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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

LANÇAMENTO DO LIVRO "RUMOREJOS DO MONTE HIMALAYA" NO ECLB





O Espaço Cultural Luciano Bastos (ECLB) convida para o lançamento da obra Rumorejos do Monte Himalaya, que ocorrerá no dia 26/09, quinta-feira, às 19h. A edição original é de 1894, de autoria de Amelia Gomes de Azevedo. 

O livro é o quinto volume da Série Memórias Fluminenses, publicação da Essentia Editora, do Instituto Federal Fluminense, tendo sido organizado pelos bonjesuenses Paula Aparecida Martins Borges Bastos (IFF) e Pedro Paulo Garcia Catharina (UFRJ). É também Pedro Paulo, que é professor doutor na UFRJ de línguas neolatinas, quem assina a tradução dos textos originalmente em francês.

Amelia Gomes de Azevedo nasceu em 1866, na Fazenda Monte Himalaya, na região atualmente entre os limites de Itaperuna e Bom Jesus do Itabapoana. Numa época de difícil acesso à educação na região, em especial a educação feminina, Amelia se destacou nas letras: após ter feito seus estudos no Rio de Janeiro, passou a publicar em jornais da região e também da capital. Rumorejos do Monte Himalaya, hoje considerado um livro raro, com essa nova edição da Série Memórias Fluminenses, passa a estar, felizmente, acessível ao público leitor.

Contamos com sua presença.





Lançamento do livro Rumorejos do Monte Himalaya
Data: 26/09/2019
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos
Praça Amaral Peixoto 13 - Centro.
Bom Jesus do Itabapoana - RJ



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O Clube do Livro e o prazer de uma boa leitura

Quando leio, deixo que o outro se aproxime de mim, com suas ambiguidades, suas verdades e mentiras. E vou me tornando mais livre, consciente de minhas próprias incertezas. Meu quintal cresce, e como aquele de Manoel de Barros, fica maior do que o mundo.

Já disse o historiador Leandro Karnal: "a ideia de estar na companhia de um livro é uma das ideias mais agradáveis que a nossa cultura inventou. Alguém que não lê terá uma infância muito solitária, uma juventude solitária, uma velhice muito solitária".

Pois de solidão não viverão os jovens que se reúnem em torno do Clube do Livro (Buchclub) em Bom Jesus, um grupo que tem em comum o amor à leitura e aos livros. E quando as pessoas se reúnem para comentar livros, isso só pode gerar boas ideias!



Como o bom leitor é generoso e gosta de compartilhar suas leituras, na última sexta-feira, membros do Clube do Livro foram ao ECLB apresentar proposta de realização de um evento literário, que com certeza será muito apreciado. A reunião, como não podia deixar de ser, ocorreu em nossa Biblioteca, é claro!


Anderson Fontes da Silva, Mayara Abreu Costa, Gabriel Ferreira, Diego Lemos, Luana Borges Scarpini, Heitor Pinheiro, administradores do Clube do Livro, e Paula Bastos, do ECLB.

Os preparativos do grupo já estão em andamento, e em breve esperamos divulgar a programação. Aguardem!


terça-feira, 2 de abril de 2013

ÉLCIO XAVIER FAZ DOAÇÃO DE SEU ACERVO DE LIVROS AO ESPAÇO CULTURAL LUCIANO BASTOS

   

