sábado, 26 de maio de 2012

I MOSTRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA NO ECLB


Instalação Artística: um retorno ao sensível
A arte manifestada através de experiências sensoriais


Abertura: 01/06/2012
Horário: 19h30min

Aberto à visitação de escolas e comunidades
dias 04, 05 e 06 de junho.

Uma proposta das arte-educadoras
Márcia O.R. Paulista e Valéria P. Narde


SÁBADO CULTURAL EM BOM JESUS: OCORRE A 1ª OFICINA LITERÁRIA DO ECLB

Na abertura do evento, um belo momento musical de saxofone e violão, tocados por Vanessa e Deuslene.
Momento Musical: Vanessa e Deuslene
Em seguida a contadora de histórias Maria Elvira Tavares Costa iniciou a Oficina "Rubem Braga e o Poder da Palavra", afirmando que "quando você conta história, a criança vem".

A mestra, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), conterrânea de Rubem Braga, emocionou o público relatando fatos importantes da vida do cronista, que "escrevia os fatos do mundo a partir da visão do homem do interior".
 
A contadora de histórias Maria Elvira
A contadora de histórias assinalou que Rubem Braga possuía sua "alma ligada a raízes simples interioranas e sensíveis de toda a sua família", mencionando, como exemplo, o seguinte texto:

"... Com pobre a gente tem de ser muito delicado, me
u filho" (in O Compadre Pobre, de 1952).

Rubem Braga "teve suas crônicas publicadas nos maiores jornais do país durante aproximadamente cinco décadas" e é considerado , por muitos, como "o maior cronista do século XX no Brasil e pelo fato de ter sido o único escritor a conquistar um lugar definitivo na literatura, exclusivamente, como cronista", afirmou a autora cachoeirense.

Ao final do memorável evento, Maria Elvira fez uma grande revelação: o consagrado cantor e compositor cachoeirense, Sérgio Sampaio, autor do antigo êxito "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua", chegou a compor uma música para uma musa de Bom Jesus do Itabapoana, intitulada "Em nome de Deus", onde consta os versos:

"eu nunca pensei que pudesse querer
alguma mulher como quero você

...
agora que estou à mercê de sua luz,
em nome das águas lá de Bom Jesus",

Tal canção revelaria, segundo Maria Elvira, "a relação passional entre Cachoeiro de Itapemirim e Bom Jesus do Itabapoana".
Veja os vídeos das músicas "Em nome de Deus" e "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua".
http://www.youtube.com/watch?v=GLFLQAGYVX8
http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&NR=1&v=4Gz_3rFWGdw

Maria Elvira fez questão de registrar, ainda, que "temos de recuperar a capacidade de sonhar e sonhar juntos na construção de um mundo melhor",
doando obras de (e sobre) Rubem Braga, além de outros autores cachoeirenses, para a Biblioteca do ECLB.
 
Vários participantes estiveram presentes, entre eles a dra. Nísia Campos, presidente do Instituto de Letras e Artes (ILA) Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo, os novos membros da Academia Bonjesuense de Letras (ABDL), Tereza Cristina Lima Nazareth de Jesus - que declamou uma poesia - Paulo Xavier e Gino Martins Borges Bastos, os jovens atores Bianca Gonçalves e Moacir Neto, e Adriana Peixoto, dirigente da Cia de Teatro América Latina, a advogada cachoeirense Lucília Stanzani, que intermediou a vinda de Maria Elvira a Bom Jesus, e professor representante do Colégio Santa Rita de Cássia.

A 2a. Oficina Literária do ECLB  está confirmada e ocorrerá no dia 23 de junho, às 14 h, com o autor teatral Adriano Moura, de Campos dos Goytacazes, com a oficina "DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO", sobre leitura e criação poética a partir dos textos de Carlos Drummond de Andrade, em comemoração aos 110 anos de seu nascimento.



sábado, 19 de maio de 2012

RUBEM BRAGA E O PODER DAS PALAVRAS

Oficina Literária no ECLB

Bate-papo sobre Literatura e Humanidades

Com Maria Elvira Tavares Costa – Contadora de Histórias


              Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro de Itapemirim, ES. Reconhecido por muitos como o maior cronista brasileiro do século XX, foi o único escritor a se dedicar exclusivamente às crônicas, elevando-as, com a qualidade e importância de sua obra, à condição de gênero literário.

