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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Escola de Professores do Ginásio Rio Branco





Com as comemorações do dia do Professor se aproximando, desejamos trazer a memória e a história da formação de professores do antigo Ginásio Rio Branco, como homenagem aos dedicados mestres de ontem e de hoje. 

O ano de 1951 foi um marco importante na história de Bom Jesus, pela ampliação do seu setor educacional. Por ato do então Governador do Estado do Rio de Janeiro, Edmundo Soares e do Secretário de Estado da Educação, José de Moura e Silva, foi criada a Escola de Professores anexa ao Ginásio Rio Branco.


Em 17.02.1949, o sr. Olívio Bastos, diretor do Colégio Rio Branco, já anunciava que em breve Bom Jesus teria a tão almejada Escola de Professores. "Já estava se fazendo sentir a falta, nesta cidade, de uma escola de professores, a fim de que, aqui mesmo, se formassem os futuros mestres e mestras de nossa mocidade."


                                 

Jornal O Norte Fluminense, 17.02.1949 


No dia 24 de fevereiro de 1951, o jornal A Voz do Povo traz o anúncio da criação da Escola Normal, por ato do governador Edmundo Soares publicado em 26 de janeiro no Diário Oficial. 



Jornal A Voz do Povo, 24.02.1951


Escola Normal em Bom Jesus 

Funcionará junto ao Ginásio Rio Branco um curso de professoras – Mais uma vitória do sr. Olívio Bastos 


Por ato ainda do governo do cel. Edmundo de Macedo Soares e Silva, publicado no Diário Oficial do Estado em 26 de janeiro do corrente ano, foi criado junto ao Ginásio Rio Branco, desta cidade, um curso de professoras, que deverá reger-se pelas legislações federal e estadual aplicáveis à espécie.

Foi, sem dúvida alguma, mais uma vitória alcançada pelo sr. Olívio Bastos, proprietário de nosso Ginásio, que terá assim ampliado o seu campo de ação em benefício do ensino em nossa terra.

Como se sabe, a criação dessa Escola Normal era de há muito um dos maiores desejos do sr. Olívio Bastos, não só por possibilitar às formandas do educandário o ensejo de frequentar mesmo em Bom Jesus o curso de professoras, como também em virtude do consequente barateamento dos estudos. Conseguindo, portando, o seu intento, merece aquele cidadão os aplausos dos bonjesuenses, que terão de ora em diante um Ginásio muito melhor aparelhado a seu serviço.

Bom Jesus, a cada dia que passa, cresce no conceito das outras cidades como uma comuna altamente civilizada, onde o amor pelo estudo e pelas coisas do espírito é a característica principal dos habitantes.

Por isso, um curso de professoras será para nós um melhoramento inestimável, conseguido, aliás, graças ao temperamento empreendedor do sr. Olívio Bastos.

Deste modo, registrando nestas linhas tão auspiciosas notícias para os bonjesuenses, valemo-nos do ensejo para apresentar ao sr. Olívio Bastos os nossos parabéns, augurando ao Ginásio Rio Branco e todo o seu corpo docente muitas vitórias e alegrias nos dias futuros.







Quadro de Honra do Ginásio Rio Branco: as irmãs Maria Apparecida Gonçalves Dutra e Lucia Gonçalves Dutra: primeiro e segundo lugar do recém criado Curso Normal. 

Jornal A Voz do Estudante, outubro de 1951. 





                                             Jornal A Voz do Estudante, outubro de 1951. 

Admissão ao Curso Normal

O Ginásio Rio Branco organiza presentemente um curso preparatório para os exames de Admissão à Escola de Professores. As aulas iniciar-se-ão a 20 de Novembro próximo. Urge que os interessados façam de imediato as suas inscrições, para melhores esclarecimentos.



 As professoras formandas da primeira turma de 1953 ao lado da Diretora da Escola, Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira: 

Therezinha Mansur, Maria Apparecida Gonçalves Dutra, Maria Stella de Oliveira Silva, Maria José Borges, Celia Carvalho Machado, Neuza Tinoco de Siqueira, Leysa Serodio de Mello, Dulce Pedrosa Leandro, Aryete Aguiar Talyuli, Maria Ferreira Ferolla, Juracy Aquino de Aguiar, Laura Silveira, Amélia Sallim, Lucia Gonçalves Dutra, Therezinha Namen Chalhoub, Aline Borges Campos, Maria da Penha de Freitas, Octalia Junia Fiori Boechat e Shirley da Conceição Loureiro.



