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domingo, 24 de junho de 2012

DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO: 2ª Oficina Literária do ECLB

A 2a. Oficina Literária do ECLB  intitulada "Drummond no meio do caminho", ministrada pelo Professor de Literatura e de Língua Portuguesa, Ator e Autor Adriano Moura, de Campos dos Goytacazes (RJ), superou as expectativas, levando os participantes a se sentirem motivados a se dedicar à literatura e fazer poesias.

Segundo Moura, Carlos Drummond de Andrade  pertenceu à geração de modernistas  da década de 1930, rompendo com as regras dominantes e escrevendo poesias sem métricas, sem rimas e com repetição do uso de termos. Acentuou, por outro lado, que "fazer poesia não é fazer confissão dos sentimentos, mas realizar a transposição do que sentimos em uma linguagem que venha a ter um alcance universal. Drummond foi o maior poeta brasileiro, mas foi expulso da escola por contrariar as regras da gramática", assinalou.

O oficineiro fez a introdução à obra de Drummond através de suas poesias "Poemas de sete faces", "Balada do amor através das idades" e "No meio do caminho".

Os participantes foram levados a criar poesias e a realizar uma encenação teatral, com base em texto drummondiano.

A professora Eliane Costa de Almeida, da Escola Estadual Horácio Plínio, de Bom Jesus do Norte (ES), assinalou que "é com a literatura que iremos conseguir fazer o mundo ser melhor", registrando ainda a importância do ECLB para a região. Participaram também da oficina a professora Vilma Correia da Silva, do Instituto Estadual de Educação Éber Teixeira de Figueiredo e da Escola Estadual Roberto Silveira, os membros da Academia Bonjesuense de Letras Paulo Xavier e Tereza Cristina Lima Nazareth, o escritor Mateus Verdan, os atores da Cia de Teatro América Latina Bianca Gonçalves, Hudson Furtado, Moacir Neto, Hyago de Paulo, William Valadão, Matheus Di Oliveer, Isadora Chiesa, Auxiliadora Carvalho, Adriana Peixoto e a advogada de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Lucília Stanzani, entre outros.

domingo, 10 de junho de 2012

DRUMMOND E PORTINARI: DOIS GRANDES MESTRES BRASILEIROS


A MÃO
  Carlos Drummond de Andrade


Entre o cafezal e o sonho
o garoto pinta uma estrela dourada
na parede da capela,
e nada mais resiste à mão pintora.
A mão cresce e pinta
o que não é para ser pintado mas sofrido.
A mão está sempre compondo
módul-murmurando
que escapou à fadiga da Criação
e revê ensaios de formas
e corrige o oblíquo pelo aéreo
e semeia margaridinhas de bem-querer no baú dos vencidos.
A mão cresce mais e faz
do mundo-como-se-repete o mundo que telequeremos
A mão sabe a cor da cor
e com ela veste o nu e o instável.
Tudo tem explicação porque tudo tem (nova) cor.
Tudo existe porque foi pintado à feição de laranja mágica
não para aplacar a sede dos companheiros,
principalmente para aguçá-la
até o limite do sentimento da Terra domicílio do homem.

Entre o sonho e o cafezal
entre guerra e paz
entre mártires, ofendidos,
músicos, jangadas, pandorgas,
entre os roceiros mecanizados de Israel
a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil
entre o amor e o ofício
eis que a mão decide:
Todos os meninos, ainda os mais desgraçados,
sejam vertiginosamente felizes
como feliz é o retrato
múltiplo verde-róseo em duas gerações
da criança que balança como flor no cosmo
e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente
em seu poder de encantação.

Agora há uma verdade sem angústia
mesmo no estar-angustiado.
O que era dor é flor, conhecimento
plástico do mundo.
E por assim haver disposto o essencial,
deixando o resto aos doutores de Bizâncio,
bruscamente se cala
e voa para nunca-mais
a mão infinita
a mão-de-olhos-azuis de Cândido Portinari.


Confira filme com imagens de Portinari pintando Guerra e Paz realizado por Silvio Tendler, e leitura do poema "A Mão" feita pelo próprio Drummond. Um deleite disponibilizado pela Fundação Portinari:

http://www.youtube.com/watch?v=p5QWm4O7FPg&feature=relmfu

sábado, 9 de junho de 2012

2a. OFICINA LITERÁRIA DO ECLB: "DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO"

                        No meio do caminho tinha uma pedra
                        tinha uma pedra no meio do caminho
                        tinha uma pedra
                        no meio do caminho tinha uma pedra.

                        Nunca me esquecerei desse acontecimento
                        na vida de minhas retinas tão fatigadas.
                        Nunca me esquecerei que no meio do caminho
                        tinha uma pedra
                        tinha uma pedra no meio do caminho
                        no meio do caminho tinha uma pedra.
 Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930


"Drummond no meio do caminho" é uma oficina que desenvolve atividades e técnicas de expressão poética a partir de poemas do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, que completaria 110 anos de nascimento em 2012. Os exercícios poéticos utilizados se originam de recursos expressivos e de temáticas comuns à obra do poeta de Itabira. Busca-se uma intertextualidade verbal e visual para que os versos de Drummond saiam das páginas de seus livros e ganhem novos significados nas mãos dos que, durante a oficina, não atuam apenas como leitores, mas também autores.

Com Adriano Moura, professor de Literatura e Língua Portuguesa, autor e ator teatral.

Sábado, 23 de junho de 2012, das 14h às 16h
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos

Vagas Limitadas. Inscrição: R$40,00.
Facilitação para Alunos e Professores.
Informações: (22)3831-1056
                       espacoculturallucianobastos@ig.com.br