sábado, 17 de dezembro de 2016

Roda Literária: Noite de Poesia com Fernando Pessoa


       
A última Roda Literária de 2016 no ECLB homenageou Fernando Pessoa. No dia 7 de dezembro, apreciadores de poesia se reuniram na Biblioteca do Espaço Cultural para declamar e compartilhar suas experiências sobre a obra daquele que é considerado o maior poeta da língua portuguesa.

Com a presença de pessoas de diversas idades, a participação dos jovens foi um destaque que demonstra que poesia e juventude possuem muitas afinidades.

A Roda começou com uma apresentação, em primeira pessoa, de Fernando Pessoa e seus principais heterônimos, encarnados nas pessoas de Aline Mangaravite Carrereth, Luana Scarpini Borges, Izabella Azevedo e Luiz Otávio Barreto, ativos participantes na organização do evento.

Além de poemas do poeta português, lidos pelos participantes da Roda, jovens declamaram poemas de sua autoria, dentre eles Dharvind Aguiar e Julia Mello, estudantes premiados em concursos literários.

Aline M. Carrereth, que encarnou o próprio Fernando Pessoa, comentou sobre sua experiência:

"Minha segunda roda literária! Tão maravilhosa quanto a anterior. O mais incrível em participar deste evento é descobrir que não conheço os autores que penso conhecer. De Fernando Pessoa eu conhecia seus três heterônimos mais famosos, mas ele mesmo descobri só agora! E que ótima surpresa! Aliás, essa roda foi cheia de surpresas! Talentos vieram a luz!

Agradeço imensamente pelas novas amizades. A roda vem me proporcionando conhecer tanta gente incrível! Que venham muitas e muitas outras em 2017!".

Aline Carrereth: Fernando Pessoa por ele mesmo  

Para o pianista Luiz Otávio Barreto, que encarnou o heterônimo Alberto Caeiro, a Roda Literária, "foi muito gratificante, porque, ao lado de amigos, pude fazer o que gosto; pensar, ler, ouvir e discutir literatura, e naquele caso, a poesia dos Pessoa e seus heterônimos. Vivas à literatura! Vivas à poesia! Vivas a Pessoa! Vivas ao ECLB!"

Luiz Otávio Barreto e o heterônimo Alberto Caeiro

Izabella Boechat, que apresentou o heterônimo Álvaro de Campos relata sua experiência com o poeta português: "quando eu conheci Fernando, senti algo lindo brotar em meu interior, sua poesia cercada de niilismo e lirismo, me deixou encantada! Foi ali que eu realmente comecei a alimentar minha alma, através de seus versos. Álvaro de Campos era seu Heterônimo mais febril, mais existencialista, e o meu preferido. Campos sentia o mundo e as pessoas de uma forma intensa, forte e incompreensiva. Por meio da Roda, vi o sentimento de todos que ali estavam, fitei que em suas existências se firmou algo lindo e especial, que só a poesia é capaz de proporcionar. Como uma de suas poesias:

(...) Mas quem sente muito, cala; 
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala (...)

Izabella Boechat: Álvaro de Campos

Amei intensamente esta roda, e as pessoas que nela estavam, e como quem muito cala, não poderia eu ter palavras que demonstrassem o que só a arte é capaz de mostrar. Espero que se revigore ainda mais espaços como este, e que a poesia seja parte íntima de todos nós! Viva os muitos Fernandos!"

Luana S. Borges e o heterônimo Ricardo Reis



                                                                                                                                                        
Alessandro Nascimento trouxe o violão e belas músicas para a Roda, acompanhando Izabella


Lendo Fernando Pessoa: Martha Salim...

...Fátima Ferreira de Oliveira


Rebeca Fontoura

Leitura de poema por Tatiana Sena

Eduardo Moreira lê o Poema do Menino Jesus, de Alberto Caeiro


Iolanda Roeles

Maria de Fátima Mangaravite Carrereth


Dharwind Aguiar

Martha Salim e a música na Roda Literária



Ao final do evento, houve sorteio de livros, doados pela Editora O Norte Fluminense e por Martha Salim.