  

 "Imponentes as solenidades de formatura no Ginásio Rio Branco

A festa de encerramento das atividades letivas deste ano com a entrega de diplomas à primeira turma de professoras formada em Bom Jesus e a entrega de certificados a inúmeros concludentes do curso ginasial, foi um espetáculo deslumbrante para não dizer consagrador, aos esforços daqueles que, no recesso de seus gabinetes e no respeitável exercício da cátedra, inoculam o saber nos cérebros ávidos de conhecimento, dos homens e mulheres que amanhã farão a grandeza do Brasil. A presença de tanta gente, das altas autoridades civis, militares, do clero, prestigiando as solenidades do "Rio Branco" foi um justo e merecidíssimo prêmio a todos que mourejam naquele exemplar estabelecimento de ensino."

Jornal O Norte Fluminense, 27.12.1953






























O Colégio Rio Branco, fundado em 1920, iniciou suas atividades na rua Aristides Figueiredo. Havia internato e externato. Em 1930 foi transferido para o prédio no Alto de Santa Rita, atual Praça Amaral Peixoto. Logo Bom Jesus tornou-se polo educacional da região, tendo sido o primeiro colégio a oficializar o ensino ginasial, isto em 1936.

Com noventa anos de serviços educacionais no Vale do Itabapoana, encerrou as atividades após o falecimento de seu diretor Luciano Bastos, em fevereiro de 2011.

Em Agosto de 2011, no mesmo local, foi criado o Espaço Cultural Luciano Bastos, homenageando aquele que por 53 anos esteve à frente da direção da escola. 

 Claudia M. B. Bastos do Carmo


                                                   


É permitida a reprodução do conteúdo deste blog em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.




sexta-feira, 6 de abril de 2018

Waldelia Couto: ex-aluna do Ginásio Rio Branco

      Waldelia Couto: ex-aluna do Ginásio Rio Branco (1951-1954 / 1958-1961)


Waldelia Couto, nascida em Bom Jesus no dia 18 de abril de 1938, é filha do alfaiate Waldemar da Silva Moço e de Magnolia Couto. Trabalhou no comércio e se aposentou como comerciante. Viúva, tem uma filha, a professora e policial Maria Angélica Couto. 

Hoje, Waldelia mora numa aprazível residência onde cuida com carinho de suas plantas e animais. É ali que ela nos recebe e relembra, com saudade e emoção, o período em que estudou no Ginásio Rio Branco. Era 1951, a mãe havia falecido precocemente, estudava o 1º semestre no internato do Colégio de Muqui, ES, e o pai decidiu matriculá-la no Rio Branco, onde permaneceu até 1954, retornando em 1958 para o Curso Técnico em Contabilidade, concluído em 1961.

ECLB: Onde fez o curso primário?
WaldeliaIniciei o curso primário com d. Mariquinha Baptista, irmã de d. Carmita, muito rigorosa. Minha lembrança mais antiga são as redações, que iniciavam sempre assim: "Vejo um quadro...". Os quadros na parede eram ilustrados com figuras como: uma menina num lago, flores e animais.

ECLB: Quais são as melhores recordações que tem do Ginásio Rio Branco? 

Waldélia: Lembro-me com saudades da nossa turma do ginásio, bem agitada, das aulas na sala de vidro. Entrávamos na escola, as meninas por um lado, meninos pelo outro. Nosso uniforme era blusa branca, de manga curta, com laço azul; a saia era azul, reta nos quadris, duas pregas e comprimento até o joelho. Além das matérias tradicionais, havia aulas de francês, latim e canto orfeônico.



