domingo, 10 de junho de 2012

DRUMMOND E PORTINARI: DOIS GRANDES MESTRES BRASILEIROS


A MÃO
  Carlos Drummond de Andrade


Entre o cafezal e o sonho
o garoto pinta uma estrela dourada
na parede da capela,
e nada mais resiste à mão pintora.
A mão cresce e pinta
o que não é para ser pintado mas sofrido.
A mão está sempre compondo
módul-murmurando
que escapou à fadiga da Criação
e revê ensaios de formas
e corrige o oblíquo pelo aéreo
e semeia margaridinhas de bem-querer no baú dos vencidos.
A mão cresce mais e faz
do mundo-como-se-repete o mundo que telequeremos
A mão sabe a cor da cor
e com ela veste o nu e o instável.
Tudo tem explicação porque tudo tem (nova) cor.
Tudo existe porque foi pintado à feição de laranja mágica
não para aplacar a sede dos companheiros,
principalmente para aguçá-la
até o limite do sentimento da Terra domicílio do homem.

Entre o sonho e o cafezal
entre guerra e paz
entre mártires, ofendidos,
músicos, jangadas, pandorgas,
entre os roceiros mecanizados de Israel
a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil
entre o amor e o ofício
eis que a mão decide:
Todos os meninos, ainda os mais desgraçados,
sejam vertiginosamente felizes
como feliz é o retrato
múltiplo verde-róseo em duas gerações
da criança que balança como flor no cosmo
e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente
em seu poder de encantação.

Agora há uma verdade sem angústia
mesmo no estar-angustiado.
O que era dor é flor, conhecimento
plástico do mundo.
E por assim haver disposto o essencial,
deixando o resto aos doutores de Bizâncio,
bruscamente se cala
e voa para nunca-mais
a mão infinita
a mão-de-olhos-azuis de Cândido Portinari.


Confira filme com imagens de Portinari pintando Guerra e Paz realizado por Silvio Tendler, e leitura do poema "A Mão" feita pelo próprio Drummond. Um deleite disponibilizado pela Fundação Portinari:

http://www.youtube.com/watch?v=p5QWm4O7FPg&feature=relmfu

sábado, 9 de junho de 2012

2a. OFICINA LITERÁRIA DO ECLB: "DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO"

                        No meio do caminho tinha uma pedra
                        tinha uma pedra no meio do caminho
                        tinha uma pedra
                        no meio do caminho tinha uma pedra.

                        Nunca me esquecerei desse acontecimento
                        na vida de minhas retinas tão fatigadas.
                        Nunca me esquecerei que no meio do caminho
                        tinha uma pedra
                        tinha uma pedra no meio do caminho
                        no meio do caminho tinha uma pedra.
 Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930


"Drummond no meio do caminho" é uma oficina que desenvolve atividades e técnicas de expressão poética a partir de poemas do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, que completaria 110 anos de nascimento em 2012. Os exercícios poéticos utilizados se originam de recursos expressivos e de temáticas comuns à obra do poeta de Itabira. Busca-se uma intertextualidade verbal e visual para que os versos de Drummond saiam das páginas de seus livros e ganhem novos significados nas mãos dos que, durante a oficina, não atuam apenas como leitores, mas também autores.

Com Adriano Moura, professor de Literatura e Língua Portuguesa, autor e ator teatral.

Sábado, 23 de junho de 2012, das 14h às 16h
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos

Vagas Limitadas. Inscrição: R$40,00.
Facilitação para Alunos e Professores.
Informações: (22)3831-1056
                       espacoculturallucianobastos@ig.com.br

sexta-feira, 8 de junho de 2012

EXPOSIÇÃO "O BRASIL DE PORTINARI"

Réplicas digitais de um dos maiores nomes da pintura nacional, Cândido Portinari, estarão em exposição no ECLB de 15 a 29 de junho de 2012. 

A exposição é uma realização do Projeto Portinari, dirigido por João Candido Portinari, filho do pintor, e é uma ótima oportunidade para apreciar o Brasil através da visão de um dos mais influentes artistas plásticos brasileiros. Em Bom Jesus, conta com o apoio das Secretarias Municipais de Educação e Cultura.

Conheça mais sobre o Projeto e vida e obra de Candido Portinari:
Entrevista com João Candido Portinari:
http://agencia.fapesp.br/12986
Projeto Portinari:
http://www.portinari.org.br/ 
Abertura da Exposição: 15 de junho, às 19h30min
Período: 15 de junho a 29 de junho de 2012
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos


sábado, 2 de junho de 2012

INSTALAÇÃO ARTÍSTICA: DICOTÔMICOS


Ocorreu dia 1º de junho, às 19h30min, na Sala da América Latina do Espaço Cultural Luciano Bastos, a concorrida abertura da 1a. MOSTRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA, das arte-educadoras Márcia de Oliveira Rangel Paulista e Valéria Narde.
Valéria Narde e Márcia Paulista
Sob o título DICOTÔMICOS, as artistas, em sua estreia, conceberam seu trabalho em três aspectos. "Os paralelepípedos reunidos são uma metáfora do ser humano insensível, endurecido pela vida. Por este motivo, o lado onde se encontram as pedras está abandonado pelo público, que se sente atraído, por sua vez, pelos elementos naturais e artificias que mexem com o sensorial, dispostos no outro canto da Sala", explica Valéria.