Izabella e Luana

Izabella e Aline

Luis Otávio e Rebeca Fontoura

Izabella e a jovem escritora Julia Mello

Izabella, Luana, Aline e Luiz Otávio


Poemas na árvore de natal se apresentavam para leitura.


O Espaço Cultural Luciano Bastos agradece a presença de todos que participaram dessa noite tão especial.


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Colégio Rio Branco: 2006 - Curso Primário - Encerramento do ano letivo


Profª Néria Dutra e os alunos Gabriel, Brenda, Fernanda, Giovana, Letícia, Daniele e José Rafael.


       Há 10 anos, em dezembro de 2006, alunos, familiares e professores do curso primário do Colégio Rio Branco se reuniram no Aero Clube de Bom Jesus do Itabapoana, comemorando o encerramento do ano letivo.
     Uma bela confraternização, em noite de muita alegria, conduzida pela Profª Norma Teixeira Carvalho, diretora adjunta, com a presença do diretor, dr. Luciano Bastos.
       Que todos os pequenos estudantes, seus familiares e professores possam relembrar, com carinho, um pouco do que aqui viveram juntos.
  

Profª Norma Teixeira Delatorre (direita), diretora adjunta do Colégio Rio Branco, Profª Elaine Borges e Laiza Teixeira Delatorre

                     
 Profª Margareth Garcia e alunos Lara, Karoliny, Kenya, Maria Victoria, Sávio e Estêvão. 

Alunos Luciana, Profª Adriana, sua filha Drícia, Fernanda, Rafael, Brícia, Milena, Rayanne, Larissa


Profª Aysha e as alunas Brícia, Milena, Larissa, Bruna, Luciana, Izabel Úrsula, Rayanne e Natália


Alunos: Luciana, Rayanne, Milena, Gabriela, Luiz Claudio, Letícia, Maria Victoria, Larissa e Fernanda

Profª Márcia Abreu e alunos Larissa, Manayra, Thaynara, Kariza, Nathalia, Matheus, José Tulio, Profª Daniele e Tarssyo.

       
Professoras Lúcia, Maria Cecilia Souza Dias, Rosane Raposo, Aysha, Norma Lúcia Dias e seu esposo


                         
Dr. Luciano Bastos, diretor do Colégio Rio Branco, e o aluno José Gabriel Guerra

 Prof. Marco Antonio Caetano de Andrade e aluna Milena Moraes Silva

             
Profª Maria Josè, seu filho Davy e aluna Larissa T. Delatorre


Profª Milvanete Moreira e sua filha Kenia Moreira de Azevedo



Profª Elaine e aluno Felipe Lima da Silva

Profª Rosane Raposo e aluna Brícia de Souza Tostes

Profª Rogéria e sua filha Giovana, Profª Néria e Letícia Silva


Aluna Daniele Pains Dutra e seu pai

Marclea, Claudia e Jaqueline

Aluno Rafael Silva Cruz, sua irmã e sua mãe Juliana

Adriana e Aloisio, pais das alunas Lara e Thaynara

Aluna Letícia L. Pacheco de Oliveira, seus pais e avó

Marcelo Júnior, seu pai e Raft

Aluna Larissa da Silva Lucio e sua mãe


Pais e irmã dos alunos Gabriel e Felipe 

Aluno Estêvão Nascimento Firmo e seus pais

Mãe da aluna Rayane Teixeira Neiva e familiares


Aluno Ayslan Frias Silva, seus avós e sua mãe


Profª Edilaine (direita) e sua irmã Juliana

   
Brícia, Profª Margareth Garcia, Gabriela, Profª Márcia Abreu, Prof. Luiz Fernando Silveira e Profª Maria Inez Moraes







quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Exibição de “A Igualdade é Branca” – 06 de Dezembro de 2016









































Era para ter sido exibido no dia 24 de novembro, mas tivemos problemas técnicos e o longa exibido nessa data foi o excelente “A Fraternidade é Vermelha”.