ECLB: Como eram as aulas de Educação Física?
Waldelia: Chegávamos cedinho e descíamos para o pátio, sentando na escada, aguardando quietinhos a professora, d. Judith Arantes, pois não podíamos ficar andando livres pelo pátio. Nosso uniforme era uma blusa de tecido e bombacha. Ao terminar a aula, íamos para casa tomar banho, café, e retornávamos para as aulas.
Quando se aproximavam as comemorações do 7 de Setembro, D. Judith treinava as apresentações de ginástica rítmica e dança. No dia do desfile tínhamos que marchar muito bem pelas ruas, e ao terminar, havia concentração em frente ao Ginásio, com apresentações cívicas. Uma colega, Olívia, sempre cantava nessas ocasiões. 


ECLB: Quem eram os seus professores do curso ginasial?

Waldelia: A professora de Francês era Solange, filha do dr. Colombino Teixeira. Sempre gostei muito de línguas, por isso meu pai pagava aula particular com o professor Orlando Azeredo, que havia sido diretor do Instituto Euclides da Cunha. Lembro de D. Solange lendo Ovídio em francês para nós. Iniciávamos as aulas cantando o Hino da França. Mais tarde, tive também aulas de francês com dr. Helio.

O professor Deosdeth foi o responsável pelo meu interesse em Geografia, ele tinha um método agradável de ensinar. Eu adorava suas aulas, estudar no mapa mundi todas as capitais do mundo, os rios e seus afluentes. 


D. Carmita era nossa Diretora e, ao mesmo tempo, professora de História. Os alunos tinham que trazer, no dia seguinte à aula, um questionário sobre o tema dado. Se não soubesse no dia seguinte, ela rasgava os escritos, e tinha que escrever de novo. 

Dr. Chiquinho era o professor de Português e de Matemática e costumava me chamar para escrever no quadro negro, pois eu tinha uma letra muito bonita. Mas um dia escrevi algo errado e quando ele bateu na porta de vidro irritado cheguei a estremecer; a partir desse dia, não quis mais ir ao quadro negro. 

D. Sally Wanderley era a professora de Canto Orfeônico. Lembro até hoje uma das músicas que cantávamos: “Vento que balança as palhas do coqueiro...” Nas reuniões do Grêmio, havia muitas apresentações musicais e declamações, feitas na sala principal do Ginásio - onde hoje é a biblioteca do ECLB. Lembro muito de uma colega que se apresentava cantando músicas italianas, como “Santa Lucia”. No final do ano, havia a temida prova oral, D. Sally soprava o diapasão e o aluno tinha que cantar afinado; e na prova escrita, havia ditado, e biografia dos músicos. 

Dr. Helio, professor de Latim. Ao entrar na sala, subia no tablado onde estava a mesa, e sempre ajeitava a gravata antes de assinar o ponto. 

Maria Stella Valinho era professora de Trabalhos manuais e Yolanda Ferolla era professora de Desenho. D. Nilza Paris Scott (esposa de Aurélio Damião) era professora de Matemática e Trabalhos manuais. 

ECLB: Lembra-se de outros funcionários do Rio Branco?
Waldelia: Lembro de D. Ruth Fragoso Silveira na Secretaria. Lembro também de Eli, o funcionário da limpeza, que estava sempre passando o pano no chão de madeira, deixando-o clarinho; era muito requisitado por d. Carmita. Não poderia deixar de citar os temidos Chefes de Disciplina: d. Lenita e sr. Rosendo.

ECLB: Pode apontar alguns colegas da época em que estudou?
Waldélia: Dentre os colegas de ginásio e comércio, relembroCelia Lumbreras, Maria Alexandrina Bastos, Aldany Ferreira, Celma Alves, Julia Moreira, Clair Ribeiro (filha do Pastor Ribeiro, da Igreja Batista) e Afonso Rezende. No curso Técnico de Contabilidade, Izany Baptista e Pepita (Josefa Hernandes, sobrinha do pai de Tino Marcos) e Fernando Osório (filho de Osório Carneiro).


Waldelia: formatura do curso ginasial em 1954


ECLB : Você se lembra de algum fato pitoresco de sua época de estudante no Rio Branco? 

