quarta-feira, 5 de agosto de 2020

1970: COLÉGIO RIO BRANCO COMEMORA SEU CINQUENTENÁRIO (parte 2)

Hasteamento da Bandeira do Brasil pelo Diretor Luciano Bastos


D. Carmita, Dr. Luciano Bastos, Sebastião Alves da Silva, Prof. Ilis Carlos Machado e Prof. Willian do Couto Gonçalves.



O Colégio Rio Branco deu continuidade, no dia 19 de setembro, às festividades comemorativas do seu cinquentenário de fundação, iniciadas em março de 1970.

Às oito horas da manhã tiveram início as festividades da semana do cinquentenário. Presentes diretores, professores e alunos, em frente ao estabelecimento, fez uso da palavra a Diretora Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira, dizendo do significado desse acontecimento. A seguir, ao som do Hino Nacional, cantado pelos presentes, foi hasteada a Bandeira da Pátria pelo Dr. Luciano Augusto Bastos. Após, a Bandeira do Estado do Rio de Janeiro, pelo Prof. Ilis Carlos Machado, Inspetor de Educação do Estado e Presidente dos festejos do cinquentenário, seguindo-se o hasteamento da Bandeira do Colégio Rio Branco pela Diretora D. Carmita, sendo cantado o Hino do Colégio.

Às 12h do dia 20 de setembro, o Colégio Rio Branco recepcionou ex-alunos e autoridade, promovendo almoço de confraternização num ambiente de festa, alegria e muita saudade

Luciano Bastos, prefeito Jorge Assis de Oliveira, Antonio Carlos Cunha e Dr. José Vieira Serodio.


Antonio Carlos Cunha, Luciano Bastos, Dr. Edu da Silva Batista e Jorge Assis de Oliveira.


Nanadir Ferreira Tatagiba, D. Carmita, Dr. Elio Nunes da Silva e Dr. João Assad.


Dr. Darcy Fraga de Campos, Ediniz Pereira Campos, Luciano Bastos, Jorge Assis de Oliveira e Dr. José Vieira Serodio (orador).



Às 20h , a Escola de Ballet Juliana Yanaklewa, de Niterói, se apresentou e encantou o público que superlotou as dependências do Aero Clube.



No dia 21 de setembro, às 9h, aconteceu a inauguração da galeria de fotos dos ex-diretores do Colégio Rio Branco.



A Solenidade
Foi iniciada pelo Dr. Luciano Bastos que disse do significado do ato, quando o Colégio Rio Branco prestava justas homenagens a ex-diretores, que no passado tudo fizeram e deram de si, com idealismo e amor pela causa do ensino e pelo educandário. Após, foram descerrados os retratos dos ex-diretores: sr. Mário Bittencourt pela sua neta Katia Tavares Bittencourt; sr. Carlos Marques Brambila, pela sua sobrinha Emília da Conceição Brambila Kely; sr. José de Oliveira Borges por sua neta Maria Lúcia Borges; saudoso sr. José Mansur pela sua filha Maria da Penha Mansur, e finalmente o retrato do saudoso sr. Olívio Bastos pelo seu neto Gino Martins Borges Bastos.
A seguir usou da palavra o sr. Mário Bittencourt, que emocionado relembrou saudoso os primeiros anos de fundação do Rio Branco, dizendo do pioneirismo do educandário, o primeiro a dar cadernetas de reservista na região, o primeiro a dar Escola de Datilografia; o primeiro em trazer bancas examinadoras do Colégio Pedro II, etc. Foi um pronunciamento eloquente e muito aplaudido por todos.



Inauguração retrato de Mário Bittencourt por sua neta Katia Tavares Bittencourt.


Inauguração retrato de Carlos Brambila, por sua sobrinha Emília Conceição Brambila Kely


Inauguração retrato de José de Oliveira Borges, por sua neta Maria Lucia Borges


Inauguração retrato de José Mansur por sua filha Maria da Penha Mansur


Inauguração retrato de Olívio Bastos por seu neto Gino Martins Borges Bastos.


Confraternização Mário Bittencourt e José de Oliveira Borges 


Mário Bittencourt, bastante comovido, fez um discurso de improviso, gravado e e depois publicado no jornal A Voz do Estudante:

“Em primeiro lugar eu tenho uma mensagem de carinho e de amor ao Colégio Rio Branco. Um abraço de saudade pelo cinquentenário, completando hoje. Um abraço daquela que trabalhou convosco, Colégio Rio Branco, que orientou os vossos passos durante a infância. Essa é a mensagem de minha senhora, a Doca, para vós, Colégio Rio Branco. 