      Escreveu por mais de cinco décadas nos principais jornais do país, sensibilizando e formando opiniões.

      Foi correspondente da Segunda Guerra Mundial, Chefe do Escritório Comercial do Brasil no Chile e Embaixador do Brasil em Marrocos.

      Amigo pessoal, entre outros, de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Manoel Bandeira - que dizia que Rubem escrevia ainda melhor quando não tinha assunto.

      Foi um menino do interior que, mesmo levantando grandes voos, nunca perdeu de vista sua pequena cidade e os ensinamentos de rara humanidade ali aprendidos.

      Conhecer um pouco da obra e da vida de Rubem Braga é presentear-se com um mergulho em nossas próprias almas – lugar onde mora todo o nosso poder!

      Rubem Braga faleceu aos 19 de dezembro de 1990, no Rio de Janeiro. Suas cinzas, a seu pedido, foram lançadas no Rio Itapemirim, em seu torrão natal. Rio abaixo, nas águas de sua infância, ele retornou ao mar, onde, certamente, brinca alegremente com belas sereias!

      Venha participar conosco!

Dia 26 de maio de 2012, às 14h
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos
Praça Amaral Peixoto, 13, Centro. Bom Jesus de Itabapoana, RJ.
Tel: (22) 3831-1056
espacoculturallucianobastos@ig.com.br

Vagas Limitadas. Inscrição: R$40,00.

Facilitação para alunos e professores.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

PADRE ANTONIO FRANCISCO DE MELLO, O PADRE MELLO



                                                                      (atualizado em 19/04/2020)

Antonio Francisco de Mello nasceu na Ilha de São Miguel, no arquipélago português dos Açores, em 27 de abril de 1863.

A respeito da data e local de nascimento de Padre Mello, pesquisa realizada por Antonio Soares Borges indica seu registro de batismo na Igreja de Nossa Senhora da Anunciação: Antonio, filho de Marianno de Mello e Roza Maria de Pimentel, nasceu às 3 horas da manhã do dia 27 de abril de 1863, em Achada Grande, Concelho da Vila do Nordeste.



No ano de 1885 foi ordenado sacerdote católico, tendo vindo para o Brasil no mesmo ano.

Após passar um período em Sapucaia, foi transferido para Bom Jesus do Itabapoana no ano de 1899, chegando a essas terras acompanhado da irmã, Dona Maria Júlia de Mello (Dona Mariquinha) e de uma senhora portuguesa chamada Dona Cândida.

Sobre a chegada de Padre Mello a Bom Jesus, há interessante artigo de Osório Carneiro, publicado em O Norte Fluminense, em 23 de abril de 1972, e que reproduzimos a seguir:

UM NOME INESQUECÍVEL
Como chegou a Bom Jesus o saudoso Padre Mello

    A esta altura já não há quem ignore que o saudoso Padre Antonio Francisco de Mello era natural da Ilha de São Miguel, em Portugal, onde nascera no dia 27 de abril de 1862. Vivo pudesse estar, contaria agora, 110 anos de idade. Não dispomos de nenhum elemento, infelizmente, que possa comprovar a data certa de sua chegada ao Brasil. Sabemos, no entanto, que chegado ao nosso país, a primeira paróquia que lhe coube dirigir foi a de Sapucaia, município fluminense, onde serviu por vários anos, sendo dali, posteriormente, transferido para Bom Jesus do Itabapoana, aqui chegando precisamente no dia 18 de Junho de 1899, quando se processava, por sinal, um pleito eleitoral, achado-se bastante movimentado o antigo povoado.
      Há uma particularidade interessante, no entanto, que muita gente ignora. A viagem do virtuoso sacerdote não se processou diretamente. Veio ele por trem da Leopoldina até Ponte do Itabapoana, onde baldeou para um outro trem da nossa antiga estradinha de ferro, já extinta, vindo a desembarcar na estação de Boa Vista, hoje Apiacá, que era o ponto final da linha, onde não havia casa de hospedagem, ali pernoitando por gentileza, na residência do sr. Francisco Turco, comerciante no povoado. Mas não se achava só, o Padre Mello. Duas senhoras, também de nacionalidade portugueza, o acompanhavam na sua viagem. Uma era a sua irmã, d. Mariquinha Mello, e outra d. Cândida, que vieram juntos da ilha de São Miguel no mesmo transatlântico, sem que existisse essa senhora e os dois irmãos qualquer grau de parentesco. Eram apenas, em sua pátria de origem, vizinhos e bons amigos, muito unidos, formando por assim dizer, uma só família cristã.
       E assim é que, após haver dispensado todas as atenções aos seus distintos hóspedes, de maneira acolhedora, no dia seguinte, 18 de Junho de 1899, o sr. Francisco Turco os conduziu pessoalmente até Bom Jesus, de montaria, visto não haver, na época, nenhum outro meio de condução. Desde então o Padre Mello assumiu a condução espiritual de sua nova paróquia, onde serviu perto de meio século, nela permanecendo, como verdadeiro pastor de almas, até a sua morte, verificada a 13 de Agosto de 1947. A população, no entanto, jamais o esquecerá. Seu nome se acha, para sempre, ligado à história de nossa terra. A cada ano que passa mais a sua memória se agiganta na alma do povo, passando, assim de geração em geração.


Padre Mello foi vigário da Paróquia de Bom Jesus por 48 anos, tendo falecido em 13.08.1947, justamente durante os festejos que ajudou a instituir no município, e que deram origem à Festa de Agosto.


A Festa em louvor do Divino Espírito Santo era tradição na Ilha de São Miguel, e acabou sendo incorporada à tradição do município de Bom Jesus, no período de 13 a 15 de agosto.


Considerado por todos uma das figuras mais ilustres de nossa terra, Padre Mello não se limitou a sua atuação religiosa. Nas palavras de Luciano Bastos, em artigo intitulado "Bom Jesus, sua administração e Padre Mello", publicado em O Norte Fluminense, Padre Mello "teve papel importantíssimo no desenvolvimento da nossa terra, não apenas no setor religioso, mas no educacional, administrativo, social e em nossa emancipação política".



 Carta manuscrita escrita por Padre Mello no ano de 1941
destinada à Diretora do então Ginásio Rio Branco
Acervo: Espaço Cultural Luciano Bastos


Poeta e jornalista, Padre Mello foi o autor do Hino do Colégio Rio Branco, compondo Música e Letra.

Seus poemas refletem o interesse que teve em vida por diversos e variados temas. Aos temas religiosos, somam-se diversos outros que ajudam a compor uma parte da história de Bom Jesus na primeira metade do século XX.

A seguir alguns de seus poemas:

CARROS DE BOIS

Por caminhos da roça tortuosos
estreitos e cavados, vão passando
velhos carros de bois, estes cantando,
aqueles em gemidos lamentosos.

Mas sendo iguais e todos preciosos
os frutos da terra vão levando,
e se o destino igual os vai guiando,
por que vão cantando e outros chorosos?

Que diga o coração da humana raça
quão variadamente ele palpita
se é varia a onda que por ele passa.

De dores e de alegrias no transporte,
tal como carro, canta chora, grita,
conforme o aperto dos cocões da sorte.

***

CONTRASTE

                            A um sino que serviu nas senzalas adquirido há
                           tempos pela Liga Católica de Itaperuna

Quão diferente tua voz agora
Que tão suave ao coração nos fala
daquela que bem junto da senzala
às gerações servís falava outrora!

Ao pobre escravo ias dizer: Lá fora
uma enxada te espera: entre na ala!
E no entretanto pelos vãos da sala
não penetrava ainda a luz da aurora.

Hoje porém é outro o teu ofício:
ou nos congregas em união fraterna
ou nos chamas ao Santo Sacrifício.

E sempre a despertar, meu velho sino,
não os escravos da servil taberna
mas os escravos do Amor Divino

***

MORRER SONHANDO

Cedo, bem cedo, perderei a vida
Planta ferida no mimoso pé.
Teu desengano perecer me ordena,
Na idade plena de esperança e fé.