Waldelia: Me lembro de alguns fatos da época de ginásio. Nas aulas de educação física, quando jogávamos uns contra os outros, não era permitido comemorar alto, sob o risco de levar castigo. Num dia em que fizemos muita algazarra, o chefe de disciplina, sr. Rozendo, reuniu os alunos e deu uma longa lição de moral. Ouvimos todos quietos. Quando ele terminou, alguns meninos não resistiram e gritaram em coro: “Ah, ah, ah”. 



Num dia de arguição com Dr. Helio, professor de Latim, valendo nota, comentei com o colega Wanderley que não estava preparada. Ele me disse para não se preocupar, virou para o professor e disse: “Dr. Helio, eu não acredito em Deus!” – ele, católico praticante, ficou horrorizado e iniciou uma lição sobre o assunto, o tempo passou, e... não houve arguição. 


Durante uma aula de trabalhos manuais com D. Nilza Paris Scott (esposa de Aurélio Damião), estávamos todas bordando, em silêncio. De repente, uma das colegas começou a cantarolar baixinho. D. Nilza logo perguntou “Quem está cantando?” A turma gelou. Era a colega Yeda, que se levantou, admitiu ter sido ela e levou "bronca". 

ECLB: Onde estudou após terminar o ginásio?
Waldelia: Após o curso ginasial no Rio Branco fiz o Curso Científico no Colégio de Calçado, lá deixei boas amizades.

Waldelia e colegas do curso Científico no Colégio de Calçado

ECLB: Entrou logo depois do Científico para o Rio Branco?
Waldelia:  Não imediatamente. Após me formar em Calçado, consegui meu primeiro emprego no Colégio Zelia Gisner, de Adelia Bifano. Registrava notas, entregava diários de classe e cadernetas; além disso, vários professores pediam para datilografar trabalhos em casa, pois escrevia muito bem.
Um dia, encontrei com Boanerges Silveira, pai de Roberto Silveira, pedi e ele conseguiu uma bolsa de estudos para o Ginásio Rio Branco. Passei então a trabalhar e paralelamente frequentar o curso noturno de Técnico de Contabilidade, e me formei em 1961.




ECLB: Conte um pouco sobre a sua vida profissional.
Waldelia: Aos 18 anos passei a trabalhar na Gráfica Gutenberg, com carteira assinada, onde permaneci cerca de três anos. Aprendi com os 
irmãos Esio e Luciano Bastos, a ser organizada e disciplinada, eram muito exigentes e honestos; sempre ajudavam os funcionários quando eles precisavam. Todas as noções relativas ao comércio aprendi com eles.
Quando o gerente, sr. Joaquim Gonçalves (tio de Celso Pedrosa) foi embora, passei a realizar mais funções, ajudando a atender viajantes, separar a mercadoria que chegava e organizar os produtos nas prateleiras de acordo com as seções: brinquedos, material escolar, prata, ouro, lingerie (marca Etan e Valisere), presentes.
A grande marca de cosméticos da época, Helena Rubenstein, mandava algumas vezes uma representante para fazer demonstração dos produtos de maquiagem, muito apreciada pelas freguesas.

Gráfica Gutenberg: anúncio em jornal de 1961

Lembro de um fato interessante: um dia veio um fiscal de Itaperuna, e após o serviço permaneceu muito tempo na loja, sem pressa de ir embora. Aproveitei e vendi um piano para ele.


Quando saí da Gráfica, fui convidada para trabalhar como contadora no antigo Armazém do José Bastos. Não me adaptava ao escritório, pois era junto com o atacado, sempre cheio de sacos de cebola e batata. Sugeri a José Bastos a venda de roupas e ele achou que era viável. E lá fui eu para a minha primeira compra em São Paulo, acompanhando d. Ceni, uma senhora de Itaperuna. As vendas foram um sucesso. Separou-se então um espaço no Armazém para a venda de roupas, com uma porta dando para a rua José Eid.

Mais tarde, passei a trabalhar por conta própria, vendendo roupas em minha própria casa. Contando com o auxílio das amigas Eunice e Terezinha Almeida, que ajudaram na propaganda, e com muita dedicação ao negócio, as vendas foram um sucesso. Depois abri uma loja em frente à minha casa: a "Loja da Waldelia", que vendia presentes em geral: bijuterias, louça,  roupas, brinquedos... Foi a primeira loja de Bom Jesus a ter vitrine de vidro - de noite as pessoas até paravam para admirar.