      Neste sábado, dia 29 de Março, depois de anos acumulando um precioso acervo de livros, o poeta bonjesuense  Elcio Xavier, de 92 anos, chegou a nossa cidade para doar sua biblioteca particular, de quase mil volumes, ao Espaço Cultural Luciano Bastos.
     Autor consagrado de "O Véu da Manhã" e "Rosaquarium", desde cedo Élcio tomou gosto pela literatura, cuidando de seus inúmeros exemplares, companheiros de uma vida inteira, com um carinho apaixonado.
     Mesmo residindo longe de nossa cidade, nunca a esqueceu. Aqui conviveu com Padre Mello, Osório Carneiro, Athos Fernandes, dentre inúmeros companheiros das duas pequenas Bom Jesus de sua infância e juventude.
     Recepcionado por Claudia e Gino Bastos, filhos de seu amigo Luciano Bastos, e acompanhado do genro Otávio, Élcio Xavier visitou, emocionado, as dependências do antigo Colégio Rio Branco, que hoje tem seu acervo em exposição permanente. Na Biblioteca, foi feita a doação dos livros ao Espaço Cultural Luciano Bastos.
    O ECLB se sente honrado por receber tão valioso presente, que dentro em breve, estará à disposição da comunidade para consulta.

A chegada dos livros

No Espaço Cultural Luciano Bastos, vendo as reproduções dos primeiros jornais de Bom Jesus do Itabapoana.
     Gino Bastos e Élcio Xavier diante da Alauzet, impressora francesa do Século XIX, em exposição na Sala da Imprensa.
Na Biblioteca, assinando o Livro de Visitas




domingo, 3 de março de 2013

D. Amélia Gomes de Azevedo: uma escritora no Monte Himalaia

Amelia Gomes de Azevedo.
Desenho de Lilia Alves dos Santos, inspirado em fotografia gentilmente disponibilizada por Heloisa Piña Rodrigues, neta de Amelia. Fonte: Rumorejos do Monte Himalaya, v.5 SMF, 2019, Essentia Editora.

Paula Aparecida Martins Borges Bastos
Ampliado: 05/07/2023
Atualizado: 06/07/2023

     Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é justo fazer homenagem a uma escritora de nossa região, praticamente desconhecida por muitos. Sobre esse tema já mencionava o Sr. Antonio de Souza Dutra, no jornal A Voz do Povo, de 23/04/1966:

D. Amelia Azevedo
A. Sousa Dutra

Escritora e romancista Campista, injustamente esquecida entre nós, onde residiu por muitos anos, D. Amelia Gomes de Azevedo, filha do fazendeiro Jacintho Antonio de Azevedo e esposa do também fazendeiro João Lucas da Costa, nasceu a 15 de Abril de 1866 na fazenda do Monte Himalaia, distrito de Limeira, 15 º do município de Campos a que pertencia todo o território do nosso e do de Itaperuna.

Fez seus estudos na Côrte, como, então, era chamado o Rio de janeiro, iniciando-os aos 9 anos, como interna em um dos melhores colégios ali existentes. 

Para se chegar ao Rio a viagem era feita a cavalo de "Monte Himalaia" até Campos e dali até São João da Barra, onde se tomava um vapor para lá destinado. 

Foi assídua colaboradora do "Jornal do Comércio" em 1891 e do "Monitor Campista" em 1892, onde estampou a quase totalidade de seus trabalhos em português. 

Escrevendo em francês tomou parte em concursos disputadíssimos da revista "Les Causeries Familières" de Paris, tendo obtido o primeiro prêmio (Medalha de Ouro) no primeiro e no seguinte o segundo, causando grande admiração em um dos redatores o ter recebido de "um paiz tão longínquo páginas escritas em francês tão correto". 

Em 1894 publicou seu livro "Rumorejos do Himalaia" no qual enfeixou seus principais trabalhos em português e em francêz, e em 1896 seu romance "Mercedes", cuja ação se desenrola em uma praia campista que ela descreve com muita arte e minudência. 

A ilustre escritora que, como se vê, muito contribuiu para a difusão de nossa literatura no maior centro cultural do mundo que era, então, Paris, faleceu em 24 de setembro de 1929 aos 63 anos na fazenda de "São João", vizinha do "Monte Himalaia", então propriedade de seu esposo João Lucas da Costa. 