As maiores provas de amor são aquelas que as pessoas não a esquecem. E é por isso Colégio Rio Branco, nós que vivemos juntos há quarenta anos passados e em quarenta anos passados já é tempo bastante para dois companheiros de serviço esquecer perfeitamente um do outro. Mas só o amor, a amizade sincera, é que lembram e eu fui lembrado por vós.

Colégio Rio Branco, fostes o pioneiro da instrução neste torrão; fostes o pioneiro porque fostes o primeiro a dar à mocidade de Bom Jesus, diplomas de Datilografia; fostes o pioneiro porque fostes o primeiro em todo o território do município de Itaperuna a dar à mocidade de Bom Jesus, cadernetas de reservistas; e fostes o primeiro a conseguir Bancas examinadoras do Departamento Nacional de Ensino a vir aqui em nosso torrão, em nossa cidade, e fazer exames da mocidade bonjesuense e fostes o primeiro em todo o território do município de Itaperuna, na época, que enviastes alunos a exames no Colégio Pedro II e até Ginásios oficiais de Belo Horizonte. E fostes o primeiro porque nascestes, Colégio Rio Branco, com uma estrela e esta estrela iluminou e tem iluminado o vosso caminho; o vosso espírito alcantilado pode enxergar longe o caminho do dever, até que completastes hoje mais uma etapa de 50 anos de trabalho. E o maior amor que tenho por vós é que não deixastes a bandeira que recebestes nos dias de 1920, esta bandeira que ainda empunhais até hoje: a bandeira do trabalho, a bandeira da honestidade, a bandeira do civismo, a bandeira de um Brasil melhor, de um Brasil pra frente, que é a bandeira da nossa paz.”

Maria das Graças do Couto, Luciano Bastos, Dr. Francisco Baptista de Oliveira, D. Carmita, Mário Bittencourt, Dr. João José Assad e Vera Lúcia Barbosa Gomes.


As Professoras e irmãs Maria Júlia, Vera e Ana Maria Barbosa Gomes


No Salão de Festas, teve lugar festiva reunião às 10h, quando teve lugar a palestra da Dra. Creuza Boechat de Oliveira Magalhães, ex-aluna e ex-secrretária do Colégio Rio Branco.

Creuza Boechat de Oliveira, em foto no jornal O Norte Fluminense, 10/04/1940.


Trecho do discurso de Creuza Boechat de Oliveira


"Ao terminar o meu curso Ginasial neste educandário, ao receber o diploma de concludente da 4ª série, senti-me como aquela criança que ao receber um brinquedo tão sonhado, perdeu todo o seu encanto tão logo o sentiu em suas mãos. Sim, meus amigos, ao verificar que aquele fato representava para mim o não mais voltar às carteiras de minha sala e ao convívio de meus colegas, de meus professores, a sentir que não mais poderia correr brincando neste pátio que por tantos anos me recebeu de braços abertos, deixando, sem uma reclamação, que nele escrevesse com um simples pedaço de pau aquilo que ia em minha alma, e quantas vezes assim o fiz, senti-me completamente confusa e na condição do homem citado no Evangelho de Cristo, que acumulou grande tesouro na vida e que, ao morrer dele não se pode separar, como as parábolas do Mestre de que "onde estivesse o seu tesouro, aí estará o teu coração". E eu, naquele momento, senti que meu tesouro estava ali, no pátio, nas salas, nos corredores, no salão nobre, enfim, no meu Rio Branco.
Tenho a certeza que aqui ficou meu coração, pois aqui foi que encontrei em minha vida um dos maiores tesouros, que se concretizou nos ensinamentos que me foram transmitidos de amor à lealdade, à honestidade, à disciplina e à fraternidade."


Salão de festas, vendo-se entre outros Hildebrando Magalhães, Emília Brambila Kely, Sebastião Alfeu da Silva, Dr. Oliveiro Teixeira, Dr. João José Assad, Dr. Francisco Baptista de Oliveira, Osório Carneiro, Elias Chalhoub, Homero Serodio, Luciano Augusto Bastos, Maria da Penha Mansur, Mário Bittencourt, José de Oliveira Borges, Dra. Creuza Boechat de Oliveira e D. Carmita.