O filme "A Igualdade é Branca" será exibido no Espaço Cultural Luciano Bastos no próximo dia 06 de dezembro, Terça-feira, às 19h. 















sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Roda Literária homenageia Fernando Pessoa































Nossa Roda Literária terá mais uma edição no próximo dia 07 de dezembro, às 19h30min, no Espaço Cultural Luciano Bastos, e dessa vez o homenageado é o escritor Fernando Pessoa.

Ao longo da programação, em ambiente de muita descontração, os participantes se revezam lendo poemas, tocando música e trocando ideias sobre a vida do autor português e sua importância para a literatura.

A entrada é franca e o programa, imperdível, anote na agenda!


Roda Literária Fernando Pessoa
Quarta-feira, 07/12
Às 19h30min
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos

domingo, 20 de novembro de 2016

Silva Monarca, um dos pioneiros da colonização de Bom Jesus


Silva Monarca construiu seu casebre por volta de 1842 na área da atual Praça Governador Portela onde surgiram, posteriormente, os dois prédios centrais da foto. 


















     Manoel da Silva Fernandes, conhecido como Silva Monarca, foi um dos primeiros colonizadores negros que se tem notícia, do que é hoje a cidade de Bom Jesus do Itabapoana.

      O pouco que sabemos sobre ele, nos vem de relatos de Padre Mello (1863–1947) que, ao chegar em Bom Jesus, buscou resgatar a história dos primórdios do lugar a partir do relato oral de antigos moradores.

      E assim ficamos sabendo que Silva Monarca veio de Rio Novo (Minas Gerais) junto com as famílias de Antonio José da Silva Nenem e de Manoel Gomes Alves, português.

      No período de 1842-1850, segundo Padre Mello, a futura Bom Jesus era ocupada apenas pelos ranchos dessas três famílias mineiras. Os casebres, construídos com material da própria mata, eram cobertos de pindoba, e seus moradores desenvolviam principalmente uma economia de subsistência, vivendo da caça e da pesca, envoltos pela mata reinante da região.


Fonte: www.terrabrasileira.com.br

Silva Monarca tinha seu casebre construído em local próximo a atual Praça Governador Portela, nas proximidades de onde, hoje, se inicia a Rua República do Líbano, entre a Bombocado Lanchonete e o prédio histórico, da esquina, que pertenceu ao Coronel Pedro Gonçalves da Silva (Pedroca). 

As outras duas famílias ocuparam área próxima à atual Praça Amaral Peixoto e à ponte de cimento que liga as duas Bom Jesus. 

Como era Silva Monarca? Um homem negro, robusto e bom trabalhador. Essa é a descrição que dele faz D. Francisca de Paula Figueiredo Soares, nascida por volta de 1860 em Bom Jesus, e que conheceu Monarca em sua infância, contando sobre ele vários episódios a Padre Mello. 

Desses episódios, que poderiam trazer mais luz sobre a figura de Silva Monarca, um de nossos primeiros colonizadores, não temos conhecimento. Sabe-se que Padre Mello pretendia escrever um livro sobre os primórdios de Bom Jesus, porém não temos notícia de sua publicação. É de se supor que nesses escritos poderiam estar registradas histórias relativas a um desses primeiros colonizadores mineiros que aqui chegaram na primeira metade do século XIX,



REFERÊNCIAS


MELLO, PADRE. Patrimonio de Bom Jesus (continuação) – Coluna Meu Campinho. In: A Voz do Povo, Bom Jesus do Itabapoana, n. 226, 09 abr 1938.

REVISTA Comemorativa do Centenário da Paróquia de Bom Jesus do Itabapoana, Estado do Rio de Janeiro, Brasil (1862-1962). Tipografia Almeida, Bom Jesus do Itabapoana, 1962.






segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Movimento Republicano em Bom Jesus

    
Charge de Angelo Agostini: "A Pátria repele os escravocratas". Revista Illustrada













 



     No Estado do Rio de Janeiro, o movimento republicano viveu momentos de grande efervescência no período que antecedeu o 15 de novembro de 1889. Nesse contexto, Bom Jesus do Itabapoana foi palco de um conflito que teve repercussão nacional, envolvendo um dos grandes defensores do regime republicano da época, Nilo Peçanha.