De seu talento disse Silvio Fontoura, que não foi pródigo em elogios: 
"D. Amelia é um dos mais radiosos talentos femininos no Brasil, o que há manifestado exuberantemente no "Mercedes", trabalho de um estilo leve e harmonioso em que transparece também sua alma feita de lírios olorando as outras almas submissas dos escravisados de outrora". 
  
Acervo: Espaço Cultural Luciano Bastos
Dedicatória de D. Amelia Gomes de Azevedo a seu pai,no livro "Rumorejos do Himalaia"

    "Rumorejos do Himalaia" faz parte do acervo do Espaço Cultural Luciano Bastos. Neste livro estão reunidos escritos publicados pela autora no Monitor Campista e na Gazeta Itaperunense, além dos premiados textos escritos em francês para a Revista Les Causeries Familières.

    A apresentação do livro foi realizada por Affonso Celso, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em que aponta sobre a autora:
"(...) basta dizer-vos que, solteira, em plena mocidade, privada de seu pae, administra com admiravel tino e energia um importantissimo estabelecimento agricola que d'elle herdou; conhece tão superiormente, como o proprio, varios idiomas estrangeiros; serve-se da palheta com verdadeira perfeição artística, escreve deliciosas composições, em que a correcção da fórma só é ultrapassada pela elevação do pensamento..."

  Sobre temas universais (guerra, exílio, as navegações), a autora construiu personagens masculinos que apontam para o reconhecimento da dignidade do universo familiar. À mulher reivindica-se sua importância histórica, como no escrito de 12 de outubro de 1892, em que não por acaso, ao final de "Christovão Colombo", lemos:
      Chistovão Colombo, o heróe por tanto tempo desconhecido e hoje acclamado, venceu, porque o coração generoso e magnanimo de uma mulher não repudiou suas aspirações, e, confiante como elle, estendeu-lhe mão protetora, murmurando-lhe também: - "Vai, confia!"
      Essa mulher chamou-se Isabel 

   O que impressiona em seus escritos é a maturidade com que abraçou o estilo romântico, tão em voga em seu tempo. 

     É nos escritos em francês, participando de concursos literários, que a especificidade regional e brasileira desponta, com as construções dignas de nosso romantismo: a natureza é exaltada em sua grandiosidade e até um velho índio sobrevivente vem contar sua história de fuga e extermínio. Não por acaso encontramos também Gonçalves Dias cantando o sabiá de nossas terras.

   Para os que buscam na literatura um pouco de história e crônica social, D. Amélia nos brinda com "Três dias no Himalaia". Escrito em francês em 1893, recebeu o primeiro prêmio no concurso literário Causeries Familières em Paris.

  Abaixo segue um trecho em transcrição livre, onde a personagem  descreve uma visita à fazenda produtora de café no Monte Himalaia. Após passarem pelas instalações onde estão as máquinas para o trabalho industrial onde se prepara o café para venda, visitam as casas dos colonos:

   Essas casas são bastante grandes, divididas em quatro ou seis partes, de acordo com o comprimento; e cada família, de acordo com o número de pessoas que possua, ocupa de 4 a 6 quartos, vivendo independente de seus vizinhos. Esses colonos são portugueses, e como era domingo e estávamos sendo esperados, suas casas estavam adequadamente arrumadas. Na sala, onde em geral são recebidas as visitas, se encontra sobre uma mesa encostada à parede a imagem de uma santa de sua devoção, cercada de vários objetos que as crianças gostam de colocar para enfeitar a mesa, tendo ao lado duas longas folhas de palmito, palmeira natural da terra.
   [...]
  Nas maiorias das fazendas, esse é o sistema adotado pelos proprietários rurais: as famílias que trabalham e que, ao fim do ano, dão ao proprietário a metade do que conseguem com a venda do café. A colonização europeia está em todo lugar; ela substituiu a escravidão subitamente interrompida por um ato do governo. Ainda que possa parecer que os proprietários rurais possam estar descontentes com a mudança, isso não ocorre, pois eles têm mais tranquilidade e liberdade que no tempo da escravidão, quando suas vidas estavam geralmente nas mãos dos escravos (...).