Porém a morte me é suave e doce
Como se fosse uma ilusão de amor;
Embora eu sinta que uma luz se apaga
Outra se afaga de eternal fulgor.

Morrer sonhando! Como é doce a morte!
Que vale a sorte que esta vida tem?!
A vida é sempre uma fugaz mentira,
A morte aspira a realidade além.

Morre este corpo de servil matéria.
Baixa à miséria do funéreo pó,
Porém minha alma sempre viva sonha
Vida risonha; não mereço dó.

Beijo-te a mão que me assassina e creio
Que ela me veio libertar ao fim.
Morrer sonhando é despertar na glória;
Eis a vitória. Morrerei assim.

***

O RELÓGIO DA TORRE

Já luz de noite o relógio
já o relógio tem luz,
já sabe a quantos se deita
o povo de Bom Jesus

Mas por que andava de noite
a torre na escuridão?
mil razões a gente dava
e ninguém dava razão.

Até se disse: "De certo
economia de luz".
Mas luz é que não faltava
nos fios de Bom Jesus.

A razão, razão suprema
com que ninguém atinou
foi que do cofre da Igreja
o dinheiro se ausentou.

(poema publicado em 1932, no jornal "O Momento")



***

Sobre Padre Mello, escreveu Delton de Mattos em artigo publicado no jornal O Norte Fluminense, em 25.12.1949


Padre Mello 


 Por Delton de Mattos

Estava esperando alguns vagares para escrever estas linhas sobre o Padre Mello, o grande bonjesuista (neologismo octaciliano), um dos maiores, talvez o de espírito melhormente malhado pela vida, na dedicação ao pensamento e ao trabalho, na sinceridade do ideal, e no intransigente sacerdócio dentro e fora da igreja. Já envelhecia comigo o documentário emprestado de Romeu Couto, que acabo agora de copiar. Enfim, que pode a gente fazer aos compromissos, quando cada vez aumenta, nos dias nervosos, o elemento relação, como diria o velho Einstein. 
Mas foi até bom esse retardamento, pois Bom Jesus anda evoluindo muito, e qualquer coisa que se diga no ambiente de hoje, tem efeito mais sensível. E desta cidade-cérebro a gente anda esquecido de escrever o que não toca ao proveito geral.

Lembro-me bem do que dizia o Padre Mello, de tão nobres que a mim criança me pareciam suas palavras. Nobres e profundas, com um quê de singeleza ligeiramente áspera, escondendo à furto, na boa pronúncia portuguesa, a nitidez das ideias e o pensamento oportuno, com uma invejável saúde de espírito. A princípio eu não podia penetrar no seu grande mundo interior, que eu nada entendia de coisa alguma. Depois passei a achar que um Padre Mello devia dizer coisas mais sábias e finalmente comecei a não querer falar e nem pensar no que ele dizia. Apenas ficava deslumbrado com sua facilidade de penetração, com seu verbo à flor dos lábios, e a universalidade de sua cultura. E aquelas historietas lusitanas que ele me contava, tão simples e insignificantes no começo, tornaram-se para mim de um delicioso sabor literário.

Mais tarde, os bucólicos portugueses completaram no meu espírito os quadros campestres que ele traçara, e que eu não conseguira assimilar em criança. Reconheci-os todos, que eram verdadeiros e reais. Um menino indo ao colégio montado num cão, a colheita das uvas e a caneca do vinho com pão de forno, a canção da moça que chorava o pássaro ferido, ou a tristeza do pastor apaixonado... Historietas que me transmitiam sentimentos iguais aos de Menina e Moça e Cristal. Eram as emoções evoluídas e simplificadas de Bernardin Ribeiro e Cristóvão Falcão...

Houve um tempo em que almoçávamos juntos no Hotel Bom Jesus; foi quase no fim. Eu encolhia-me diante de sua incomparável mocidade de espírito. Às vezes ensinava-me português, tão minuciosamente, como no caso do til. Às vezes se tornava humorista, fazia quadras explorando o ridículo, e dizia que eram dos velhos tempos de Universidade. Muito raramente ficava em silencio, e punha-se então a balançar a cabeça de modo afirmativo, mordendo os lábios para conter as frases. 