     Com o avanço da campanha republicana após o fim da escravidão no Brasil, formaram-se diversos clubes e centros republicanos no território fluminense. O Clube Republicano de Campos foi criado em 1888, sob a liderança de Nilo Peçanha, que passou a percorrer diversas localidades do extenso município, pronunciando conferências a favor da instalação da república e estimulando a criação de clubes locais1.



1888: Conferência Republicana em Bom Jesus do Itabapoana



    Uma conferência em Bom Jesus do Itabapoana é organizada no mês de outubro de pelos simpatizantes do lugar, sendo anunciada por José Xavier Bastos no jornal Monitor Campista:

     “A população do Bom Jesus do Itabapoana ansiosa aguarda o 21 do corrente, para ouvir a voz autorizada do propagandista republicano Dr. Nilo Peçanha.

        É indescritível o entusiasmo do povo, não só do lugar como das circunvizinhanças. Se o Dr. Nilo Peçanha em outros lugares tem tido bom acolhimento, de certo que guardará com grata reminiscência a atenção com que será ouvido pelos verdadeiros republicanos do Bom Jesus, em número avultado, que associados ao povo saberão condignamente associar uma ideia que a passos agigantados caminha e que em breve terá lançado por terra o já esboroado edifício da estulta monarquia.

       Bem vindo seja o Dr. Nilo Peçanha que, com o fogo do seu talento, saberá convencer a quem duvidar do progredir da pátria quando se emancipar do jugo da monarquia”2.

     E assim, no dia 21 de outubro de 1888, Nilo faz conferência em Bom Jesus do Itabapoana, onde “a maioria do povo é republicana, entrando nesse número as principais pessoas do lugar, tanto conservadores como liberais”3



          Agressão Policial durante a Conferência



     Em determinado momento, porém, a polícia pratica agressão contra alguns dos presentes, o que inicia dias de tensão na região. 



        O Juiz de Paz de Bom Jesus do Itabapoana, Dr. Leonides Peixoto de Abreu Lima relata o acontecido: 

      “Bom Jesus, 22 de outubro. O sr. Dr. Nilo Peçanha realizou ontem aqui uma conferência republicana, falando com muita moderação. Em frente à porta da casa de minha residência a policia agrediu fisicamente o importante fazendeiro Francisco Pinto de Figueiredo por ter aderido à ideia republicana e provocava José Carlos de Campos e mais pessoas pelo mesmo fato. Travou-se um conflito e a policia investiu de rifle contra o povo. O subdelegado de policia que estava presente foi desatendido e espancado pelos soldados. Intervim como primeiro juiz de paz para restabelecer a ordem e fui desacatado pela policia que tentou agredir-me. Fiz dispersar o povo que quis atacar o quartel em desforço das ofensas recebidas. Os ânimos estão exaltadíssimos. Ausencia completa de garantias”4.

        Também Nilo Peçanha explica o ocorrido: 

     “Bom Jesus, 22 de outubro. A autoridade mandou recolher a bandeira que flutuava na sacada do edifício onde realizei a minha conferencia de propaganda republicana. Recolhi a bandeira a pedido das famílias e dos cidadãos que concorreram à conferencia. A polícia, logo que concluí a conferencia, agrediu o importante fazendeiro republicano Francisco Pinto de Figueiredo e provocava o povo porque manifestava o seu entusiasmo pela república. Travou-se um conflito entre a força e o povo. O subdelegado de policia foi esbordoado pelos policiais que trouxeram ordens superiores. Eu e o prestimoso juiz de paz Dr. Leonides Peixoto de Abreu Lima fomos desacatados. Os ânimos estão exaltadíssimos”4.




Destacamento policial de Campos x Apoio republicano de São José do Calçado


      Ciente do ocorrido, o Chefe de Polícia da Província do Rio de Janeiro, Dr. Barreto de Aragão, entra em contato com o delegado de polícia de Campos e ordena a ida do tenente Firmo à freguesia para inquirir o destacamento5. Com a divulgação da notícia do deslocamento do tenente, um grupo de São José do Calçado (ES) parte para Bom Jesus do Itabapoana, a fim de defender os republicanos3.