No dia 24 de setembro,  às 9h, foi oferecido um coquetel às autoridades e ex-alunos no Colégio. 

9h Coquetel às autoridades e ex-alunos


10h Palestra pelo ex-aluno Dr. José Vieira Serodio e pela Prof. Oraide Menezes de Carvalho, DD. Inspetora Seccional de Ensino



Na frente, Messias Baptista da Silva, Dr. Vero Batista, Dr. Esio Teixeira Lima, Dr. Deusdedit Tinoco de Rezende.



Encerrando as atividades da manhã, o momento histórico do apagar das velas do bolo do Cinquentenário.






Anúncio do resultado do Concurso da Rainha do Cinquentenário


Às 20h, no Aero Clube, Coroação da Rainha do Cinquentenário, aluna Rosane de Aguiar Mascarenhas, e das Princesas Yara Loureiro Laborne e Teresa Cristina Borges Alvarenga, seguindo-se após exibição do Canto Coral de ex-alunos, uma comovente homenagem à Diretora Técnica, a renomada Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira, D. Carmita, que recebeu um medalhão de ouro, oferta dos ex-alunos, com expressiva e consagradora homenagem.

Rainha do Cinquentenário Rosane de Aguiar Mascarenhas ao lado do pai Dr. José do Canto Mascarenhas. 





Prof. Maria Áurea Megre Hobaica


Entrega de um medalhão de ouro a D. Carmita pela Sra. Leny Borges Bastos


Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira, homenageada pelos ex-alunos.


No dia 26 de setembro, às 19h30 encerram-se as festividades com o emocionante desfile dos ex-alunos.

Dr. Francisco Baptista de Oliveira, Luciano Bastos, Ernesto Tavares Borges, Ruy de Moraes Borges 


Dr. José Fraga, Dr. Francisco Baptista de Oliveira, Luciano Bastos, Francisco Gomes de Figueiredo, Ernesto Tavares Borges, Ruy de Moraes Borges

Alunos do Curso Ginasial


Alunas do Curso Normal

Alunos do Curso Primário



Carro alegórico com a Rainha do Cinquentenário, Rosane Mascarenhas de Aguiar.








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domingo, 12 de julho de 2020

Memórias do século XX: "Tangará e Andorinha"

Tangará e Andorinha: apresentação em Iconha (ES), 1960. 
Acervo particular: Dejanira Pettersen.

"TODO ARTISTA TEM DE IR AONDE O POVO ESTÁ"

Dejanira Pettersen nasceu em Cambuci e hoje vive em Bom Jesus do Itabapoana, estando às margens de um tempo centenário. Não há como escutar suas histórias sem viajar no tempo e no espaço: com elas voltamos ao século XX e percorremos terras fluminenses, capixabas e mineiras, viajando sobre os trilhos do trem, no constante prenúncio das alegrias do palco e na certeza de que a vida do artista é sempre ir aonde o povo está.

Dejanira Pettersen, em 2015

Em seu tempo de menina, Dejanira morava em São João do Paraíso, distrito de Cambuci, sonhando com uma vida em que pudesse percorrer o mundo e conhecer pessoas. Quando Geraldo Silva, de nome artístico "Tangará", chegou à cidade, junto com um grande circo, a vida da jovem começou a tomar o rumo que ela quis construir. O circo vai embora, mas tempos depois, após uma grande enchente da qual se recorda muito bem, Geraldo retorna à cidade, preocupado com a jovem. O casal se declara apaixonado e para Dejanira começa a experiência dos palcos. Em breve, assume o nome artístico "Andorinha", e assim nasce a dupla "Tangará e Andorinha".

Anúncio de show em circo, com participação de Tangará - a lápis: dia 2 em Bananeiras.

CANTORIA NAS ONDAS SONORAS DO RÁDIO


Campos: Dejanira conta terem feito apresentações aos domingos, cantando músicas a pedido dos ouvintes, na Rádio Cultura de Campos.  


Itaperuna: Durante três anos, na década de 1950, Tangará esteve a frente do programa matutino diário "Sertão em Flor", na Rádio Itaperuna Ltda - ZYM-2. Dejanira recorda que antes de iniciar o programa, este era anunciado por José Luiz com a seguinte chamada: “- E vêm aí os inimigos da tristeza! Sertão em Flor”.