     A Sra. Heloisa Garcia Piña Rodrigues, filha de Adelia e neta de Amelia Gomes de Azevedo e João Lucas da Costa, possui um acervo familiar composto de documentos, fotografias, medalhas e quadros que remontam à época de seus avós. Alguns deles, fotografados e aqui expostos, ajudam a dimensionar as atividades literárias de Amelia e sua relação com a vida social em Bom Jesus do Itabapoana e arredores.

    Amelia Gomes de Azevedo estudou, quando criança, no Colégio Brasileiro, no Rio de Janeiro. Aluna aplicada, recebeu medalhas de honra ao mérito como a que se pode ver no acervo familiar:
Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues

       Fluente em francês, Amelia possuía um caderno de Provérbios, o qual provavelmente seria fonte de inspiração para utilizar em seus textos:
Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues

    Participando de concursos literários na Europa, acumulou medalhas que comprovam a qualidade de sua escritura em francês:

1º Prêmio Concurso de Prosa 1895, Paris Province. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.

Prêmio Concurso de Prosa 1896, Paris Province. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.

1º Prêmio Concurso de Prosa 1897, Paris Province. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.


Medalha de Honra. Academia artística, científica e literária de Hainaut. Membro Titular. 
Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.

    O casal Jacintho Antonio de Azevedo, açoriano, e Jesuína Gomes de Souza, brasileira, teve duas filhas: Amelia e Altina. Na foto abaixo, o pai ao lado das filhas:
Jacinto e as filhas Amelia e Altina. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.

    Amelia Gomes de Azevedo casou-se com João Lucas da Costa, português, passando a morar na Fazenda São João, de propriedade do esposo e vizinha da Fazenda Monte Himalaia.
Fazenda São João. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.



















Fazenda São João. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.
























Casa na Fazenda São João. Na frente. a direita, João Lucas da Costa. Ao fundo, a esquerda, Amelia Gomes de Azevedo. Dona Jesuína, sua mãe, também se encontra ao fundo. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.
    O casal Amelia Gomes de Azevedo e João Lucas da Costa teve uma única filha, Adelia de Azevedo Costa, nascida em 25 de julho de 1899.
   Padre Mello, também açoriano como o pai de Amelia, havia chegado a Bom Jesus do Itabapoana há pouco mais de um mês naquele mesmo ano de 1899. Foi sob suas bençãos que a jovem Adelia fez a Primeira Comunhão, além de ter recebido poemas do padre literata em diversas datas de seu aniversário.
Primeira Comunhão de Adelia, filha de Amelia Gomes de Azevedo e João Lucas da Costa,
realizada por Padre Mello. Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues


Acervo: Heloisa Garcia Piña Rodrigues.
  
   Passados dez anos da postagem original neste blog, é possível afirmar que a republicação das duas principais obras de autoria de Amelia Gomes de Azevedo, "Rumorejos do Monte Himalaya" e "Mercedes", ocorrida nos últimos anos, caminha no sentido de desfazer o desconhecimento, por parte do público leitor, daquela que foi, ao que tudo indica, a primeira escritora da região noroeste fluminense, como destacou Arthur Soffiati:

      Em 2019, uma nova edição de "Rumorejos do Monte Himalaya" é publicada pela Série Memórias Fluminenses, da Essentia Editora. O lançamento da obra foi realizado em Bom Jesus do Itabapoana, com a presença dos organizadores, Paula Aparecida Martins Borges Bastos e Pedro Paulo Garcia Ferreira Catharina, nos dias 26 e 17 de setembro, no ECLB (confira aqui) e IFF campus Bom Jesus (confira aqui), respectivamente. O livro está disponível em formato digital:

    Em 2023, uma nova edição de "Mercedes" (original de 1896) é publicada pela Editora O Norte Fluminense, em formato digital, sob organização e prefácio de Paula Aparecida Martins Borges Bastos. O livro pode ser acessado no seguinte endereço:

Para saber mais sobre Amelia Gomes de Azevedo e sua produção literária, veja também:

Uma escritora pioneira. Arthur Soffiati. 2019.