     Dr. Abreu Lima informa que “Continua a agitação nesta freguesia. Um bando de mais de 100 cavaleiros armados de garruchas e espingardas percorreu à meia noite o povoado em busca da policia vinda da cidade, para desafrontar a agressão feita ao povo. A força, porém, que tinha vindo, já se havia retirado. O povo despertado acolheu os cavaleiros com vivas à republica. Foram dadas descargas no quartel. Os cavaleiros prometeram voltar em maior numero. O subdelegado está impossibilitado para acalmar a indignação do povo. Providencias”6.

     Segundo Dr. Barreto de Aragão, Chefe de Polícia da Província do Rio de Janeiro, os cavaleiros eram em número de quarenta e tantos, procedentes do Espírito Santo, e davam tiros e vivas a república, coagindo a autoridade e tentando assassinar os praças5.

     O clima na região continua tenso, pois vários correligionários republicanos da região apontam que, caso haja a instauração de inquérito realizado pelo subdelegado, haverá invasão do cartório.

     De Campos, o delegado de polícia Comendador João Gonçalves, parte para Bom Jesus do Itabapoana, levando consigo o Capitão Sampaio a comandar 30 praças7, tendo a recomendação do Dr. Aragão de realizar “rigoroso inquérito para punição dos implicados no conflito”. Nenhum outro conflito, porém, é relatado, informando o delegado ter "o arraial restituído à tranquilidade"5.




Manifesto do Clube Republicano de Bom Jesus


No dia 27 de outubro o Clube Republicano de Bom Jesus do Itabapoana divulga no Monitor Campista o seguinte protesto:

     “Aconteça porém o que acontecer: o santuário das nossas ideias é inviolável, aí não tem poder o rifle do esbirro. Que importa que se queira manchar com o nosso sangue, mais uma vez a fronte do Imperador? A monarquia qual Rolemberg cairá sob o peso dos seus próprios crimes, erros e atrocidades. Estamos firmes no nosso posto de honra. Não cederemos uma linha sequer: custe muito embora esta altivez, o sacrifício das nossas vidas e o futuro das nossas famílias! 
Bom Jesus do Itabapoana, 27 de Outubro de 1888 - DIRECTORIA DO CLUB REPUBLICANO – Presidente José Carlos de Campos; Vice-Presidente Francisco Teixeira de Siqueira Sobrinho; Secretario Antonio Simplicio de Salles; Thesoureiro José Xavier Bastos; Procurador Francisco Aquino Xavier”3.



Repercussão Nacional sobre os eventos em Bom Jesus


Na Câmara dos Deputados e na Assembleia Provincial, os acontecimentos em Bom Jesus do Itabapoana são tema de pauta: O. de Campos solicita do Ministério da Justiça explicações sobre a interrupção, realizada pela força pública, da conferência realizada por Nilo Peçanha em Bom Jesus do Itabapoana
8, enquanto o deputado por Campos, Francisco Portella, leva ao conhecimento dos presentes o desacato policial ocorrido em Bom Jesus do Itabapoana9, e pede explicação sobre as providências tomadas sobre o fato7.

Enquanto a ocorrência em Bom Jesus do Itabapoana ganha repercussão em vários jornais do país, Nilo Peçanha se manifesta no Monitor Campista e afirma a continuação de sua jornada em favor do movimento republicano: 

     “Orientada por telegramas insuspeitos e não contestados, a opinião nacional já condenou com severidade os atos de vandalismo da polícia no Itabapoana. E quem há por aí que ingênua e covardemente duvide ter sido o povo na pessoa dos seus maiores o provocado, infamado e fisicamente agredido, pela polícia, um dos poderes independentes e desmoralizados do país? 

     Não me fatigarei porém em demonstrar-se a responsabilidade do desacato que sofreram os republicanos e as consequentes, legítimas e certas represálias, cabe ao sr. Delegado do termo ou ao sr. Subdelegado da paroquia. Tais indivíduos são instrumentos inconscientes de vontade superior, e deles não me ocupo senão para rir-me de sua cegueira e de sua inépcia.
         [...]