ECLB: Gostaria de deixar aqui registrado alguma mensagem para os ex-alunos ou para o ECLB?


Waldelia: Agradeço a vocês por terem lembrado de mim, e aos meus queridos colegas mando saudades daquele tempo, que apesar de tudo foi o mais feliz da minha vida.


O Colégio Rio Branco foi fundado em 1920 e encerrou suas atividades em 2010, após noventa anos de atividades educacionais. O Espaço Cultural Luciano Bastos busca preservar a história e a memória do Colégio Rio Branco e de Bom Jesus do Itabapoana. Foto: Mapa de Cultura do Rio de Janeiro / Diadorim Ideias













        



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Antonio Ferreira Moutinho, ex-aluno do Ginásio Rio Branco


Antonio Ferreira Moutinho: aluno do Ginásio Rio Branco de 1953 a 1959



Antonio Ferreira Moutinho, aluno do Ginásio Rio Branco de 1953 a 1959, quando se formou no Curso Tecnico de Contabilidade, voltou hoje com a esposa Maria Aparecida Passalini ao local onde estudou, numa visita cheia de emoção ao Espaço Cultural Luciano Bastos.


Antonio cursou o primário na Escola Cândida Póvoa, em Apiacá, ES, onde residia com os pais, José de Souza Moutinho (Sr. Juca) e Maria Ferreira Moutinho. Piquita foi sua primeira professora, e relembra com carinho o diretor Idalino Monteiro e esposa Benedita Monteiro. 

Zelosos, os pais decidiram fixar residência em Bom Jesus do Itabapoana para que ele pudesse prosseguir os estudos no Ginásio Rio Branco, onde fez o curso ginasial (1953-1956) e o curso técnico de contabilidade (1947-1959).

Após se formar, em 1959, Antonio mudou-se no ano seguinte para o Rio, “logo após a implantação de Brasília”, e seu primeiro emprego foi na famosa empresa de cosméticos “Helena Rubinstein”. Em 1962 passou por concurso público para o IPASE, em 1970 formou-se em Direito pela Faculdade Cândido Mendes, e após tornou-se Procurador do antigo INSS, onde se aposentou. 

Durante a visita, o ex-aluno viu as fotos da década de 1950 e relembrou histórias e colegas da época de estudante. Antonio também identificou, nas imagens, antigos professores como Dr. Francisco Baptista de Oliveira, Dr. Helio Bastos Borges, Dra. Helena Pimentel e Lauro Hipólito. 

Dentre os colegas de ginásio e comércio relembra o futuro Juiz dr. José Ronaldo Cirillo - em cuja casa se reuniam para estudar para as provas mais difíceis, Braz Cirillo Viceconti, Egon Bulhman, Pedro Carlos, Juvenil, Paulo Gilberto, Luiz Sergio Garcia, Francisco de Assis Oliveira, Gilson Porto, Célio Junger, Honório Batista, José Carlos Thiebaut, Gentil Figueiredo e Sebastião Gouveia; dentre as colegas, Elida, Maria Celia Bastos, Maria Áurea Megre, Terezinha Borges, Maria Elazir Nunes, Vilmeia Godoi, Maria de Lourdes, Helena Vargas e Maria Amélia Rezende.

Uma lembrança marcante foi a da época da formatura, pois a mãe, por estar doente, não poderia dançar com ele. Uma amiga dela, Carminha, fez esse papel, preparando-o com muita dedicação e antecedência para a valsa dos formandos no Aero Clube. 

Lembra com especial carinho a figura da Diretora Maria da Conceição Batista de Oliveira, d. Carmita. “Ela era excelente. Muito severa e exigente com a disciplina, mas ao final do ano se emocionava chegando às lágrimas, ao se despedir dos formandos." 

O colégio teve forte influência para o que sou hoje, aqui recebi uma excelente formação que me possibilitou, aos 18 anos, ir para o Rio de Janeiro, exercer com confiança a minha profissão e ali constituir minha família".

