"Revejo com especial carinho os velhos mestres, os antigos colegas de turma, o velho casario do alto de Santa Rita, e fico com o desejo de voltar sempre! Que as comemorações do Cinquentenário possam alentar novas jornadas, dentro das agruras do mundo moderno."
O Espaço Cultural Luciano Bastos foi inaugurado em 12/08/11, tendo sido idealizado como forma de preservar o rico patrimônio cultural que constitui o prédio do antigo Colégio Rio Branco e todo acervo existente em seu interior, disponibilizando para a comunidade o acesso a esses bens, e estimulando a cultura local através do desenvolvimento de diversas atividades culturais. Pça Amaral Peixoto 13, Centro, Bom Jesus do Itabapoana espacoculturallucianobastos@gmail.com ; @espacoculturallucianobastos
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
1970: COLÉGIO RIO BRANCO COMEMORA SEU CINQUENTENÁRIO (parte 1)
1970: COLÉGIO RIO BRANCO COMEMORA SEU CINQUENTENÁRIO (parte 2)
Às 12h do dia 20 de setembro, o Colégio Rio Branco recepcionou ex-alunos e autoridade, promovendo almoço de confraternização num ambiente de festa, alegria e muita saudade
Foi iniciada pelo Dr. Luciano Bastos que disse do significado do ato, quando o Colégio Rio Branco prestava justas homenagens a ex-diretores, que no passado tudo fizeram e deram de si, com idealismo e amor pela causa do ensino e pelo educandário. Após, foram descerrados os retratos dos ex-diretores: sr. Mário Bittencourt pela sua neta Katia Tavares Bittencourt; sr. Carlos Marques Brambila, pela sua sobrinha Emília da Conceição Brambila Kely; sr. José de Oliveira Borges por sua neta Maria Lúcia Borges; saudoso sr. José Mansur pela sua filha Maria da Penha Mansur, e finalmente o retrato do saudoso sr. Olívio Bastos pelo seu neto Gino Martins Borges Bastos.
A seguir usou da palavra o sr. Mário Bittencourt, que emocionado relembrou saudoso os primeiros anos de fundação do Rio Branco, dizendo do pioneirismo do educandário, o primeiro a dar cadernetas de reservista na região, o primeiro a dar Escola de Datilografia; o primeiro em trazer bancas examinadoras do Colégio Pedro II, etc. Foi um pronunciamento eloquente e muito aplaudido por todos.
“Em primeiro lugar eu tenho uma mensagem de carinho e de
amor ao Colégio Rio Branco. Um abraço de saudade pelo cinquentenário,
completando hoje. Um abraço daquela que trabalhou convosco, Colégio Rio Branco,
que orientou os vossos passos durante a infância. Essa é a mensagem de minha
senhora, a Doca, para vós, Colégio Rio Branco.
As maiores provas de amor são aquelas que as pessoas não a
esquecem. E é por isso Colégio Rio Branco, nós que vivemos juntos há quarenta
anos passados e em quarenta anos passados já é tempo bastante para dois
companheiros de serviço esquecer perfeitamente um do outro. Mas só o amor, a
amizade sincera, é que lembram e eu fui lembrado por vós.
Colégio Rio Branco, fostes o pioneiro da instrução neste torrão; fostes o pioneiro porque fostes o primeiro a dar à mocidade de Bom Jesus, diplomas de Datilografia; fostes o pioneiro porque fostes o primeiro em todo o território do município de Itaperuna a dar à mocidade de Bom Jesus, cadernetas de reservistas; e fostes o primeiro a conseguir Bancas examinadoras do Departamento Nacional de Ensino a vir aqui em nosso torrão, em nossa cidade, e fazer exames da mocidade bonjesuense e fostes o primeiro em todo o território do município de Itaperuna, na época, que enviastes alunos a exames no Colégio Pedro II e até Ginásios oficiais de Belo Horizonte. E fostes o primeiro porque nascestes, Colégio Rio Branco, com uma estrela e esta estrela iluminou e tem iluminado o vosso caminho; o vosso espírito alcantilado pode enxergar longe o caminho do dever, até que completastes hoje mais uma etapa de 50 anos de trabalho. E o maior amor que tenho por vós é que não deixastes a bandeira que recebestes nos dias de 1920, esta bandeira que ainda empunhais até hoje: a bandeira do trabalho, a bandeira da honestidade, a bandeira do civismo, a bandeira de um Brasil melhor, de um Brasil pra frente, que é a bandeira da nossa paz.”
As Professoras e irmãs Maria Júlia, Vera e Ana Maria Barbosa Gomes
Tenho a certeza que aqui ficou meu coração, pois aqui foi que encontrei em minha vida um dos maiores tesouros, que se concretizou nos ensinamentos que me foram transmitidos de amor à lealdade, à honestidade, à disciplina e à fraternidade."
domingo, 12 de julho de 2020
Memórias do século XX: "Tangará e Andorinha"
|
| Dejanira Pettersen, em 2015 |
Em seu tempo de menina, Dejanira morava em São João do Paraíso, distrito de Cambuci, sonhando com uma vida em que pudesse percorrer o mundo e conhecer pessoas. Quando Geraldo Silva, de nome artístico "Tangará", chegou à cidade, junto com um grande circo, a vida da jovem começou a tomar o rumo que ela quis construir. O circo vai embora, mas tempos depois, após uma grande enchente da qual se recorda muito bem, Geraldo retorna à cidade, preocupado com a jovem. O casal se declara apaixonado e para Dejanira começa a experiência dos palcos. Em breve, assume o nome artístico "Andorinha", e assim nasce a dupla "Tangará e Andorinha".