Padre Mello foi contemporâneo de Antero de Quental, lá na ilha. Ele costumava dizer que divergiam muito, mas eram amigos. Antero era meditativo, triste, ensimesmado. Padre Mello era alegre e jovial. Quando Antero voltou de Coimbra, já predestinado à angustia de pensar que o matara depois, Padre Mello se preparava para deixar S. Miguel, sem saber que carreira seguiria na famosa Universidade. O inquieto autor das Odes Modernas gostava de passar a noite a vagar pelas colinas mornas, fitando um céu muito baixo, e fazendo versos. 

Padre Mello saía da ilha para nunca mais rever o filósofo. Ele tinha nessa época muitas ilusões, que os primeiros contatos com o mundo civilizado da Europa destruíram completamente, conduzindo-o ao convento. Nascera com uma alma robusta, o bastante para não desafiar a vida brutal, diferente da que ele sonhava, mas o bastante também para não obriga-lo a fugir de si mesmo, do ideal artístico, das tendências literárias.  A ilha de S. Miguel apresentava uma paisagem que oprimia, como retrata D. Carolina Michaelis falando de Antero, com “montes vulcânicos de formação monótona demasiadas vezes envolvidos num tênue véu de vapor quente que, tornando baixa a abóboda do céu, e pesada a atmosfera, lhe entristecia a alma, ardente de sol já quando criança”. Um espírito como o do Padre Mello não poderia viver numa natureza assim, amante, mas incerta e restrita. Daí a saída para o Brasil, e para Bom Jesus, que identificou-se muito bem com ele. O tanto que ele amava Bom Jesus, o tanto que nós sabemos, nunca fe-lo esquecer a ilha distante, a Coimbra alegre.

Com esses relatos ligeiros podemos fazer uma ideia das causas de suas emoções literárias e cientificas, sempre tão jovens. Sua obra nunca teve o objetivo de ir além da cidade. Era como se um pouco do espírito da cidade, que ia fazendo bases proporcionais ao crescimento dela. Bases sólidas como as das casas anciãs, que hoje podem ser aproveitadas para grandes edifícios. 

Padre Mello é uma tradição de trabalho e pensamento. O que ele realizou em Bom Jesus representa um patrimônio espiritual considerável, alicerce de dias futuros. 

Quando empregamos todas as nossas energias a clamar por educação, a pedir ensino para todos os bonjesuenses, pondo o passado tranquilo em relação com o presente agitado e o futuro incerto, estamos tentando preservar o patrimônio legado por Padre Mello, patrimônio que é uma esperança, um orgulho e um estímulo.



sábado, 7 de abril de 2012

CADA BORDADO UMA HISTÓRIA

Visite a Exposição Mãos que Bordam

Você vai se encantar com a história de cada detalhe

(terça a sexta-feira, das 9h às 11h e das 13h às 16h30min)









 










sexta-feira, 30 de março de 2012

Abertura da Exposição MÃOS QUE BORDAM

O Espaço Cultural Luciano Bastos abriu sua programação de 2012, no dia 28 de março, com a exposição Mãos que Bordam, curadoria de Claudia Bastos.




  




Esta exposição convida você a viajar no tempo através de antigos bordados feitos a mão e a máquina de costura, com fazendas, linhas e agulhas, revelando histórias contadas por cada uma das MÃOS QUE BORDAM...





Roca de fiar e ao fundo, máquina de costura manual e ferro de passar a brasa. Acervo ECLB


Vídeo produzido pelos jovens Renan, Laís e Thaís mostra as bordadeiras que sempre trabalharam e continuam exercendo essa arte em nossa cidade.






Vestido bordado a mão por Maria José Borges do Couto, aluna da primeira turma de normalistas do Colégio Rio Branco. 

Bordados em materiais diversos.

Bordado em vagonite por Wilma Borges Reis.

Lençol com monograma. Bordado em crivo por Leonor Porcina do Carmo e com cheio por Maria Tereza Dutra Baptista (Mariazinha). Década de 50.