Barra do Furado pelo olhar de uma escritora do século XIX. Arthur Soffiati. 2020. 

Amelia Gomes de Azevedo: uma mulher de letras na Província do Rio de Janeiro em fins do século XIX. Paula Aparecida Martins Borges Bastos. 2022.

É permitida a reprodução do conteúdo deste blog em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.





domingo, 24 de junho de 2012

DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO: 2ª Oficina Literária do ECLB

A 2a. Oficina Literária do ECLB  intitulada "Drummond no meio do caminho", ministrada pelo Professor de Literatura e de Língua Portuguesa, Ator e Autor Adriano Moura, de Campos dos Goytacazes (RJ), superou as expectativas, levando os participantes a se sentirem motivados a se dedicar à literatura e fazer poesias.

Segundo Moura, Carlos Drummond de Andrade  pertenceu à geração de modernistas  da década de 1930, rompendo com as regras dominantes e escrevendo poesias sem métricas, sem rimas e com repetição do uso de termos. Acentuou, por outro lado, que "fazer poesia não é fazer confissão dos sentimentos, mas realizar a transposição do que sentimos em uma linguagem que venha a ter um alcance universal. Drummond foi o maior poeta brasileiro, mas foi expulso da escola por contrariar as regras da gramática", assinalou.

O oficineiro fez a introdução à obra de Drummond através de suas poesias "Poemas de sete faces", "Balada do amor através das idades" e "No meio do caminho".

Os participantes foram levados a criar poesias e a realizar uma encenação teatral, com base em texto drummondiano.

A professora Eliane Costa de Almeida, da Escola Estadual Horácio Plínio, de Bom Jesus do Norte (ES), assinalou que "é com a literatura que iremos conseguir fazer o mundo ser melhor", registrando ainda a importância do ECLB para a região. Participaram também da oficina a professora Vilma Correia da Silva, do Instituto Estadual de Educação Éber Teixeira de Figueiredo e da Escola Estadual Roberto Silveira, os membros da Academia Bonjesuense de Letras Paulo Xavier e Tereza Cristina Lima Nazareth, o escritor Mateus Verdan, os atores da Cia de Teatro América Latina Bianca Gonçalves, Hudson Furtado, Moacir Neto, Hyago de Paulo, William Valadão, Matheus Di Oliveer, Isadora Chiesa, Auxiliadora Carvalho, Adriana Peixoto e a advogada de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Lucília Stanzani, entre outros.

domingo, 10 de junho de 2012

DRUMMOND E PORTINARI: DOIS GRANDES MESTRES BRASILEIROS


A MÃO
  Carlos Drummond de Andrade


Entre o cafezal e o sonho
o garoto pinta uma estrela dourada
na parede da capela,
e nada mais resiste à mão pintora.
A mão cresce e pinta
o que não é para ser pintado mas sofrido.
A mão está sempre compondo
módul-murmurando
que escapou à fadiga da Criação
e revê ensaios de formas
e corrige o oblíquo pelo aéreo
e semeia margaridinhas de bem-querer no baú dos vencidos.
A mão cresce mais e faz
do mundo-como-se-repete o mundo que telequeremos
A mão sabe a cor da cor
e com ela veste o nu e o instável.
Tudo tem explicação porque tudo tem (nova) cor.
Tudo existe porque foi pintado à feição de laranja mágica
não para aplacar a sede dos companheiros,
principalmente para aguçá-la
até o limite do sentimento da Terra domicílio do homem.