Para a estreia de Andorinha na rádio, Tangará compôs a música A saracura em que ela teria uma pequena participação, para ir se acostumando ao microfone:


A saracura

Tangará: Você já viu a saracura dançar?
Andorinha: Não!!!
Tangará: Então você vai ver, você vai rir de escangalhar...
                A saracura quando dança lá no galho
                vira festa
                que os galhos chegam a quebrar


Como era comum na época, diversos artistas eram chamados a compor material que auxiliasse na divulgação de nomes políticos, em campanhas eleitorais. Tangará não foi exceção e um dos candidatos para quem compôs foi o bonjesuense Roberto Silveira, na época candidato a governador. 




No período em que Dejanira e Geraldo viveram em Itaperuna, sua moradia foi no Hotel Meirelles, no andar térreo. Foi nesse local que o músico preparou um cenário que pudesse acompanhar a dupla em suas viagens pela região: pintou em tecido uma cidade imaginária com muitos prédios. O cenário, assim, cabia em uma mala, podendo ser facilmente transportado e montado a cada apresentação.


O TEATRO MAMBEMBE SEGUE OS TRILHOS DO TREM

Após deixar o programa na Rádio Itaperuna, o casal passa a se apresentar em várias localidades. Seguir o roteiro da dupla é perceber a importância das linhas ferroviárias como meio de transporte e de comunicação entre as cidades durante grande parte do século XX no interior brasileiro, em especial na confluência entre os estados do Rio, Minas e Espírito Santo. E assim, Dejanira vai indicando uma série de lugares em que "Tangará e Andorinha" percorreram com suas apresentações teatrais, tais como: Pirapetinga, Patrocínio do Muriaé, Muriaé, Leopoldina e Juiz de Fora (MG); Murundu, Santa Margarida, Chave do Paraíso, Gargaú, Travessão de Campos, Baixa Grande, Santo Amaro, Saturnino Braga, Tocos, Capão, Chave Santa Maria, Usina Santa Izabel (RJ); Iurú, Mimoso do Sul e Iconha (ES). Nessa lista é possível perceber o nome ou local de muitas das estações ferroviárias que compunham as linhas da época.

Onde se apresentar? O primeiro lugar a buscar era o cinema, se não houvesse cinema, buscava-se um clube, ou um local em que se pudesse fazer o show, montando o cenário "portátil". No local, apresentavam um "Carta de recomendação" assinada por pessoas que haviam recebido os artistas em suas cidades. Em alguns casos, como em Iurú, a apresentação ocorreu na própria estação ferroviária, no salão da estação, por não haver cinema ou clube que pudesse recebê-los. Também era comum receberem convite para apresentação em algumas fazendas, em áreas rurais mais afastadas.

Apresentação de Tangará e Andorinha em Iconha, década de 1960, tendo ao fundo o cenário composto por uma pintura em tecido feito por Tangará e que era transportado pelos artistas em uma mala de viagem. Acervo particular: Djanira Pettersen.

Uma carta de recomendação era importante para facilitar a recepção da dupla em novas localidades.

A HORA DA PARADA

Quando Geraldo Silva começou a ter problemas de saúde, não foi possível manter a vida itinerante e os tempos de apresentações terminaram. Dejanira arrumou trabalho em uma fazenda em Batelão da Barra, São Francisco do Itabapoana, onde o casal viveu por alguns anos, antes de se mudar para Bom Jesus do Itabapoana. Hoje, viúva, Dejanira continua vivendo seu tempo de artista nos palcos da memória, onde os aplausos não param. Sempre disposta a nos brindar com suas histórias, essa mulher, que nasceu para a vida artística, nos transporta a um mundo onde o real e o mágico se entrelaçam, e da terra surgem vozes distantes nos contando de um tempo e de um lugar que, afinal, nos trouxeram até aqui.

O SONHO NÃO PODE PARAR

A doença impossibilitou Tangará a continuar em seu contato com o povo em apresentações teatrais. Em uma carta ao radialista, locutor e cantor Gilberto Lima, Geraldo se descreve como "compositor, cantor, violonista e humorista da Velha Guarda" e acrescenta "há 52 anos que realizo shows pelos sertões do meu Brasil". Seu sonho era ter um disco gravado com suas composições, e para isso chegou a enviar cartas solicitando apoio a prefeitos, governador e presidente.

