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sexta-feira, 27 de julho de 2018

DIA DA IMPRENSA BONJESUENSE SERÁ COMEMORADO NO DIA 1º DE AGOSTO




Jornal A Voz do Povo, Jornal O Norte Fluminense, Instituto de Letras e Artes de Carabuçu e o Instituto Bonjesuense de Letras e Arte - Patrono Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo, convidam para, na próxima quarta-feira, 1º de agosto, às 19h30min, no Auditório D. Carmita do Espaço Cultural Luciano Bastos, a solenidade em comemoração ao Dia da Imprensa Bonjesuense.



A data de 1º de agosto de 1906 ficou gravada na história de nossa cidade como o dia em que circulou o primeiro jornal bonjesuense, Itabapoana.



Sobre o Itabapoana:

"Há 112 anos, no dia 1º de agosto de 1906, entrava em circulação o primeiro jornal de nossa cidade, Itabapoana, nascido do ideário do Coronel Pedroca, tendo na sua redação Sylvio Fontoura.

112 anos do jornal ITABAPOANA
No dia 1º de agosto de 1906 nasceu o nosso primeiro jornal

O primeiro jornal de Bom Jesus do Itabapoana/RJ - ITABAPOANA - foi criado pelo jornalista Sylvio Fontoura, campista que, atendendo convite do seu conterrâneo Pedro Gonçalves da Silva Jr. (Coronel Pedroca), aqui fixou residencia com a esposa e filhos. Dirigiu o semanário na sua primeira fase de circulação - 1º de agosto de 1906 a 29 de dezembro de 1907. Ao jornalista se uniu o Coronel Pedroca secretariando e colaborando com a folha Francisco Teixeira de Oliveira ocupou o cargo de gerente. O "Itabapoana" contou com Joaquim Ouropretano Mineiro do Brasil como tipógrafo e impressor. Este teve o menino Oto Paranhos como seu auxiliar. Este teve o menino Oto Paranhos como seu auxiliar."


Sylvio Fontoura (1948).
Foto: acervo Dr. Welligton Paes/ Herbson Freitas - Academia Campista Letras.




segunda-feira, 7 de maio de 2018

Carro de boi na Praça de Bom Jesus: Entra setenta!


Fotografia de Marc Ferrez

A crônica "Entra setenta" foi publicada no jornal Itabapoana, em 10 de março de 1907. Narra, após "fadigas e perigos de toda a sorte", num "memorável lusco-fusco vespertino de fevereiro", a chegada a Bom Jesus de um carro de boi transportando uma máquina para preparar milho e arroz. Num "arrojo sem nome" do empreendedor Chico Teixeira, a máquina foi instalada na "única e simplória casinha tosca" da recém inaugurada Avenida Padre Mello. 

Primeiro jornal de Bom Jesus, o "Itabapoana" foi publicado nos anos de 1906 e 1907 e constitui rica fonte de pesquisa para a história e memória de nossa região. O jornal faz parte do acervo do Espaço Cultural Luciano Bastos e está disponibilizado para leitura em livro (dois volumes) pelo Dr. Luciano Augusto Bastos. 


ENTRA SETENTA!


Foi a expressão do Arthur ao ver entrar entrar na praça do Governador, naquele memorável lusco-fusco de fevereiro, puxada por vigorosos bois-vermelhos, a máquina do Chico – Entra setenta!
E o Arthurzinho, cheio de si, de aguilhada em punho, brandia-a para a junta de coice e gritava: boi Pimpão! boi Chibante...!
Tinha sido uma luta aquela puxada! Ah! não fossem eles, o Arthurzinho e o Sinhô, carreiros na hora, e ela havia de ficar lá mesmo, que os caminhos não estavam para graça e ninguém mais queria história com aquele trem pesado por esses morros abaixo, por essas buraqueiras que mais pareciam a goela do tinhoso!
Em verdade a empreitada foi de um arrojo sem nome porque as estradas, que ainda estão de arrepiar a pele, nessa ocasião, após uma chuvarada de meses e com alguns dias de sol, canicular, atolavam até os chifres, os pobres animais, e o carro, a cada momento, pendia para o abismo e com ele levaria de certo aos trancos e barrancos aquela boiada boa!
Eh! boi Chibante! boi Pimpão! E vagarosamente, arrojadamente, lá vinham, à beira de escarpas abruptas. Ladeando despenhadeiros horríveis, enterrando nos tremedais, descendo morros íngremes, subindo dificultosamente os morros, aquelas juntas de lama; e no alto do cabeçalho, firme, de pé, como um comodoro no seu navio em perigo, o Arthurzinho brandia a aguilhada energicamente! Eh! boi Japão!
Foram dias e dias de fadigas e perigos de toda a sorte mas, afinal, naquele memorável lusco-fusco vespertino de fevereiro, chegava a Bom Jesus a máquina do Chico, e o Arthur, ao ve-la atravessar a praça, pulando e batendo palmas, gritava estentoricamente: - Entra setenta!
E cá está ela afim de ser assentada na única e simplória casinha tosca da nossa avenida. Brevemente o seu apito, agudo no começo e no fim do dia, servirá de relógio público, e se tratará de deixar as travesseiras ou se entrará nas trevas da noite... enquanto não houver lampião nas ruas.
A montagem em Bom Jesus de aparelhos para prepararem milho e arroz, é, como se sabe, um empreendimento do Chico Teixeira que, fazendo para seu proveito, sempre dá o seu empurrão no adiantamento local e dá trabalho a um bom número de operários.
É pois justo que abracemos o Chico; mas em vez de lhe dizer muitas coisas bonitas, que afinal não valem nada, o melhor é gritarmos como o Arthur: - Entra setenta!