Entre o sonho e o cafezal
entre guerra e paz
entre mártires, ofendidos,
músicos, jangadas, pandorgas,
entre os roceiros mecanizados de Israel
a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil
entre o amor e o ofício
eis que a mão decide:
Todos os meninos, ainda os mais desgraçados,
sejam vertiginosamente felizes
como feliz é o retrato
múltiplo verde-róseo em duas gerações
da criança que balança como flor no cosmo
e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente
em seu poder de encantação.

Agora há uma verdade sem angústia
mesmo no estar-angustiado.
O que era dor é flor, conhecimento
plástico do mundo.
E por assim haver disposto o essencial,
deixando o resto aos doutores de Bizâncio,
bruscamente se cala
e voa para nunca-mais
a mão infinita
a mão-de-olhos-azuis de Cândido Portinari.


Confira filme com imagens de Portinari pintando Guerra e Paz realizado por Silvio Tendler, e leitura do poema "A Mão" feita pelo próprio Drummond. Um deleite disponibilizado pela Fundação Portinari:

http://www.youtube.com/watch?v=p5QWm4O7FPg&feature=relmfu

sábado, 9 de junho de 2012

2a. OFICINA LITERÁRIA DO ECLB: "DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO"

                        No meio do caminho tinha uma pedra
                        tinha uma pedra no meio do caminho
                        tinha uma pedra
                        no meio do caminho tinha uma pedra.

                        Nunca me esquecerei desse acontecimento
                        na vida de minhas retinas tão fatigadas.
                        Nunca me esquecerei que no meio do caminho
                        tinha uma pedra
                        tinha uma pedra no meio do caminho
                        no meio do caminho tinha uma pedra.
 Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930


"Drummond no meio do caminho" é uma oficina que desenvolve atividades e técnicas de expressão poética a partir de poemas do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, que completaria 110 anos de nascimento em 2012. Os exercícios poéticos utilizados se originam de recursos expressivos e de temáticas comuns à obra do poeta de Itabira. Busca-se uma intertextualidade verbal e visual para que os versos de Drummond saiam das páginas de seus livros e ganhem novos significados nas mãos dos que, durante a oficina, não atuam apenas como leitores, mas também autores.

Com Adriano Moura, professor de Literatura e Língua Portuguesa, autor e ator teatral.

Sábado, 23 de junho de 2012, das 14h às 16h
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos

Vagas Limitadas. Inscrição: R$40,00.
Facilitação para Alunos e Professores.
Informações: (22)3831-1056
                       espacoculturallucianobastos@ig.com.br

sábado, 26 de maio de 2012

SÁBADO CULTURAL EM BOM JESUS: OCORRE A 1ª OFICINA LITERÁRIA DO ECLB

Na abertura do evento, um belo momento musical de saxofone e violão, tocados por Vanessa e Deuslene.
Momento Musical: Vanessa e Deuslene
Em seguida a contadora de histórias Maria Elvira Tavares Costa iniciou a Oficina "Rubem Braga e o Poder da Palavra", afirmando que "quando você conta história, a criança vem".

A mestra, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), conterrânea de Rubem Braga, emocionou o público relatando fatos importantes da vida do cronista, que "escrevia os fatos do mundo a partir da visão do homem do interior".
 
A contadora de histórias Maria Elvira
A contadora de histórias assinalou que Rubem Braga possuía sua "alma ligada a raízes simples interioranas e sensíveis de toda a sua família", mencionando, como exemplo, o seguinte texto:

"... Com pobre a gente tem de ser muito delicado, me
u filho" (in O Compadre Pobre, de 1952).

Rubem Braga "teve suas crônicas publicadas nos maiores jornais do país durante aproximadamente cinco décadas" e é considerado , por muitos, como "o maior cronista do século XX no Brasil e pelo fato de ter sido o único escritor a conquistar um lugar definitivo na literatura, exclusivamente, como cronista", afirmou a autora cachoeirense.