![]() |
| Anúncio de show em circo, com participação de Tangará - a lápis: dia 2 em Bananeiras. |
No período em que Dejanira e Geraldo viveram em Itaperuna, sua moradia foi no Hotel Meirelles, no andar térreo. Foi nesse local que o músico preparou um cenário que pudesse acompanhar a dupla em suas viagens pela região: pintou em tecido uma cidade imaginária com muitos prédios. O cenário, assim, cabia em uma mala, podendo ser facilmente transportado e montado a cada apresentação.
Após deixar o programa na Rádio Itaperuna, o casal passa a se apresentar em várias localidades. Seguir o roteiro da dupla é perceber a importância das linhas ferroviárias como meio de transporte e de comunicação entre as cidades durante grande parte do século XX no interior brasileiro, em especial na confluência entre os estados do Rio, Minas e Espírito Santo. E assim, Dejanira vai indicando uma série de lugares em que "Tangará e Andorinha" percorreram com suas apresentações teatrais, tais como: Pirapetinga, Patrocínio do Muriaé, Muriaé, Leopoldina e Juiz de Fora (MG); Murundu, Santa Margarida, Chave do Paraíso, Gargaú, Travessão de Campos, Baixa Grande, Santo Amaro, Saturnino Braga, Tocos, Capão, Chave Santa Maria, Usina Santa Izabel (RJ); Iurú, Mimoso do Sul e Iconha (ES). Nessa lista é possível perceber o nome ou local de muitas das estações ferroviárias que compunham as linhas da época.
Onde se apresentar? O primeiro lugar a buscar era o cinema, se não houvesse cinema, buscava-se um clube, ou um local em que se pudesse fazer o show, montando o cenário "portátil". No local, apresentavam um "Carta de recomendação" assinada por pessoas que haviam recebido os artistas em suas cidades. Em alguns casos, como em Iurú, a apresentação ocorreu na própria estação ferroviária, no salão da estação, por não haver cinema ou clube que pudesse recebê-los. Também era comum receberem convite para apresentação em algumas fazendas, em áreas rurais mais afastadas.
Quando Geraldo Silva começou a ter problemas de saúde, não foi possível manter a vida itinerante e os tempos de apresentações terminaram. Dejanira arrumou trabalho em uma fazenda em Batelão da Barra, São Francisco do Itabapoana, onde o casal viveu por alguns anos, antes de se mudar para Bom Jesus do Itabapoana. Hoje, viúva, Dejanira continua vivendo seu tempo de artista nos palcos da memória, onde os aplausos não param. Sempre disposta a nos brindar com suas histórias, essa mulher, que nasceu para a vida artística, nos transporta a um mundo onde o real e o mágico se entrelaçam, e da terra surgem vozes distantes nos contando de um tempo e de um lugar que, afinal, nos trouxeram até aqui.
A doença impossibilitou Tangará a continuar em seu contato com o povo em apresentações teatrais. Em uma carta ao radialista, locutor e cantor Gilberto Lima, Geraldo se descreve como "compositor, cantor, violonista e humorista da Velha Guarda" e acrescenta "há 52 anos que realizo shows pelos sertões do meu Brasil". Seu sonho era ter um disco gravado com suas composições, e para isso chegou a enviar cartas solicitando apoio a prefeitos, governador e presidente.
Alguns dos títulos de suas músicas: Exaltação a Petrópolis, Sabiá e João de Barro, Mandamentos das moças, Sapo dentro do saco, Batizado da bicharada, Futebol dos bichos, A mulher e o automóvel, É bonito isso, Flor de maracujá, Ladrão de passarinho, O homem e o cão, Boi amarelinho, Cobra surucucú, Rio Muriaé, Crime de Muriaé, Vida de casado, Cigana, O tatu tá no buraco, Mulher não, Gavião, O vento vai, Alegria de caboclo, Tão lindo não há, Pato e o Marreco, Bicho doido, Por causa do marreco, Vou pra lua, O vento vai, Como é bonito ver, O sapo e o saco, Siri jogando bola, Totó apaixonado (1957), Como é bonito ver (1960), Fiel companheira (1970), Tristeza (1976), Bebê de proveta (1979), Faniquito (1980).
| Geraldo Silva nasceu em Petrópolis (1917) e faleceu em Bom Jesus do Itabapoana (1984). Acervo particular: Dejanira Pettersen. |
Ah meu compadre
Essa eu vou contá pro povo
Eu vi lá na fazenda
Galo véio botá ovo
A lua tá cheia (Tangará do Sul)
A lua agora não fica vazia
Tem gente lá
morando noite dia
Pra lua agora
a coisa ficou feia
vai ter que andar
só cheia









