Agradecemos, felizes e emocionados, a visita e as recordações partilhadas.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"Parker 51": Neumar Monteiro relembra o Ginásio Rio Branco



Da escritora e poetisa Neumar Monteiro, reproduzimos texto postado nas redes sociais: “Parker 51”, em que relembra a época em que estudou no Ginásio Rio Branco.





UMA PARKER 51
  

Neumar Monteiro, Nov. 2006

Há dias escrevi a crônica “Uísque com Guaraná”, quando retirei do baú da memória saudosas imagens dos anos sessenta e setenta. Um fio puxa o outro, e lá vieram recordações ainda mais antigas que muito me emocionaram. Lembrei-me das elegantes canetas-tinteiro, dos clássicos lápis Johan Faber e dos inesquecíveis papéis mata-borrão, usados para absorver o excesso de tinta que ficava do uso das canetas-tinteiro.
Nunca possuí uma caneta-tinteiro, pois crianças só escreviam com lápis sob pena de ficar de castigo. Papai tinha uma, bem como o senhor da Tipografia e o dono do armazém em que fazíamos compras, que ficavam no bolso da camisa dando - lhes imponência e um certo ar aristocrático. Homem elegante usava Parker 51, sonho de consumo de todo jovem alguns anos depois.
É bom resgatar essas páginas perdidas. Sentir, ainda hoje, o cheiro de caderno novo encapado com papel-manteiga, mais tarde substituído pelo papel jornal. E as caixas de lápis, para desenho, de 24 cores? Uma cobiça nunca realizada! Caros demais para as mãos da criança pobre. Até hoje fico fascinada quando vejo alguma. Culpa da infância descolorida e desbotada.
Dos primeiros anos do colégio Rio Branco então chamado Ginásio Rio Branco, lembro-me dos famosos “combates” realizados aos sábados pela manhã, que consistiam na divisão da turma em dois partidos, debatendo, um contra o outro, sobre determinada matéria ensinada durante a semana. À turma vencedora cabia um Mapa-Múndi ou caixas de lápis de seis cores. De cada sabatina saíamos mais afiados, aptos a repetir, no decorrer da vida, as lições aprendidas tantos anos antes.
Até as carteiras eram especiais, por possuírem um orifício para acomodar o tinteiro, usado, por nós, como depósito de borrachas ou giletes. Recordo-me, também, dos nomes escritos nas carteiras, às vezes de conteúdos menos elegantes que coravam as meninas e provocavam a ironia dos meninos. Certo é que algumas estampavam inocentes declarações de amor dos enamorados da sala. Era terrível e gostoso desnudar, aos olhos da turma, sentimentos guardados a sete chaves. A vergonha era tanta que doía com dor de queimar por dentro. Assim é como posso descrevê-la.
Tudo é passado, mas não perdido. Até hoje busco os ensinamentos daqueles tempos para aplicação no dia-a-dia. Da Literatura dos bancos escolares sorvi o gosto e conheci autores famosos. Do Latim do Dr. Ilis Carlos Machado ao Português do Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo, um universo de conteúdos sempre atuais, conquanto ministrados décadas atrás.
De tudo que vi aprendi um pouco, o que me faz cidadã capaz de contornar muitos conflitos, respeitar diferenças e sobreviver com dignidade num mundo de tantas inconveniências. No mais, passo um mata-borrão na saudade enquanto escrevo com a minha Bic azul estas mal traçadas linhas que, certamente, seriam bem melhores se redigidas com uma autêntica e poderosa Parker 51.



   
        Neumar Monteiro. Aluna e Professora do Colégio Rio Branco.                          Foto: Cris Izidoro / Diadorim Ideias


A poetisa Neumar Monteiro da Silveira, autora de Devaneios (2003) e Sempre a Primavera (2011) herdou o gosto pela literatura, e em especial pela poesia, de seu pai, o poeta parnasiano Athos Fernandes.
Filha mais nova, ela acompanhava o pai a todos os compromissos, principalmente aos relacionados à literatura. Desde sempre, ela escreve onde estiver, em qualquer papel. "A inspiração vem do nada e, ao mesmo tempo, de tudo o que está à minha volta. A emoção pode brotar de um simples olhar, até mesmo de um animal", conta. 
A poesia de Neumar fala sobre as agruras da vida, os sonhos irrealizados e as recordações do tempo de criança. A mais recente obra foi um desafio: escrever e ilustrar o haicai Sempre a Primavera. Neumar buscou na arte milenar japonesa a inspiração para compor 63 pequenos poemas, todos em três versos, que falam de gestos, astros, pássaros, caminhos, sonhos e esperanças. 