Ao final do memorável evento, Maria Elvira fez uma grande revelação: o consagrado cantor e compositor cachoeirense, Sérgio Sampaio, autor do antigo êxito "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua", chegou a compor uma música para uma musa de Bom Jesus do Itabapoana, intitulada "Em nome de Deus", onde consta os versos:

"eu nunca pensei que pudesse querer
alguma mulher como quero você

...
agora que estou à mercê de sua luz,
em nome das águas lá de Bom Jesus",

Tal canção revelaria, segundo Maria Elvira, "a relação passional entre Cachoeiro de Itapemirim e Bom Jesus do Itabapoana".
Veja os vídeos das músicas "Em nome de Deus" e "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua".
http://www.youtube.com/watch?v=GLFLQAGYVX8
http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&NR=1&v=4Gz_3rFWGdw

Maria Elvira fez questão de registrar, ainda, que "temos de recuperar a capacidade de sonhar e sonhar juntos na construção de um mundo melhor",
doando obras de (e sobre) Rubem Braga, além de outros autores cachoeirenses, para a Biblioteca do ECLB.
 
Vários participantes estiveram presentes, entre eles a dra. Nísia Campos, presidente do Instituto de Letras e Artes (ILA) Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo, os novos membros da Academia Bonjesuense de Letras (ABDL), Tereza Cristina Lima Nazareth de Jesus - que declamou uma poesia - Paulo Xavier e Gino Martins Borges Bastos, os jovens atores Bianca Gonçalves e Moacir Neto, e Adriana Peixoto, dirigente da Cia de Teatro América Latina, a advogada cachoeirense Lucília Stanzani, que intermediou a vinda de Maria Elvira a Bom Jesus, e professor representante do Colégio Santa Rita de Cássia.

A 2a. Oficina Literária do ECLB  está confirmada e ocorrerá no dia 23 de junho, às 14 h, com o autor teatral Adriano Moura, de Campos dos Goytacazes, com a oficina "DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO", sobre leitura e criação poética a partir dos textos de Carlos Drummond de Andrade, em comemoração aos 110 anos de seu nascimento.



sábado, 19 de maio de 2012

RUBEM BRAGA E O PODER DAS PALAVRAS

Oficina Literária no ECLB

Bate-papo sobre Literatura e Humanidades

Com Maria Elvira Tavares Costa – Contadora de Histórias


              Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro de Itapemirim, ES. Reconhecido por muitos como o maior cronista brasileiro do século XX, foi o único escritor a se dedicar exclusivamente às crônicas, elevando-as, com a qualidade e importância de sua obra, à condição de gênero literário.

      Escreveu por mais de cinco décadas nos principais jornais do país, sensibilizando e formando opiniões.

      Foi correspondente da Segunda Guerra Mundial, Chefe do Escritório Comercial do Brasil no Chile e Embaixador do Brasil em Marrocos.

      Amigo pessoal, entre outros, de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Manoel Bandeira - que dizia que Rubem escrevia ainda melhor quando não tinha assunto.

      Foi um menino do interior que, mesmo levantando grandes voos, nunca perdeu de vista sua pequena cidade e os ensinamentos de rara humanidade ali aprendidos.

      Conhecer um pouco da obra e da vida de Rubem Braga é presentear-se com um mergulho em nossas próprias almas – lugar onde mora todo o nosso poder!

      Rubem Braga faleceu aos 19 de dezembro de 1990, no Rio de Janeiro. Suas cinzas, a seu pedido, foram lançadas no Rio Itapemirim, em seu torrão natal. Rio abaixo, nas águas de sua infância, ele retornou ao mar, onde, certamente, brinca alegremente com belas sereias!

      Venha participar conosco!

Dia 26 de maio de 2012, às 14h
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos
Praça Amaral Peixoto, 13, Centro. Bom Jesus de Itabapoana, RJ.
Tel: (22) 3831-1056
espacoculturallucianobastos@ig.com.br

Vagas Limitadas. Inscrição: R$40,00.

Facilitação para alunos e professores.