Por outro lado, "a lâmina de água ao seu redor aponta para um espelho que permite que cada um possa olhar para si próprio e, dessa forma,  encontrar o caminho onde possa ser capaz de sentir o cheiro dos elementos, apalpar formas suaves, sentar-se em objetos macios e divertir-se com os mesmos, ou seja, tornar-se naquilo que deveria ser. As pessoas que adentram na exposição, vão se concentrar espontaneamente no lado sensível da obra", complementa Márcia.

Instalação Artística “DICOTÔMICOS” 

Por Márcia Paulista

A Arte Contemporânea é de difícil interpretação porque nem todos a concebem como Arte. Estamos ainda atrelados à arte clássica, onde estilos deveriam ser seguidos e os suportes eram limitados. No No Brasil, já em 1922, na Semana da Arte Moderna, os artistas começam a manifestar sua insatisfação com modelos pré-concebidos de arte e apresentam seus trabalhos com estilos inusitados, escandalizando alguns artistas tradicionais. Em meados de 1960, Marcel Duchamp revoluciona completamente o conceito do que é arte, transformando objetos do uso cotidiano em obra de arte. 

Em “Dicotômicos”, nome dado a nossa instalação artística, apresentamos a Arte Contemporânea através de elementos escultóricos que se prestam a estimular reflexões no público. E esperamos que esse público espectador da obra torne-se um partícipe para que assim, verdadeiramente, a obra se complete, se realize de fato. 

Vimos que no dia da abertura desta Mostra de Arte Contemporânea, as pessoas que lá estiveram, entraram, olharam, não entenderam nada ou quase nada, mas de pouco a pouco, a partir da manipulação dos elementos (“pingos”, por nós conceituados) eles puderam sentir a suavidade desses elementos, a impregnação das cores e os aromas que deles emanavam. Acreditamos, que a logo a seguir começaram a entender a razão ou o conceito que a obra quis traduzir. E do outro lado da sala, vimos outro elemento escultórico formado por pedras (paralelepípedos) empilhadas em forma de um edifício, contornada por água, onde tornava-se dessa forma, uma ilha. É uma metáfora simbolizando o homem contemporâneo, apressado, insensível, endurecido, frio diante da vida, impassível diante da dor, do sofrimento... não reage mais aos estímulos sensoriais, e o que é pior, isola-se, torna-se “ilha”, impedindo ou dificultando o acesso ao seu próximo. Aí está a explicação das expressões contidas no banner que esteve afixado na parede: cor e não-cor, tangível e não-tangível, ruído e silêncio, presença e ausência... é a dicotomia da obra, razão pela qual intitulamos este trabalho “DICOTÔMICOS” que teve como curador o Prof. Ms da UFES Marcos Martins.

Esta instalação estará ainda aberta ao público na terça e quarta-feira próximas, dias 5 e 6 de junho, nos horários de 9h às 11h e 13h às 16h. 

É uma ótima oportunidade para toda a comunidade conhecer, e principalmente para professores levarem seus alunos a dialogar sobre a Arte que aliás, é uma disciplina que está sendo muito cobrada em avaliações de larga escala, principalmente nos exames do ENEM. 


sábado, 26 de maio de 2012

I MOSTRA DE ARTE CONTEMPORÂNEA NO ECLB


Instalação Artística: um retorno ao sensível
A arte manifestada através de experiências sensoriais


Abertura: 01/06/2012
Horário: 19h30min

Aberto à visitação de escolas e comunidades
dias 04, 05 e 06 de junho.

Uma proposta das arte-educadoras
Márcia O.R. Paulista e Valéria P. Narde


SÁBADO CULTURAL EM BOM JESUS: OCORRE A 1ª OFICINA LITERÁRIA DO ECLB

Na abertura do evento, um belo momento musical de saxofone e violão, tocados por Vanessa e Deuslene.
Momento Musical: Vanessa e Deuslene
Em seguida a contadora de histórias Maria Elvira Tavares Costa iniciou a Oficina "Rubem Braga e o Poder da Palavra", afirmando que "quando você conta história, a criança vem".

A mestra, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), conterrânea de Rubem Braga, emocionou o público relatando fatos importantes da vida do cronista, que "escrevia os fatos do mundo a partir da visão do homem do interior".
 