Alguns dos títulos de suas músicas: Exaltação a Petrópolis, Sabiá e João de Barro, Mandamentos das moças, Sapo dentro do saco, Batizado da bicharada, Futebol dos bichos, A mulher e o automóvel, É bonito isso, Flor de maracujá, Ladrão de passarinho, O homem e o cão, Boi amarelinho, Cobra surucucú, Rio Muriaé, Crime de Muriaé, Vida de casado, Cigana, O tatu tá no buraco, Mulher não, Gavião, O vento vai, Alegria de caboclo, Tão lindo não há, Pato e o Marreco, Bicho doido, Por causa do marreco, Vou pra lua, O vento vai, Como é bonito ver, O sapo e o saco, Siri jogando bola, Totó apaixonado (1957), Como é bonito ver (1960), Fiel companheira (1970), Tristeza (1976), Bebê de proveta (1979), Faniquito (1980).

É só mentira (Tangará do Sul)
Geraldo Silva nasceu em Petrópolis (1917)
e faleceu em Bom Jesus do Itabapoana (1984).
Acervo particular: Dejanira Pettersen.

Ah meu compadre
Essa eu vou contá pro povo
Eu vi lá na fazenda
Galo véio botá ovo

A lua tá cheia  (Tangará do Sul)

A lua agora não fica vazia
Tem gente lá
morando noite dia
Pra lua agora
a coisa ficou feia
vai ter que andar
só cheia


Texto: Paula Aparecida Martins Borges Bastos

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

100 anos de fundação - Colégio Rio Branco
























2020 é tempo de celebrar. Há 100 anos, nascia o Colégio Rio Branco.

Era o início de uma linda missão educacional. Bom Jesus era ainda um povoado do município de Itaperuna e o Professor José da Costa Jr. funda o Colégio Rio Branco, com internato e externato, oferecendo educação primorosa aos jovens de toda a região. O Colégio se consolidou e daí para a frente foi sempre crescendo e ajudando Bom Jesus a se desenvolver.

Nos seus 90 anos de existência, o Colégio Rio Branco esteve presente na vida de milhares de crianças e jovens.

A foto traz um registro especial dos alunos do ano de 1924.








quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Escola de Professores do Ginásio Rio Branco





Com as comemorações do dia do Professor se aproximando, desejamos trazer a memória e a história da formação de professores do antigo Ginásio Rio Branco, como homenagem aos dedicados mestres de ontem e de hoje. 

O ano de 1951 foi um marco importante na história de Bom Jesus, pela ampliação do seu setor educacional. Por ato do então Governador do Estado do Rio de Janeiro, Edmundo Soares e do Secretário de Estado da Educação, José de Moura e Silva, foi criada a Escola de Professores anexa ao Ginásio Rio Branco.


Em 17.02.1949, o sr. Olívio Bastos, diretor do Colégio Rio Branco, já anunciava que em breve Bom Jesus teria a tão almejada Escola de Professores. "Já estava se fazendo sentir a falta, nesta cidade, de uma escola de professores, a fim de que, aqui mesmo, se formassem os futuros mestres e mestras de nossa mocidade."


                                 

Jornal O Norte Fluminense, 17.02.1949 


No dia 24 de fevereiro de 1951, o jornal A Voz do Povo traz o anúncio da criação da Escola Normal, por ato do governador Edmundo Soares publicado em 26 de janeiro no Diário Oficial. 



Jornal A Voz do Povo, 24.02.1951


Escola Normal em Bom Jesus 

Funcionará junto ao Ginásio Rio Branco um curso de professoras – Mais uma vitória do sr. Olívio Bastos 


Por ato ainda do governo do cel. Edmundo de Macedo Soares e Silva, publicado no Diário Oficial do Estado em 26 de janeiro do corrente ano, foi criado junto ao Ginásio Rio Branco, desta cidade, um curso de professoras, que deverá reger-se pelas legislações federal e estadual aplicáveis à espécie.

Foi, sem dúvida alguma, mais uma vitória alcançada pelo sr. Olívio Bastos, proprietário de nosso Ginásio, que terá assim ampliado o seu campo de ação em benefício do ensino em nossa terra.