     A despeito porém de todo o acanalhamento policial no BJ, o partido republicano ficou ali constituído, tendo a maioria do eleitorado e as simpatias do povo. Agora, uma nota final: Continuo a fazer conferencias no interior e depois na cidade; desafio o poder representado pelos seus esbirros a desacatar-me. Ainda não estou cansado de confiar na altivez e energia cívica dos meus concidadãos. Nilo Peçanha”10.



1889: Nilo Peçanha refugia-se em Bom Jesus


Em 1889, Nilo Peçanha é ferido durante conferência em Lage do Muriaé, indo refugiar-se das forças policiais em Bom Jesus do Itabapoana, desta vez em um de seus distritos. Sobre o local exato em que se abrigou Nilo Peçanha em Bom Jesus, encontramos duas versões: uma indica ter sido em Santana do Arrozal (atual Rosal)1 enquanto outra indica ter sido na Fazenda Boa Fortuna, em Calheiros11.



15 de novembro: instauração da República


No dia 15 de novembro de 1889, dá-se a queda da monarquia e a proclamação da república, havendo a destituição do imperador D. Pedro II. A Presidência é assumida pelos militares, na figura do Marechal Deodoro da Fonseca.




Telegramas de Ribeirão do Pirapetinga: família Boechat saúda Marechal Deodoro




Doze dias após a proclamação da república, o jornal Cidade do Rio publica telegramas recebidos de Ribeirão do Pirapetinga, freguesia de Bom Jesus do Itabapoana, saudando o Governo Provisório:

     “Tenham paciência, mas deixem-nos transcrever, integralmente, estes telegramas, dirigidos ao chefe do Poder provisório; tenham paciência, repito.

     «Estados Unidos do Brasil – Telegramas ao cidadão marechal Deodoro da Fonseca. – Capital. 
Os abaixo-assinados, saúdam ao marechal e seus dignos companheiros, o Governo provisório, pelo ato do dia 15 de novembro, o mais brilhante da História contemporânea do Brasil, que trouxe a regeneração da nossa Pátria.
Os mesmos aderem à Republica dos Estados Unidos do Brasil, cheios de prazer e com todo o entusiasmo.
Viva o Governo Provisório.
Viva o Exercito d’Armada.
Viva a soberania do Povo.
Viva Saldanha Marinho!
Vivam as classes acadêmicas!
Francisco Boechat. José Maria Boechat. Leopoldo E. Boechat. João E. Boechat. João Pedro Lemgruber Junior. Henrique José Boechat. Norberto E. Boechat. Nestor Boechat. Eugenio Henrique Boechat. Antonio José Boechat. Julio Augusto Boechat. 
Estado do Rio de Janeiro – Ribeirão do Pirapetinga, freguesia do Bom Jesus do Itabapoana, 23 de novembro de 1889.»


     «Rio – Saldanha Marinho – Saudamol-o pelos seus esforços em prol da regeneração da Patria. 
Leopoldo Boechat & Irmão. Raul E. de Souza, R.H.S. , Eugenil H. Boechat, Francisco Boechat, Julio Augusto Boechat. Bom Jesus do Itabapoana, Ribeirão do Pirapetinga, 23 de novembro de 1889.»



Pedimos, por favor, que nos comuniquem se existe mais algum Boechat, no Brasil, para agrega-lo à lista ut-supra. Mas desde já protestamos; porque são muitos Boechats para um Deodoro só.


Agora, falando sério, essa família tem para nós um mérito: o de lembrar-se do velho Saldanha Marinho, digno, no nosso entender, de um bocadinho de menos esquecimento ou de menos ingratidão. 12




As Contradições do recém criado regime republicano no Brasil


      Esses são alguns dos acontecimentos em nossa região envolvendo a passagem do regime monárquico para o regime republicano. As condições e interesses envolvidos nesse período de transição têm sido objeto de pesquisa de muitos estudiosos como Laidler (2010), que indicam que “o regime republicano no Brasil nasceu em meio a contradições fundamentais. Correspondia, a um só tempo, ao movimento de ideias que via a república como a possibilidade de construção de um sistema de maior participação política e de real representação de interesses, às pretensões de setores que respaldavam economicamente o Estado e que viam, no novo regime, a possibilidade de ampliar o poder local e garantir sua autonomia, e às ambições dos militares de expandir o seu papel na política nacional”13.

