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sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

ELA TEM HISTÓRIA: GRÁFICA GUTENBERG

A antiga Gráfica Gutenberg, na rua Buarque de Nazareth. À direita, a Foto Gráfica, onde os irmãos Darcy e Humberto Boniolo iniciaram a arte da fotografia. No alto, ficava o material de composição do jornal O Norte Fluminense. A oficina tipográfica funcionava nos fundos da loja.
Foto: Acervo Espaço Cultural Luciano Bastos

Inaugurada em 25 de dezembro de 1946 por Esio Bastos, a Gráfica Gutenberg ainda está presente na lembrança de muitos bonjesuenses. Situada no centro de Bom Jesus do Itabapoana, RJ, na Rua Buarque de Nazareth, a Gráfica marcou época em nossa cidade vendendo perfumaria, papelaria, artigos de escritório, escolares e de presentes, e as mais variadas utilidades para o lar.


Uma crônica assinada pela escritora e poetisa Neumar Monteiro, “Perfume de Saudade”, publicada no Jornal O Norte Fluminense em 1970, relata que “Décadas atrás as mulheres usavam cosméticos da Coty e Angel Face; perfume Tabu, Leite de Rosas, Madeira do Oriente, Almíscar, Dyrce, Patchouli, Alfazema, Toque de Amor e Charisma, os dois últimos da Avon, acessíveis à classe média. Às vezes se davam ao luxo de adquirir os da Helena Rubinstein vendidos na antiga Gráfica Gutemberg, do jornalista Ésio Martins Bastos...”

Anúncio de 1957 com o slogan da Gráfica "A Casa dos bons presentes", veiculado no jornal A Voz do Povo.

Na parte dos fundos da Gráfica funcionava a Oficina Tipográfica que imprimia o Jornal O Norte Fluminense, em antigas máquinas impressoras, a partir de letras de metal, num processo manual. Ali também eram produzidos cartões de visita e de casamento, talões, cartazes e outros papéis impressos. No alto do prédio, ficava o material de composição do jornal.

Funcionários na oficina tipográfica do jornal O Norte Fluminense. 
Da esquerda para a direita: Edalmo, Jose Eufrásio e João Batista Assad Tavares. Atrás, Claudio sobre a antiga impressora Alauzet, do séc. XIX.

A Gráfica funcionou até 2003, quando encerrou suas atividades após o falecimento de Esio Bastos. O prédio foi vendido, sendo em seu lugar construído um edifício que num primeiro momento preservou a memória do local através de seu nome: Edifício Gráfica Gutenberg, tendo posteriormente o nome alterado.

O jornalista Ésio Martins Bastos no interior da Gráfica Gutenberg.

A partir de 2003 o jornal O Norte Fluminense passa da impressão tipográfica para Off-set, transformação feita pelo irmão e sócio Luciano Bastos. Consciente da importância histórica das antigas máquinas da imprensa, Luciano as manteve como parte de seu acervo pessoal. Hoje elas estão expostas para visitação no Espaço Cultural Luciano Bastos. Em 25 de dezembro de 2024 o Jornal O Norte Fluminense comemora seus 78 anos, agora sob a direção de Gino Martins Borges Bastos, com direção comercial de João Batista Assad Tavares, e continua seu trabalho em benefício de Bom Jesus e região.

Separamos, abaixo, uma seleção anúncios da Gráfica Gutenberg, publicadas em décadas passadas nos Jornais O Norte Fluminense e A Voz do Povo, acervo Espaço Cultural Luciano Bastos.










segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Acervo da Sala da Imprensa no ECLB


O acervo da Sala da Imprensa no Espaço Cultural Luciano Bastos é composto basicamente de objetos pertencentes à antiga Gráfica Gutemberg e ao jornal “O Norte Fluminense”, ambos dirigidos na segunda metade do século XX por Ésio Martins Bastos, em Bom Jesus do Itabapoana.

Além do jornal “O Norte Fluminense”, a Gráfica fabricava cartões de visita e de casamento, além de cartazes e outros papéis impressos. As máquinas foram adquiridas da Tipografia Almeida, que imprimiu durante muitos anos o jornal “A Voz do Povo”.

O Dr. Luciano Bastos, consciente da importância histórica dessas antigas máquinas da imprensa, as manteve como parte de seu acervo pessoal, mesmo após a impressão do jornal “O Norte Fluminense” passar à era digital, no século XXI.

Foto Diadorim Ideias/Cris Isidoro
Acervo do Museu do ECLB: À esquerda, a Máquina Impressora francesa Alauzet. À direita, duas Máquinas de Impressão Minerva, de origem alemã, fabricadas provavelmente antes da década de 1930. Ao fundo, guilhotina manual de ferro.


Foto Diadorim Ideias/Cris Isidoro

Acervo do Museu do ECLB: Máquinas de prensa manual e Máquina de Encadernação. Nas paredes, fac-símile de jornais de Bom Jesus do Itabapoana publicados na primeira metade do século XX.



Acervo do Museu do ECLB: Clichês e tipos (letras) montados em componedores utilizados para montagem dos textos dos jornais.



Máquina de impressão Alauzet
Foto Cris Izidoro/ Diadorim Ideias, Mapa de Cultura


Máquina de impressão francesa fabricada no final do século XIX, essa Alauzet é uma das raridades do Museu do Espaço Cultural Luciano Bastos. Nesse período, existiam poucas dezenas de impressoras Alauzet em todo o Brasil, sendo que muitas delas pertenciam à antiga Imprensa Régia (atual Imprensa Nacional).

Com a modernização no início do século XX, muitas dessas máquinas foram vendidas ou doadas para jornais de pequenas cidades do interior do país. Em Bom Jesus do Itabapoana, essa máquina tipográfica imprimiu os jornais "A Voz do Povo" e "O Norte Fluminense".

O Sr. Helton de Oliveira Almeida (Heltinho), em entrevista ao jornal O Norte Fluminense (O Tipógrafo que frutificou), contou que o pai, José Tarouquela de Almeida, comprou a impressora francesa Alauzet, em 1925, de Tebas Ananias, de São José do Calçado (ES), desmontada. O italiano Vitório Cassamali, ajudou a montá-la em Bom Jesus, surgindo então a gráfica e o jornal A Voz do Povo.