Como se sabe, a criação dessa Escola Normal era de há muito um dos maiores desejos do sr. Olívio Bastos, não só por possibilitar às formandas do educandário o ensejo de frequentar mesmo em Bom Jesus o curso de professoras, como também em virtude do consequente barateamento dos estudos. Conseguindo, portando, o seu intento, merece aquele cidadão os aplausos dos bonjesuenses, que terão de ora em diante um Ginásio muito melhor aparelhado a seu serviço.

Bom Jesus, a cada dia que passa, cresce no conceito das outras cidades como uma comuna altamente civilizada, onde o amor pelo estudo e pelas coisas do espírito é a característica principal dos habitantes.

Por isso, um curso de professoras será para nós um melhoramento inestimável, conseguido, aliás, graças ao temperamento empreendedor do sr. Olívio Bastos.

Deste modo, registrando nestas linhas tão auspiciosas notícias para os bonjesuenses, valemo-nos do ensejo para apresentar ao sr. Olívio Bastos os nossos parabéns, augurando ao Ginásio Rio Branco e todo o seu corpo docente muitas vitórias e alegrias nos dias futuros.







Quadro de Honra do Ginásio Rio Branco: as irmãs Maria Apparecida Gonçalves Dutra e Lucia Gonçalves Dutra: primeiro e segundo lugar do recém criado Curso Normal. 

Jornal A Voz do Estudante, outubro de 1951. 





                                             Jornal A Voz do Estudante, outubro de 1951. 

Admissão ao Curso Normal

O Ginásio Rio Branco organiza presentemente um curso preparatório para os exames de Admissão à Escola de Professores. As aulas iniciar-se-ão a 20 de Novembro próximo. Urge que os interessados façam de imediato as suas inscrições, para melhores esclarecimentos.



 As professoras formandas da primeira turma de 1953 ao lado da Diretora da Escola, Prof. Maria do Carmo Baptista de Oliveira: 

Therezinha Mansur, Maria Apparecida Gonçalves Dutra, Maria Stella de Oliveira Silva, Maria José Borges, Celia Carvalho Machado, Neuza Tinoco de Siqueira, Leysa Serodio de Mello, Dulce Pedrosa Leandro, Aryete Aguiar Talyuli, Maria Ferreira Ferolla, Juracy Aquino de Aguiar, Laura Silveira, Amélia Sallim, Lucia Gonçalves Dutra, Therezinha Namen Chalhoub, Aline Borges Campos, Maria da Penha de Freitas, Octalia Junia Fiori Boechat e Shirley da Conceição Loureiro.



  

 "Imponentes as solenidades de formatura no Ginásio Rio Branco

A festa de encerramento das atividades letivas deste ano com a entrega de diplomas à primeira turma de professoras formada em Bom Jesus e a entrega de certificados a inúmeros concludentes do curso ginasial, foi um espetáculo deslumbrante para não dizer consagrador, aos esforços daqueles que, no recesso de seus gabinetes e no respeitável exercício da cátedra, inoculam o saber nos cérebros ávidos de conhecimento, dos homens e mulheres que amanhã farão a grandeza do Brasil. A presença de tanta gente, das altas autoridades civis, militares, do clero, prestigiando as solenidades do "Rio Branco" foi um justo e merecidíssimo prêmio a todos que mourejam naquele exemplar estabelecimento de ensino."

Jornal O Norte Fluminense, 27.12.1953






























O Colégio Rio Branco, fundado em 1920, iniciou suas atividades na rua Aristides Figueiredo. Havia internato e externato. Em 1930 foi transferido para o prédio no Alto de Santa Rita, atual Praça Amaral Peixoto. Logo Bom Jesus tornou-se polo educacional da região, tendo sido o primeiro colégio a oficializar o ensino ginasial, isto em 1936.

Com noventa anos de serviços educacionais no Vale do Itabapoana, encerrou as atividades após o falecimento de seu diretor Luciano Bastos, em fevereiro de 2011.

Em Agosto de 2011, no mesmo local, foi criado o Espaço Cultural Luciano Bastos, homenageando aquele que por 53 anos esteve à frente da direção da escola. 

 Claudia M. B. Bastos do Carmo


                                                   


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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Apresentação dos alunos do Studio Musicart

No dia 05/10/19, no Auditório D. Carmita do Espaço Cultural Luciano Bastos: apresentação dos alunos do Studio Musicart, dirigido pelos professores Thadeu Almeida e Juliana Pimentel.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Lançamento do livro "Rumorejos do Monte Himalaya" no ECLB





A história da região norte-fluminense tem uma nova obra de grande importância para pesquisas, o livro "Rumorejos do Monte Himalaya", de Amelia Gomes de Azevedo, lançado pela Série Memórias Fluminenses, da Essentia Editora (IFFluminense), nessa quinta (26/09), no ECLB. 