A contadora de histórias Maria Elvira
A contadora de histórias assinalou que Rubem Braga possuía sua "alma ligada a raízes simples interioranas e sensíveis de toda a sua família", mencionando, como exemplo, o seguinte texto:

"... Com pobre a gente tem de ser muito delicado, me
u filho" (in O Compadre Pobre, de 1952).

Rubem Braga "teve suas crônicas publicadas nos maiores jornais do país durante aproximadamente cinco décadas" e é considerado , por muitos, como "o maior cronista do século XX no Brasil e pelo fato de ter sido o único escritor a conquistar um lugar definitivo na literatura, exclusivamente, como cronista", afirmou a autora cachoeirense.

Ao final do memorável evento, Maria Elvira fez uma grande revelação: o consagrado cantor e compositor cachoeirense, Sérgio Sampaio, autor do antigo êxito "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua", chegou a compor uma música para uma musa de Bom Jesus do Itabapoana, intitulada "Em nome de Deus", onde consta os versos:

"eu nunca pensei que pudesse querer
alguma mulher como quero você

...
agora que estou à mercê de sua luz,
em nome das águas lá de Bom Jesus",

Tal canção revelaria, segundo Maria Elvira, "a relação passional entre Cachoeiro de Itapemirim e Bom Jesus do Itabapoana".
Veja os vídeos das músicas "Em nome de Deus" e "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua".
http://www.youtube.com/watch?v=GLFLQAGYVX8
http://www.youtube.com/watch?feature=fvwp&NR=1&v=4Gz_3rFWGdw

Maria Elvira fez questão de registrar, ainda, que "temos de recuperar a capacidade de sonhar e sonhar juntos na construção de um mundo melhor",
doando obras de (e sobre) Rubem Braga, além de outros autores cachoeirenses, para a Biblioteca do ECLB.
 
Vários participantes estiveram presentes, entre eles a dra. Nísia Campos, presidente do Instituto de Letras e Artes (ILA) Dr. José Ronaldo do Canto Cyrillo, os novos membros da Academia Bonjesuense de Letras (ABDL), Tereza Cristina Lima Nazareth de Jesus - que declamou uma poesia - Paulo Xavier e Gino Martins Borges Bastos, os jovens atores Bianca Gonçalves e Moacir Neto, e Adriana Peixoto, dirigente da Cia de Teatro América Latina, a advogada cachoeirense Lucília Stanzani, que intermediou a vinda de Maria Elvira a Bom Jesus, e professor representante do Colégio Santa Rita de Cássia.

A 2a. Oficina Literária do ECLB  está confirmada e ocorrerá no dia 23 de junho, às 14 h, com o autor teatral Adriano Moura, de Campos dos Goytacazes, com a oficina "DRUMMOND NO MEIO DO CAMINHO", sobre leitura e criação poética a partir dos textos de Carlos Drummond de Andrade, em comemoração aos 110 anos de seu nascimento.



sábado, 19 de maio de 2012

RUBEM BRAGA E O PODER DAS PALAVRAS

Oficina Literária no ECLB

Bate-papo sobre Literatura e Humanidades

Com Maria Elvira Tavares Costa – Contadora de Histórias


              Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro de Itapemirim, ES. Reconhecido por muitos como o maior cronista brasileiro do século XX, foi o único escritor a se dedicar exclusivamente às crônicas, elevando-as, com a qualidade e importância de sua obra, à condição de gênero literário.

      Escreveu por mais de cinco décadas nos principais jornais do país, sensibilizando e formando opiniões.

      Foi correspondente da Segunda Guerra Mundial, Chefe do Escritório Comercial do Brasil no Chile e Embaixador do Brasil em Marrocos.

      Amigo pessoal, entre outros, de Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e Manoel Bandeira - que dizia que Rubem escrevia ainda melhor quando não tinha assunto.

      Foi um menino do interior que, mesmo levantando grandes voos, nunca perdeu de vista sua pequena cidade e os ensinamentos de rara humanidade ali aprendidos.

      Conhecer um pouco da obra e da vida de Rubem Braga é presentear-se com um mergulho em nossas próprias almas – lugar onde mora todo o nosso poder!

      Rubem Braga faleceu aos 19 de dezembro de 1990, no Rio de Janeiro. Suas cinzas, a seu pedido, foram lançadas no Rio Itapemirim, em seu torrão natal. Rio abaixo, nas águas de sua infância, ele retornou ao mar, onde, certamente, brinca alegremente com belas sereias!

      Venha participar conosco!

Dia 26 de maio de 2012, às 14h
Local: Espaço Cultural Luciano Bastos
Praça Amaral Peixoto, 13, Centro. Bom Jesus de Itabapoana, RJ.
Tel: (22) 3831-1056
espacoculturallucianobastos@ig.com.br

Vagas Limitadas. Inscrição: R$40,00.

Facilitação para alunos e professores.