorosos bois-vermelhos, a máquina do Chico – Entra setenta!
E o Arthurzinho, cheio de si, de aguilhada em punho, brandia-a para a junta de coice e gritava: boi Pimpão! boi Chibante...!
Tinha sido uma luta aquela puxada! Ah! não fossem eles, o Arthurzinho e o Sinhô, carreiros na hora, e ela havia de ficar lá mesmo, que os caminhos não estavam para graça e ninguém mais queria história com aquele trem pesado por esses morros abaixo, por essas buraqueiras que mais pareciam a goela do tinhoso!
Em verdade a empreitada foi de um arrojo sem nome porque as estradas, que ainda estão de arrepiar a pele, nessa ocasião, após uma chuvarada de meses e com alguns dias de sol, canicular, atolavam até os chifres, os pobres animais, e o carro, a cada momento, pendia para o abismo e com ele levaria de certo aos trancos e barrancos aquela boiada boa!
Eh! boi Chibante! boi Pimpão! E vagarosamente, arrojadamente, lá vinham, à beira de escarpas abruptas. Ladeando despenhadeiros horríveis, enterrando nos tremedais, descendo morros íngremes, subindo dificultosamente os morros, aquelas juntas de lama; e no alto do cabeçalho, firme, de pé, como um comodoro no seu navio em perigo, o Arthurzinho brandia a aguilhada energicamente! Eh! boi Japão!
Foram dias e dias de fadigas e perigos de toda a sorte mas, afinal, naquele memorável lusco-fusco vespertino de fevereiro, chegava a Bom Jesus a máquina do Chico, e o Arthur, ao ve-la atravessar a praça, pulando e batendo palmas, gritava estentoricamente: - Entra setenta!
E cá está ela afim de ser assentada na única e simplória casinha tosca da nossa avenida. Brevemente o seu apito, agudo no começo e no fim do dia, servirá de relógio público, e se tratará de deixar as travesseiras ou se entrará nas trevas da noite... enquanto não houver lampião nas ruas.
A montagem em Bom Jesus de aparelhos para prepararem milho e arroz, é, como se sabe, um empreendimento do Chico Teixeira que, fazendo para seu proveito, sempre dá o seu empurrão no adiantamento local e dá trabalho a um bom número de operários.
É pois justo que abracemos o Chico; mas em vez de lhe dizer muitas coisas bonitas, que afinal não valem nada, o melhor é gritarmos como o Arthur: - Entra setenta!