Texto reproduzido do facebook da autora:

segunda-feira, 21 de março de 2016

GINÁSIO RIO BRANCO: NORMALISTAS DE 1963

Turma do 3º ano do Curso Normal do Ginásio Rio Branco em 1963.
Foto: acervo pessoal de Vânia Faria

Quem é quem

Sentadas, a partir da esquerda:



* Na primeira fila estão Maria Aparecida Santos, Hilda Portugal, Neuza Sales Ribeiro, Joana Lúcia Megre, Maria José Araújo e Dora Guedes.

* Na segunda fila vemos Arlene Teixeira, Maria Emilce Santos, Maria de Lurdes Machado, Marisa Scudino e Ercília Tavares Borges. 

* Na terceira fila estão Sara Celeste Cordeiro, Maria Isa Gomes, Maria Lúcia Scudino, Lenita Alves, Maria de Lourdes Scudino, Ester Trindade e Virgínia Batista Boechat. 

Na quarta e última fila (em pé), a partir da esquerda, aparecem Alice Fiori, Janice Rodrigues do Carmo, Maria Helena Matias, Ângela Pacheco Figueiredo e Vania Faria. 


   
Vania Faria
Vânia Faria concluiu o magistério no Ginásio Rio Branco em 1963 e até hoje guarda com carinho a foto oficial da turma, gentilmente cedida por ela, tirada na escadaria da quadra esportiva da escola. 
Segundo Vânia, infelizmente três colegas faleceram: Sara Celeste Cordeiro, Joana Lúcia Megre e Maria Isa Gomes.



A turma de normalistas do Ginásio Rio Branco e o paraninfo Dr. José Pimentel Marques no Aero Clube, durante a colação de grau. 1963.
Foto: acervo pessoal de Ercília Borges do Carmo.


Quem é quem 

A partir da esquerda: 

* Na primeira fila estão Arlene Teixeira, Maria Lúcia Batista Scudino, Ercília Tavares Borges, Professor Dr. José Pimentel Marques, Joana Lúcia Castro Megre, Maria Enilce dos Santos e Dora Guedes. 

* Na segunda fila vemos Maria de Lourdes Batista Escudino, Marisa Batista Scudino, Janice Rodrigues do Carmo e Maria de Lourdes Alves Machado. 

* Na terceira fila estão Maria Ângela Batista Boechat, Virgínia Batista Boechat e Maria José Catarino. 

* Na quarta vemos Ester Trindade, Maria Iza Freire, Lenita Nunes e Maria Aparecida dos Santos. 

* Na quinta e última fila estão Vania Faria, Ângela Figueiredo e Maria Helena Mathias.





Ercilia Borges do Carmo

Ercília Borges do Carmo, também integrante da turma, gentilmente nos enviou foto da solenidade de formatura. A colação de grau realizou-se no Aero Clube, sendo paraninfo da turma o professor Dr. José Pimentel Marques.


























Turma do 3º ano do Curso Normal do Ginásio Rio Branco, em 1963, tendo ao centro o Professor Dr. José Pimentel Marques.
Foto: acervo Espaço Cultural Luciano Bastos.


A partir da esquerda: 

* Na primeira fila estão Maria Enilce Santos, Sara Celeste Cordeiro, Marisa Scudino e Maria José Araújo. 

* Na segunda fila vemos Ester Trindade, Maria Isa Freire, Maria Helena Mathias, Maria Aparecida dos Santos, Janice Rodrigues do Carmo, Prof. Dr. José Pimentel Marques, Joana Lúcia Megre, Maria Lúcia Scudino, Maria de Lourdes Scudino, Ângela Figueiredo, Ercília Tavares Borges e Vânia Faria.