     Essas contradições também se manifestam em nossa região, e um exemplo está na sequência dos acontecimentos pós 15 de novembro: Bom Jesus do Itabapoana, freguesia de Campos, foi alçado à condição de município em 24 de novembro de 1890 (com o nome de “Itabapoana”), através de ato do presidente da Província do Rio de Janeiro, Francisco Portela. Menos de dois anos depois, em 08 de maio de 1892, quando assume a presidência da Província o sr. José Tomaz Porciúncula, este emite Decreto extinguindo a autonomia do município, que passa a condição de distrito do município de Itaperuna14.




Octacílio de Aquino: Éramos Assim



Um resumo de toda essa história foi escrito por Octacílio de Aquino, em crônica de 1943, intitulada “Éramos Assim”:

     “Em 1888 formávamos aqui, aqui em Bom Jesus, o nosso Clube Republicano. E já em outubro ouvíamos, por entre escaramuças com a política, uma conferência de Nilo Peçanha, propagando os princípios, que já então marcavam os derradeiros dias do Império. Sabíamos defender ideias e convicções. Púnhamos em prova a fibra de verdadeiros soldados. Descíamos às ruas para o batismo de sangue, a que o nosso entusiasmo não fugiu.

     Obrigávamos a retroceder, fazendo-os reentrar, vencidos, no quartel, destacamentos inteiros, que se haviam desmandados em torno das tribunas, para espaldeirar o povo e desacatar juízes. E sofremos as garrafadas, processo posto em voga pelos chamados redentoristas contra os repúblicos vibrantes, arregimentados na fina flor das escolas, das profissões, e das letras.

     A história que se desenrolava por todas as Províncias falava em Bom Jesus também, fixando nomes para todo o sempre caros à nossa grande saudade, ao sacrário das nossas famílias, a cuja sociedade que representamos”15.





REFERÊNCIAS


1 PEÇANHA, CELSO. Nilo Peçanha e a Revolução Brasileira. Emebê Editora: Rio de Janeiro, 2 ed., 1978.
2 Reunião Republicana. In: Monitor Campista, Campos, RJ, 12 out 1888.
3 Em busca de Canaã. In: O Cachoeirano, ES, 11 nov 1888.
4 Conferência Republicana. In: Jornal O Monitor Campista, 23 out 1888.
5 Gazeta da Tarde, 27 out 1888.
6 Agitação no BJI. In: Monitor Campista, 26 out 1888.
7 Agitação em BJI. In: Monitor Campista, 30 out 1888.
8 Diário das Câmaras, Câmara dos Deputados, 24 out 1888.
9 Assembleia Provincial. In: Diário de Notícias, 24 out 1888.
10 Conflitos no BJ. In: Monitor Campista, 27 out 1888.
11 Sessão do ILA revela fato histórico desconhecido da historiografia. O Norte Fluminense, Bom Jesus do Itabapoana (RJ), 21 mai 2015. Disponível em http://onortefluminense.blogspot.com.br/2015/05/sessao-do-ila-revela-fato-historico.html
12 Cidade do Rio, 27 nov 1889.
13 LAIDLER, CHRISTIANE VIEIRA. Disputas Oligárquicas e Participação Popular na República Velha. In: Anais do Colóquio Nilo Peçanha e o Rio de Janeiro no Cenário da Federação. Org: Andréa Telo da Côrte. Niterói, RJ, Imprensa Oficial, 2010, p. 39-57.
14 BASTOS, LUCIANO AUGUSTO. De Município a Distrito: Primeira Emancipação de Bom Jesus do Itabapoana (1890-1892). Coleção Histórias de Bom Jesus v.1: Bom Jesus do Itabapoana, 2008.
15 AQUINO, OCTACILIO. Antologia. Editada por Delton de Matto, Rio de Janeiro. 2 ed., 2013.