Organizadores da obra "Rumorejos do Monte Himalaya": Pedro Paulo Garcia Catharina e Paula Aparecida Martins Borges Bastos



Os organizadores da obra, Paula Aparecida Martins Borges Bastos e Pedro Paulo Garcia Catharina, fizeram uma apresentação do livro, que foi originalmente publicado em 1894 e agora ganha nova edição, com tradução do texto em francês realizado também por Pedro Paulo, que é professor de línguas neolatinas pela UFRJ.


















Imagem da Folha de Rosto de Rumorejos do Monte Himalaya, edição original de 1894 


Trecho de um dos contos de Amélia, Três dias no Monte Himalaia, apresentado em concurso literário em Paris. Tradução de Pedro Paula Catharina.


O evento, que aconteceu no auditório do ECLB, também contou com a participação de algumas pessoas que vieram de Niterói, especialmente para o evento, como José Ferreira Catharina e sua esposa Talita Garcia Catharina e Marly Ferreira Ferolla. Estas, junto com Maria Cristina Borges, indicaram suas lembranças sobre a região do Monte Himalaya.











Marly Ferreira Ferola, residente em Niterói, prestigiando o lançamento do livro ao lado de Pedro Paulo Catharina.

José Ferreira Catharina (esquerda) e Talita Garcia Catharina, pais do organizador Pedro Paulo Catharina, e Luiz Tavares Borges (direita), presentes no lançamento do livro. 




Luzia e Nereida Silveira (esquerda), filhas de D. Ruth Fragoso de Azevedo Silveira, parentes da autora, presentes ao lançamento.


Professora Helena Almeida Costa




Claudia Bastos e Maria Cristina Borges





Livros publicados pela Série Memórias Fluminenses  - Editora Essentia - Instituto Federal Fluminense




Foto da capa: Fazenda Monte Himalaya. 
Desenho de Lilia Alves dos Santos.




Amelia Gomes de Azevedo

Amelia Gomes de Azevedo nasceu em 16 de abril de 1866, na Fazenda Monte Himalaya, em Campos dos Goytacazes, cujo território passou a pertencer ao novo município de Itaperuna, em 1890. Filha do açoriano Jacinto Antonio de Azevedo Mattos e de Jesuína Gomes de Souza Azevedo, a jovem Amelia fez seus estudos como pensionista no Colégio Brasileiro, no Rio de Janeiro, aprendendo a ler e escrever em francês. Nessa língua, participou de concursos literários em revistas francesas e belgas, tendo recebido diversos prêmios de destaque. No Brasil, publicou contos e folhetins em jornais da região e da cidade do Rio de Janeiro. Publicou os livros: Rumorejos do Monte Himalaya (1894) e Mercedes (1896). Faleceu aos 63 anos, em 1929, na Fazenda São João, no município de Itaperuna, onde foi morar após o casamento  com João Lucas da Costa, com quem teve uma única filha, Adelia de Azevedo Costa.




Amelia Gomes de Azevedo 
Desenho de Lilia Alves dos Santos, inspirado em fotografia gentilmente disponibilizada por Heloisa Piña Rodrigues, neta de Amelia.

Os organizadores Pedro Paulo Catharina e Paula Aparecida Martins Borges Bastos foram os responsáveis pelo prefácio da nova edição, onde discorrem sobre a contribuição cultural de Amelia:

"A contribuição deste volume 5 da Série Memórias Fluminenses está relacionada à recuperação da memória literária de mulheres escritoras no século XIX. (...) 
Com a publicação desta edição de Rumorejos do Monte Himalaya, de autoria de Amelia Gomes de Azevedo, pretende-se recuperar uma voz feminina no norte fluminense de fins do século XIX. Amelia não teve o destino de grande parte das mulheres de sua região, as quais em geral não tinham sequer os primeiros letramentos: foi educada na Corte, participou de concursos literários no Brasil e em outros países, publicou artigos e folhetins em jornais, lançou livros."



Informações sobre a obra:

Editora Essentia: http://essentiaeditora.iff.edu.br/ 

E-mail: essentia@iff.edu.br