Mãos brasileiras, mãos bonjesuenses. 
Mãos libanesas e mães libanesas, que souberam costurar culturas e heranças de uma arte familiar. 
O bordado é uma arte nobre, exige paciência, delicadeza e ternura. São peças que necessitam tempo e persistência... quase sempre motivadas pela intensidade do amor.
 
Nessa exposição cada toalha, cada lençol, cada camisola... carrega uma época, um lugar, um enredo - eternizados pelos traços de muitas mãos...


Peças bordadas pelas libanesas radicadas em Bom Jesus. Ao fundo, toalha bordada


Monograma bordado por Malvina Naked Saad para seu casamento com Salim Hanna Saad. Década de 20.

Camisola bordada no Líbano por Júlia Abib para seu casamento com Karin João na primeira década do séc. XX. Ao lado, colcha em frivolité bordada por Júlia na década de 40.

Toalha bordada em frivolité por Julieta Nacif. Década de 50.



AULAS DE ARTE

O Colégio Rio Branco, durante gerações, ensinou a arte do bordado em suas aulas de arte. Algumas das peças bordadas em sala de aula estão aqui expostas. Muitas vezes as alunas utilizavam o mesmo risco, porém suas mãos compunham um toque pessoal que faz de cada peça aqui exposta uma obra única. A singeleza de um tempo de sonhos se demonstra e compõe uma homenagem às professoras de arte que por aqui passaram.







Centro de mesa bordado em ponto cheio por Helida Guedes Monteiro. Década de 50.


Passadeira bordada em ponto de laçada e cheio por Lúcia Gonçalves Dutra de Oliveira. Década de 60.

Vestido bordado por Georgina Mello Teixeira para festividade no Colégio Rio Branco. 
Data: 1948

Detalhe do bordado


D. Nina trouxe para a exposição um belo bordado em casinha de abelha dupla, confeccionado por sua tia Carolina Diniz Mello, a tia Calu. Década de 50.



As Mãos de Dona Odete, a Vovó Niniu dominavam como ninguém a renda irlandesa - um trabalho exclusivamente artesanal, que envolve a aplicação de rendas - além de outras variadas e antigas técnicas de bordados. Sendo professora de trabalhos manuais por muitos anos no Colégio Rio Branco, pôde ensinar a arte a várias gerações.

Essa exposição é em homenagem a ela, que incentivou a arte do bordado a suas filhas e netas e influenciou seus inúmeros alunos.

 
Prof.ª Odete Tavares Borges e alguns de seus bordados. Foto Alba Lívia Travassos.


Monograma bordado em ponto cruz pela mãe de Odete, Ercília Alves Bastos, para seu casamento com Vicente Pedro Tavares em 1905. Odete nasceu em 09/11/1916 e herdou de sua mãe o gosto pelos trabalhos manuais.


Palas de Renda irlandesa, especialidade de Odete Tavares Borges, compunham o enxoval de recém-nascidos e noivas de nossa região.




Bordados por Odete Tavares Borges e sua filha Ercília Borges do Carmo. Década de 60 e 70.

Renda irlandesa com cadarço em crochê tecido por Leny Borges Bastos. Década de 70





Pedro Salim foi o anfitrião do evento


Que bom que você veio aqui nessa noite. Você vai se envolver em cada fio das muitas histórias escritas com agulhas e tecidos dessas artistas.

Em nome do Espaço Cultural Luciano Bastos, nós gostaríamos de agradecer

· A todas as pessoas e famílias que cederam as peças expostas nessa exposição.
· Às pessoas que emprestaram suas peças e com elas parte de sua história também.
· Aos jovens talentos Renan, Laís e Thaís, que doaram seus dons para ajudar a montar esse acervo.
· À Ercilia e Claudia Bastos que doaram suas mãos para confeccionar essa exposição e trazer aos nossos olhos coisas belas!

A partir desse momento, está aberta a sala da América Latina para visitação e apreciação das obras artesanais.

Exposição aberta de 3ª a 6ª feira, das 9 às 11h e das 13 às 16h30min. 


O Espaço Cultural Luciano Bastos reservou um momento, logo após a abertura, para uma apresentação musical, executada por Jorge Ubirajara e seus convidados.